
Câmara deve votar nesta quarta (22) projeto que define regras para volta às aulas
O Projeto de lei da Prefeitura de São Paulo que quer mudar as regras da volta às aulas presenciais na rede municipal de ensino pode ser votado em primeira votação nesta quarta-feira (22), na Câmara dos Municipal, após passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para saber se o projeto é constitucional.
Depois disso, o PL vai para o plenário e passa por outras comissões ao mesmo tempo. Se tudo der certo, o projeto vai ao topo da lista de votações. A expectativa é que seja uma votação longa.
O projeto precisa de 28 votos favoráveis, mas a oposição diz que vai tentar obstruir a votação porque o projeto tem pontos polêmicos, como a contratação de professores que não são concursados e de disponibilizar vagas da rede particular para alunos, o que seria um indício de privatização do serviço.
Se passar em primeira votação, na semana que vem deve passar por audiência pública e segunda votação na quarta-feira (29).
As principais propostas são:
- Distribuição de R$ 200 milhões para as famílias comprarem o material escolar e os uniformes das famílias;
- Aprovação automática de todos os alunos de todas as séries, com 25% deles estudando em horário integral para reforço escolar;
- Aulas extras de recuperação para todas as séries, fora do turno em que o estudante está matriculado;
- Ampliação da permanência do aluno na escola por opção ou indicação da Secretaria Municipal de Educação;
- Pagamento de vagas na rede privada, para conseguir absorver a demanda de alunos que tenham deixado a rede particular;
- Autorização para a Prefeitura contratar emergencialmente professores e auxiliares técnicos temporários para substituir servidores afastados por causa da pandemia.

Prefeitura de SP sugere protocolo para a volta das aulas presenciais
Segundo o presidente da Câmara Municipal, Eduardo Tuma (PSDB), o projeto do executivo deve entrar em primeira votação ainda esta semana e a aprovação final pode sair em até 15 dias.
“Na semana que vem ele, essa é a intenção, deve ser votado a segunda e última vez para ser encaminhado para o prefeito Bruno Covas para sanção. Nesse meio tempo ele será debatido, eventualmente terá o texto alterado e será votado. Não é um projeto simples, mas ele é um projeto de fácil entendimento e de urgência em relação às escolas”, afirma.
Um dos pontos mais polêmicos da proposta é a aprovação automática dos alunos. De acordo com o secretário municipal um grande ciclo de recuperação que vai durar 2 anos está sendo programado para este ano, quando voltarem as aulas presenciais, e no ano que vem.
“Não vale fazer a retenção, a reprovação dos alunos nesse não uma vez que o programa de recuperação deve se estender durante todo o ano que vem. Queremos dar oportunidade de todo mundo aprender sem que com isso tenha de repetir de ano em 2020. Não seria justo com as famílias e os estudantes, a Prefeitura em de dar a oportunidade para todos aprenderem antes de reprovar”, afirmou.
De acordo com o secretário, há uma capacidade ociosa da estrutura em 25% para ampliar o contraturno. Os CTAs e os CEUs receberão programas de recuperação e reforço e serão usados para atender 100% dos alunos que tiverem déficit de aprendizagem. Uma prova será aplicada na terceira semana para aferir o que cada aluno precisa recuperar.
Alunos do terceiro, sexto e nono anos terão prioridade no ciclo de recuperação.
Serão compradas vagas nas rede privada e filantrópica na pré-escola. Esse sistema de compra de vagas particulares já acontece em creches.
“Vamos ter autorização para adquirir vagas. A família procura a rede municipal e nós na Prefeitura vamos ver se a escola atende os padrões e vai fazer a matrícula, mas só na ausência de vaga”, afirmou Caetano.
Assim como no uniforme, as famílias receberão crédito para comprar material didático diretamente nas papelarias. De acordo com Caetano, serão distribuídos R$ 200 milhões para as famílias comprarem uniforme e material didático.
“Isso é para garantir a qualidade porque não tem ninguém melhor do que a mãe para saber se a canetinha escreve, se borracha apaga, se o apontador aponta e para aferir a qualidade das roupas”, afirma.
Caetano diz que os uniformes desse ano não terão mais o brasão da Prefeitura porque muitas famílias podem ter empobrecido com a pandemia e terão a roupa também para suas atividades sociais.
“E mais do que isso, quando a gente entrega o crédito para s famílias a gente ajuda a manter o emprego e a renda porque as famílias vão comprar nas papelarias do bairro, nas lojas de roupa dos bairros, conseguimos aquecer a economia.”
Os servidores concursados que faleceram e se aposentaram estão sendo repostos. Quem está de licença médica por ter mais de 60 anos ou tem outar doença, pedimos autorização para a Câmara de contratar professores temporários.
A volta às aulas presenciais pode acontecer junto com a rede estadual no dia 8 de setembro.
“Essa data não está marcada. Assim como na rede estadual, aqui na rede municipal o prefeito Bruno Covas condiciona a retomada das aulas aos indicadores de saúde. As escolas foram fechadas por orientação da saúde e só vão reabrir quando a saúde entender ser seguro”, disse Caetano.

Prefeitura da capital define novas regras para retorno às aulas presenciais
