Biritiba diz que vai reunir secretarias para criar possível plano de melhoria após ser avaliada como a mais vulnerável à Covid-19 na Grande SP

Biritiba Mirim é cidade mais vulnerável ao coronavírus da Grande SP, diz estudo

Biritiba Mirim é cidade mais vulnerável ao coronavírus da Grande SP, diz estudo

De acordo com o município, os pontos mostrados no estudo já eram trabalhados pela atual gestão e, por meio dos apontamentos, as secretarias municipais responsáveis vão ser convocadas para estabelecer um possível plano de melhorias nas áreas citadas.

Com um índice que varia de 0 a 100, Biritiba Mirim apareceu em primeiro no que diz respeito à vulnerabilidade, com 63,79, seguida por outros dois municípios do Alto Tietê: Poá, com 60,37, e Itaquaquecetuba, com 58,93. Salesópolis e Ferraz de Vasconcelos apareceram na nona e na décima posição, respectivamente, ambos com 57,33.

As dez cidades da Grande SP com maior índice de vulnerabilidade são:

  • 1) Biritiba Mirim: 63,79
  • 2) Poá: 60,37
  • 3) Itaquaquecetuba: 58,93
  • 4) São Lourenço da Serra: 58,73
  • 5) Itapecerica da Serra: 58,72
  • 6) Embu das Artes: 57,66
  • 7) Embu-Guaçu: 57,63
  • 8) Pirapora do Bom Jesus: 57,36
  • 9) Salesópolis: 57,33
  • 10) Ferraz de Vasconcelos: 57,33

As dez cidades da Grande SP com menor índice de vulnerabilidade são:

  • 1) São Bernardo do Campo: 30,06
  • 2) São Caetano do Sul: 38,61
  • 3) Cajamar: 39,18
  • 4) São Paulo: 41,17
  • 5) Santana de Parnaíba: 41,51
  • 6) Mauá: 42,31
  • 7) Santo André: 43,44
  • 8) Ribeirão Pires: 44,20
  • 9) Rio Grande da Serra: 44,54
  • 10) Barueri: 45,01

Gerente-geral do Instituto Votorantim explica estudo e situação do Alto Tietê

Desde o início da semana, toda a região do Alto Tietê avançou à fase amarela do Plano São Paulo de retomada econômica do Governo do Estado.

Apesar da melhora nos indicadores adotados pelo Centro de Contingência, metade das cidades da região é considerada muito vulnerável à Covid-19. A conclusão é do estudo do Instituto Votorantim, que calculou o índice de vulnerabilidade dos municípios do Brasil.

Biritiba Mirim, que é a primeira entre as cidades da região metropolitana, ocupa a 22ª posição quando comparada às outras cidades do estado.

Biritiba Mirim foi avaliada como cidade mais vulnerável à Covid na Grande SP — Foto: Reprodução/TV Diário 1 de 1
Biritiba Mirim foi avaliada como cidade mais vulnerável à Covid na Grande SP — Foto: Reprodução/TV Diário

Biritiba Mirim foi avaliada como cidade mais vulnerável à Covid na Grande SP — Foto: Reprodução/TV Diário

“A gente olhou diversos blocos de indicadores. O primeiro deles é o perfil da população. A gente sabe que uma população idosa é mais suscetível às complicações da doença, então, quanto mais idosos na população do município, maior a vulnerabilidade. Um outro bloco de indicadores tem a ver com a estrutura do sistema de saúde: disponibilidade de leitos de UTI, de respiradores e ventiladores para esse atendimento. O terceiro bloco diz respeito à organização do sistema de saúde. No Brasil, alguns municípios têm que referenciar seu atendimento a outros municípios, então ele não tem internações, exames. Quanto mais dependente de outros municípios, maior a vulnerabilidade”, explicou o gerente-geral do Instituto Votorantim, Rafael Gioielli.

“A gente olhou também para o tema de economia local. Sabemos que a pandemia traz consequências econômicas muito relevantes, então, quanto mais pobre o município, quanto menor o PIB per capita, quanto menor a renda e maior o número de trabalhadores informais, maior é a vulnerabilidade. Por fim, a gente olhou a questão fiscal. A pandemia traz uma necessidade de mais gastos dos municípios e afeta também as receitas. Esse é um fator que eleva a vulnerabilidade. Quanto mais dependente dessas receitas ou quanto mais próximo do limite fiscal, mais difícil é para o município gerenciar a pandemia. Não falei todos os indicadores, mas falei os cinco blocos que compõem o IVM”, completou.

O IVM, como é chamado o índice de vulnerabilidade, é calculado a partir de dados do IBGE, do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde e da Agência Nacional de Saúde Suplementar. A análise dos dados da região mostra que, além de Biritiba Mirim, Poá, Itaquaquecetuba, Salesópolis e Ferraz de Vasconcelos também estão em posições preocupantes.

“Na região, você tem duas microrregiões. Você tem cidades vinculadas a Guarulhos e outras que estão em Mogi. Aquelas que estão na microrregião de Guarulhos têm uma estrutura de sistema de saúde um pouco melhor do que as que estão na microrregião de Mogi, porque a microrregião de Guarulhos oferece mais leitos de UTI a cada 100 mil habitantes. Essa é uma diferença importante. Você tem duas microrregiões. Pegando o caso de Poá, que está com uma nota de 60 no IVM, é muito alavancada pela estrutura do sistema de saúde, que é precária na região, e também pela organização do sistema de saúde”.

“Chama a atenção, em alguns municípios, a cobertura da atenção básica muito baixa. Em Itaquaquecetuba, por exemplo, só 32%, 33% da população tem cobertura da atenção básica. 70% do município não tem cobertura da atenção básica. Isso é muito ruim. Em Suzano, 45% tem cobertura de atenção básica. 55% não tem. Isso vai alavancando a vulnerabilidade do município. O que pesa na região, basicamente, são dois fatores. A estrutura do sistema de saúde, então quem está na microrregião de Guarulhos fica um pouco mais bem posicionado. E o segundo ponto é a organização do sistema de saúde, sobretudo a cobertura da atenção básica, que varia muito entre os municípios, e a questão da necessidade de referenciar internações e exames”.

Nas ruas centrais de Biritiba Mirim, não é difícil encontrar pessoas sem máscara ou cobrindo apenas o queixo, desobedecendo a uma recomendação básica de saúde em tempos de pandemia. Gioielli explicou quais fatores elevam o índice de vulnerabilidade do município.

“O indicador da estrutura do sistema de saúde, que é a questão de disponibilidade de leitos. A questão da economia local, então você tem só 10% da população ocupada, enquanto em Guararema, por exemplo, você tem quase 30%. Isso torna a cidade mais suscetível à crise, principalmente na parte econômica. Tem a média de salários também”.

“E na organização do sistema de saúde, aí sim Biritiba fica bem prejudicada, porque ela só tem 43% da população atendida pela atenção básica. Mais da metade da população não é atendida pela atenção básica. E eles precisam referenciar internações e exames a outros municípios. Guararema, por exemplo, não precisa referenciar suas internações e seus exames em outros municípios. Ela faz tudo lá, na rede que atende o SUS. E Guararema já atende 58% com a atenção básica. Então isso acaba interferindo muito na vulnerabilidade de Biritiba Mirim”.

CORONAVÍRUS

By Tribuna ABC

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