1 de 2Movimentação de pessoas em feira livre no bairro do Moinho Velho, Zona Sul de São Paulo, neste sábado (18). — Foto: Anderson Lira/Estadão Conteúdo
Movimentação de pessoas em feira livre no bairro do Moinho Velho, Zona Sul de São Paulo, neste sábado (18). — Foto: Anderson Lira/Estadão Conteúdo
O governo de São Paulo afirmou nesta segunda-feira (20) que um aumento de 24% nas mortes por coronavírus no interior na última semana foi o responsável por fazer com que o estado como um todo batesse o recorde semanal, com 1.945 novas mortes, após três semanas seguidas em que o valor havia apresentado leve queda.
No entanto, o coordenador-executivo do Centro de Contingência do Coronavírus, João Gabbardo, afirma que o aumento está dentro das projeções realizadas pela gestão João Doria (PSDB). Em meio à flexibilização gradual da quarentena em várias regiões, o governo prevê que o estado atinja um total de 21 mil a 26 mil mortes por coronavírus até o final de julho.
“Realmente na semana passada a gente teve um número de óbitos maior do que os das semanas anteriores. Nós estávamos há três semanas com redução, mas isso não altera o que nós imaginávamos desde o início do plano, de que a capital tinha uma tendência de queda, manutenção dos seus números de casos e óbitos, e uma provável expansão no interior”, disse Gabbardo nesta segunda.
Segundo o diretor, houve aumento menor de mortes na capital e na Região Metropolitana, dentro do que especialistas ainda consideram estabilidade na análise da média móvel. Mas os números do interior puxaram o total do estado para o avanço de 14%, limite da taxa para que seja considerado aumento e não estabilidade.
“Na Região Metropolitana o aumento do número de óbitos foi de 7%, na capital ainda menor, em torno de 2,6%. Houve um aumento de óbitos no interior bastante considerável, na ordem de 24%. No total, os números mantém o estado em uma estabilidade, dentro da nossa previsão. […] Até 15% consideramos estabilidade”, afirmou.
Interior X capital
O secretário de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, também apresentou nesta segunda-feira (20) outra análise que confirma a interiorização da Covid-19 em São Paulo. Segundo Vinholi, pela primeira vez o interior ultrapassou a capital em números absolutos de casos confirmados desde o início da pandemia. A comparação desconsidera as outras cidades da Grande São Paulo.
“O interior do estado alcança o número de casos da capital. São 40% de casos no interior hoje [em relação ao total] e 40% de casos na capital: 166 mil casos em cada uma dessas regiões. Essa evolução veio se dando ao longo do período, viemos alertando e trazendo essas informações e com os dados de hoje se consolida”, disse Vinholi.
Há cerca de um mês, o secretário já havia anunciado que o interior havia ultrapassado a capital em novos registros semanais de casos.
Já em relação às mortes, Vinholi também afirmou nesta segunda que o interior ultrapassou pela primeira vez a Grande São Paulo (sem a capital) em número absolutos de óbitos por coronavírus. Segundo o secretário, o interior soma 5.612 mortes desde o início da pandemia e a Grande SP 5.318. Na capital, o valor total de mortes é de 8.778.
Balanço diário
O estado de São Paulo registrou 56 novas mortes por coronavírus e 1.385 novos casos confirmados da doença nas últimas 24 horas, segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde divulgados nesta segunda-feira (20). Com os novos registros, o número total de mortes desde o início da pandemia chegou a 19.788 e o de casos confirmados 416.434.
As novas confirmações em 24 horas não significam, necessariamente, que as mortes e casos aconteceram de um dia para o outro, mas que foram contabilizadas no sistema neste período. Os números costumam ser menores nos finais de semana e às segundas-feiras, devido ao atraso nas notificações nestes dias.
Veja novos registros no estado de SP nas últimas 24 horas:
- 56 mortes
- 1.385 casos confirmados
Veja o total no estado de SP desde o início da pandemia:
- 19.788 mortes
- 416.434 casos confirmados
Internações
As taxas de ocupação dos leitos das unidades de terapia intensiva (UTI) tiveram leve queda para 66,8% no estado e 64,9 na Grande São Paulo. No domingo, as taxas eram de 66,9% no estado e 65,1% na Grande São Paulo.
O número de pacientes internados com suspeita ou confirmação de Covid-19 também teve leve queda nesta segunda-feira (20) para 14.598, sendo 5.852 pacientes em UTI e 8.746 em leitos de enfermaria. No domingo, o total de pacientes internados era de 14.814 no estado.
Testes da vacina
A vacina chinesa contra o coronavírus deve começar a ser aplicada em 890 voluntários de São Paulo a partir desta terça-feira (21) no Hospital das Clínicas (HC). Os testes fazem parte de uma parceria com o Instituto Butantan. Inicialmente, o governo estadual havia anunciado que os teste começariam já nesta segunda-feira (20). Em todo o Brasil, 9 mil profissionais da saúde devem participar desta fase de testes.

Testes com vacina chinesa começam nesta terça; Doria anuncia detalhes em coletiva
O governo de São Paulo estima que a terceira fase de testes da vacina chinesa sejam concluídas em 90 dias. “Os pesquisadores do Hospital das Clínicas vão analisar os voluntários em consultas marcadas a cada duas semanas. A estimativa é concluir todo o estudo da fase três de testes da Coronavac em até 90 dias”, afirmou o presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas.
Recorde de mortes na semana
Neste sábado (18), o estado de São Paulo registrou o maior número de mortes por Covid-19 em uma semana desde o início da pandemia, com 1.945 óbitos semanais.
A alta semanal foi de 14% e acontece após três semanas de leves quedas no número de mortos em São Paulo. Na semana do dia 5 de julho ao dia 11, foram registradas 1.706 mortes, na do dia 28 de junho ao dia 4 de julho, 1.733, e na do dia 21 de junho a 27 de junho, 1.760.
O balanço de mortes semanal é importante para avaliar o avanço da doença pois há uma variação muito grande dos registros de um dia para o outro. Os novos casos e mortes diários são contabilizados de acordo com o registro no sistema, e não com o dia em que ocorreram.
O governo estadual iniciou a flexibilização gradual da quarentena em 1º de junho, antes que houvesse queda sustentada de novas mortes ou casos confirmados da doença, o que não é recomendado por especialistas. Especialistas avaliam que a reabertura do comércio, que já teve início em diversas regiões do estado e causou aglomerações em diversas cidades, pode fazer com que os registros de casos e mortes aumentem.
2 de 2Mortes por Covid-19 por semana em São Paulo — Foto: Arte G1
Mortes por Covid-19 por semana em São Paulo — Foto: Arte G1
