1 de 1Aeroclube de Rio Preto teve atividades suspensas — Foto: Reprodução/ TV TEM
Aeroclube de Rio Preto teve atividades suspensas — Foto: Reprodução/ TV TEM
O Aeroclube de São José do Rio Preto (SP) decidiu suspender os voos após denúncia de que o combustível utilizado em 12 mil aeronaves no país está adulterado. A informação foi divulgada na tarde desta segunda-feira (13).
Em comunicado no sábado (11), a Petrobras disse ter identificado um lote do produto com “teor de compostos aromáticos diferente dos lotes até então importados”, embora dentro dos requisitos de qualidade exigidos pela reguladora Agência Nacional de Petróleo (ANP), que investiga a denúncia.
De acordo com o diretor do aeroclube de Rio Preto, Moacyr Costa, a suspeita é de que o combustível esteja corroendo componentes das aeronaves. O problema pode até causar a paralisação dos aviões.

Aeroclube de Rio Preto suspende operações após denúncia de combustível adulterado
“A gasolina está derretendo todas as borrachas das aeronaves. Nós aqui em São José do Rio Preto constatamos isso nos aviões do aeroclube. Abastecemos e no sábado deu problema. Por precaução, paralisamos todas as atividades do aeroclube”, afirma.
Segundo o diretor do aeroclube de Rio Preto, existem em torno de 100 aeronaves particulares no município. Os pilotos optaram por não abastecer e não decolar.
“Todos estão com medo. O problema é muito sério. Ninguém tem coragem. Como piloto, eu jamais decolaria com a aeronave. O problema não é regional, é nacional”, afirma.
Denúncias
Os relatos sobre o possível combustível adulterado foram feitos no início da semana passada por pilotos de diversos estados, como Rio Grande do Sul, São Paulo e Goiás.
Atualmente, 100% da gasolina de aviação distribuída no país é importada a partir do Golfo do México, de grandes empresas dos Estados Unidos. A produção era nacional e feita pela Petrobras, mas foi interrompida em 2018 por causa de obras na planta da empresa em Cubatão, no litoral paulista.
As obras, no entanto, estão atrasadas por causa da pandemia do coronavírus. Segundo a estatal, a previsão é de que a produção nacional seja retomada em outubro.
A ANP e a Anac não fizeram uma interdição do combustível. As causas da suposta adulteração, a origem da gasolina e qual substância pode ter contaminado ainda não foram identificadas.
Recomendações da Anac
Na quinta-feira (9), a ANAC publicou um comunicado, chamado de Boletim Especial de Aeronavegabilidade (BEA), para informar a todos os pilotos e proprietários de aeronaves que operem com gasolina de aviação sobre os riscos associados ao uso de “combustível contaminado ou adulterado”.
No documento, a ANAC dá recomendações e diz que até a emissão do boletim não possuía informações fáticas que possam confirmar a existência de tal contaminação, tampouco, se confirmada, que tenha agido como fator contribuinte em alguma ocorrência recente”.
Ainda de acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil, a ANP avalia a necessidade de medidas mais rigorosas, que “dependerão da constatação de que há, de fato, uma situação de contaminação do combustível, o tipo, a origem e o período da suposta contaminação, bem como, se seria esta a causa da degradação de componentes”.
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