1 de 3Centro de apoio a pessoas transexuais é criado em Jundiaí — Foto: Reprodução/TV TEM
Centro de apoio a pessoas transexuais é criado em Jundiaí — Foto: Reprodução/TV TEM
O número de assassinatos de transexuais aumentou em quase 50% no Brasil este ano, segundo a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra). Buscando dar uma chance a quem precisa, uma ativista de Jundiaí (SP) criou um centro de apoio a pessoas transexuais, que ajuda vítimas de violência e abuso.
De acordo com a Antra, o primeiro quadrimestre de 2020 registrou um aumento de 48% de assassinatos de pessoas trans em relação ao ano passado.
Foi por isso que Sammy Fortes teve a ideia de montar o espaço de acolhimento. Ela é ativista da causa e coordenadora do centro. À TV TEM, ela conta que o Centro de Apoio e Inclusão Social para Travestis e Transexuais (Cais) também fornece tratamento com hormônios.
“Aqui nós oferecemos ações sociais, empregabilidade, enfim, nós temos um trabalho completo e, principalmente na questão da saúde, o tratamento hormonal”, explica.
Para a psicóloga Sandra Bucher, que também atende no local, o reflexo do aumento nos números está na intolerância das pessoas. Ela comenta que percebe esse cenário na prática ao atender diariamente vítimas de transfobia e homofobia.
“A primeira coisa que acontece é a rejeição em todos os níveis na sociedade e, como consequência, vem o preconceito. Com isso vem a depressão, falta de autoestima e falta de vontade de viver, que é o que eles geralmente expressam.”
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Centro de apoio a pessoas transexuais é criado em Jundiaí — Foto: Reprodução/TV TEM
Agressões em casa
A transição de gênero de Gabriela Araújo, de 21 anos, foi marcada por abusos e agressões da própria família. Ela conta que precisou até sair de casa.
“Tive que sair de casa, aconteciam muitas agressões físicas e verbais, me encontrei praticamente sozinha”, diz.
Apesar de tudo, Gabriela diz que ainda tem muitos planos e sabe que a caminhada nesse processo vai ser longa, mas acredita que a aceitação da sociedade é um passo necessário e libertador para encorajar tantos outros transexuais.
“O que me ajudou mais foi a vontade do próximo de me ajudar e ceder um espaço, de me reconhecer como mulher e pessoa na sociedade”, finaliza.
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Centro de apoio a pessoas transexuais é criado em Jundiaí — Foto: Reprodução/TV TEM
Após anos encarando preconceitos, exclusão e olhares maldosos, a manicure Dominik Mendes encontrou no Cais um espaço da força que precisava para seguir.
“Eu necessito de quase tudo. Minha escolaridade é baixa e o Cais me propôs essa ajuda. Eu estou aqui agarrando”, diz.
Para muitas, no entanto, o resultado ainda é trágico. A transexual Luara Redfield, de 23 anos, foi encontrada morta no dia 22 de agosto, em Mairinque (SP). Segundo parentes, a vítima e o namorado teriam discutido no dia em que ela desapareceu. Ele confessou ter matado a ex-namorada.
O Centro de Apoio e Inclusão Social para Travestis e Transexuais está localizado na Rua Tomé de Souza, 25, no centro de Jundiaí.

Centro de apoio a pessoas transexuais é criado em Jundiaí
