
Aeronaves de pequeno porte da região apresentam problemas de vazamento de combustível
O Aeroporto Campo dos Amarais, de Campinas (SP), tem cerca de 50 aeronaves paradas por precaução porque usam a gasolina de aviação (AVGAS), que é alvo de uma investigação sobre possível adulteração que pode causar danos em tanques de combustíveis e na estrutura. Um avião pequeno e um helicóptero que operam no local estão com vazamentos.
A AVGAS, conhecida como gasolina azul, é usada por aeronaves particulares, de táxi-aéreo ou de instrução, segundo a Associação de Pilotos e Proprietários de Aeronaves (Aopa). A investigação é conduzida pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e a Agência Nacional de Petróleo (ANP).
O Aeroporto Internacional de Viracopos informou que a maioria dos aviões que operam no local é comercial de grande porte e esses modelos utilizam querosene como combustível. Por isso, não há registros de problemas no terminal.
No Aeroclube de Piracicaba, a informação é que quatro aeronaves apresentam vazamentos. Segundo a Aopa, em todo o país há cerca de 12 mil aviões com motor a pistão que usam a gasolina azul.
As causas da suposta adulteração, origem da gasolina adulterada e qual substância pode ter contaminado o combustível ainda não foram identificadas.
1 de 4Aeroporto Estadual de Campinas – Campo dos Amarais — Foto: Gustavo Biano/EPTV
Aeroporto Estadual de Campinas – Campo dos Amarais — Foto: Gustavo Biano/EPTV
“É um risco imenso da gente ter problemas sérios. (…) O Brasil inteiro está parado por esse problema que ninguém quer e tem a recomendação para não voar”, afirmou o advogado Márcio Doná, que atua na área do direito aeronáutico.
O advogado afasta a possibilidade da culpa ser das distribuidoras de combustível. Segundo ele, somente a Petrobras fornece esse tipo de combustível, que é importado. “Ela que precisa explicar o que está acontecendo”.
A Petrobras informou que interrompeu a distribuição do lote importado, mesmo sem a confirmação da adulteração. Disse, ainda, que todos os lotes têm parâmetros exigidos pela ANP.
A investigação
Os primeiros relatos sobre a degradação de componentes do sistema de armazenamento e distribuição da gasolina de aviação foram feitos no começo da semana passada por pilotos de diversos estados brasileiros, como Rio Grande do Sul, São Paulo e Goiás.
Eles citam corrosões agressivas em tanques de aeronaves, juntas, mangueiras, seletoras, bicos injetores, drenos e em outras partes e componentes.
Um piloto de Goiânia (GO) gravou um vídeo que mostra o vazamento de gasolina por várias partes da aeronave, com manchas na asa e na pista, e também alertou sobre o risco de ficar perto do avião. “Tomem cuidado com esse combustível, isso mata”, afirma.
2 de 4Aeroporto Estadual de Campinas – Campo dos Amarais — Foto: Gustavo Biano/EPTV
Aeroporto Estadual de Campinas – Campo dos Amarais — Foto: Gustavo Biano/EPTV
Na quinta-feira (9), a ANAC publicou um comunicado, chamado de Boletim Especial de Aeronavegabilidade (BEA), para informar a todos os pilotos e proprietários de aeronaves que operem com gasolina de aviação sobre os riscos associados ao uso de “combustível contaminado ou adulterado”.
No documento, a ANAC dá recomendações e diz que até a emissão do boletim não possuía informações fáticas que possam confirmar a existência de tal contaminação, tampouco, se confirmada, que tenha agido como fator contribuinte em alguma ocorrência recente”.
Ainda de acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil, a ANP avalia a necessidade de medidas mais rigorosas, que “dependerão da constatação de que há, de fato, uma situação de contaminação do combustível, o tipo, a origem e o período da suposta contaminação, bem como, se seria esta a causa da degradação de componentes”.
Em nota enviada ao G1 na semana passada, a Petrobras diz que não é a única importadora de gasolina de aviação.
3 de 4Aeroporto Campo dos Amarais, em Campinas — Foto: Gustavo Biano/EPTV
Aeroporto Campo dos Amarais, em Campinas — Foto: Gustavo Biano/EPTV
Combustível importado
Toda a gasolina de aviação distribuída em território nacional é importada. Em 2018, a Petrobras interrompeu a produção dela para obras na planta de Cubatão (SP) que segundo a empresa sofreram atraso por causa da pandemia da Covid-19. A produção deverá ser reiniciada em outubro de 2020. Desde então, a Petrobras compra o combustível de produtores no exterior.
Quando a AVGAS chega no litoral brasileiro, a Petrobras emite um certificado de qualidade, que é enviado para a ANP. No processo de venda da gasolina pela estatal, as distribuidoras emitem um novo boletim de qualidade, que também é enviado pra ANP. É responsabilidade das ANP fiscalizar as revendas.
4 de 4Entrada do Aeroporto dos Amarais, em Campinas — Foto: André Natale/EPTV
Entrada do Aeroporto dos Amarais, em Campinas — Foto: André Natale/EPTV
