Apreensão de drogas em SP aumentou 40% durante a pandemia, diz polícia


Quarentena e isolamento social atrasaram a incineração da droga, que demanda a presença de policiais, perícia, vigilância sanitária, promotoria e técnicos. Estoque em delegacias é caro e perigoso, segundo a polícia civil. Polícia apreende mais de 55 toneladas de drogas em São Paulo durante pandemia
A polícia de São Paulo apreendeu mais de 55,5 toneladas de drogas no estado nos três primeiros meses de pandemia do coronavírus. Entre março, abril e maio do ano passado, as apreensões somaram quase 40 toneladas, um aumento de 39,8% de um ano para outro.
A maior quantidade foi de maconha, 48 toneladas, e depois vieram as apreensões de cocaína, que passaram de 5 toneladas. As autoridades também encontraram muito crack: 700 kg.
A Lei Antidrogas diz que qualquer apreensão deve ser comunicada à Justiça em 24 horas, que os juízes tem até 10 dias para determinar a destruição do material e, depois, a polícia tem 15 dias para mandar incinerar tudo.
Toda a droga apreendida em março, abril e maio deste ano na capital e na Grande São Paulo, no entanto, ficou guardada e foi vigiada pela polícia.
Isso porque em todas as incinerações precisam estar presentes policiais, perícia, vigilância sanitária e promotoria, além dos técnicos que operam os fornos. Se um desses setores não participa, a destruição das drogas fica parada.
Nos três primeiros meses de quarentena, a polícia não conseguiu fazer nenhuma destruição de drogas apreendidas porque uma resolução do Ministério Público (MP) determinou que os promotores não participassem de atividades presenciais.
Só no fim de junho, o MP liberou os promotores para que eles autorizassem à distância a incineração de drogas. Nesta quarta-feira (1), depois de quase quatro meses, o Departamento de Repressão ao Narcotráfico (Denarc) incinerou 1,8 tonelada da droga que estava estocada.
Para o delegado-geral da Polícia Civil, Ruy Ferraz Fontes, guardar drogas nas delegacias é caro e perigoso. “Nós estamos viabilizando essa destruição. O ideal é que em 30 a 40 dias nós tenhamos essa droga destruída e fora dos nossos depósitos”, afirmou.
Em regiões do estado, como Presidente Prudente, Bauru, Ribeirão Preto e Sorocaba, onde o novo coronavírus demorou mais tempo para chegar, a polícia incinerou drogas em março e abril.
Polícia de São Paulo apreendeu mais de 55 toneladas de drogas nos três primeiros meses de quarentena
Reprodução/TV Globo
Tráfico não parou na quarentena
A produção e o tráfico de drogas não pararam durante o isolamento social. No bairro da Casa Verde, Zona Norte da capital, a polícia interceptou uma encomenda antes da entrega. Dentro, um livro com um fundo falso e 1 kg de haxixe.
No bairro da Penha, na Zona Leste, uma máquina produzia comprimidos de êxtase e outras drogas sintéticas até a polícia aparecer.
Em Guarulhos, na região metropolitana, os policiais chegaram a um galpão do tráfico logo depois que as embalagens e a maconha já tinham sido descarregadas. Aproximadamente 600 tabletes de maconha prontos para serem fracionados e distribuídos.
Para esconder drogas, os traficantes usaram até fundos falsos em trator e compartimentos secretos em carros.
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By Tribuna ABC

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