1 de 1Instabilidade em sistema da Fuvest causou danos a candidatos — Foto: Shutterstock
Instabilidade em sistema da Fuvest causou danos a candidatos — Foto: Shutterstock
Parte dos candidatos do curso de pós-graduação da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) tiveram problemas para acessar a plataforma da prova on-line, que ocorreu neste domingo (12). A Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest), responsável pela aplicação da prova, informou que a avaliação será remarcada.
De acordo com a Fuvest, um grupo “considerável” de candidatos realizou a prova sem qualquer instabilidade. A Fuvest não informou o número de candidatos que não teve problemas durante a avaliação.
Um segundo grupo, apesar da instabilidade, conseguiu acessar posteriormente o sistema e realizar a prova. Já um terceiro grupo não conseguiu acesso ao sistema e, portanto, nem sequer realizou a prova.
Em nota, a Fuvest disse que os candidatos que não foram aprovados nesta fase e que não conseguiram fazer a prova terão a oportunidade de realizá-la após a segunda fase, em data a ser remarcada.
De acordo com uma candidata que prefere não se identificar, os erros no processo começaram antes do início da prova e tornaram o processo injusto para os candidatos.
“Fomos informados que 30 minutos antes do horário da prova o sistema seria aberto para que a gente pudesse conhecer o ambiente de prova. Sabíamos que tinha de ficar com câmera e microfone ligado. Várias disposições informavam que não seria permitido acessar o sistema depois do horário da prova, então, todo mundo entendeu que a gente só conseguiria acessar entre 10h30 e 11h. Eu entrei às 10h30 e não tinha o link disponível. Às 10h59 ele foi disponibilizado, mas quando entrei, recebi a mensagem de que a prova tinha sido encerrada. Ou seja, eu sequer consegui acessar o ambiente de prova”, relatou a candidata.
“Depois de várias tentativas de acessar pelo painel do aluno, ele acabou me deslogando, saí fora do sistema da Fuvest. Tentei voltar, mas não deu certo. Fiquei duas horas tentando acessar. Durante esse tempo, recebi mensagens de candidatos que tinham conseguido acessar e de outros que tinham sido ‘expulsos’ do sistema depois de entrar, ou seja, esse grupo viu as questões, mas não conseguiu respondê-las”, afirma ela.
A prova deste domingo (12) foi uma avaliação de língua estrangeira e é a primeira fase do processo seletivo. A inscrição para esta fase custou R$ 200 a cada candidato.
Em nota, a Fuvest disse que todos os inscritos na prova de inglês poderão continuar no processo seletivo e serão convocados para a segunda fase, que é uma prova de conhecimentos jurídicos. Para esta segunda fase, no entanto, é necessário o pagamento da taxa de inscrição de mais R$ 200.
“A partir do momento que passa todo mundo, vai todo mundo pagar essa nova taxa de mais R$ 200 sendo que pode ser que eu não passe na prova de línguas e já vou pagar a próxima fase, ou seja, me parece bem conveniente. A solução correta seria anular essa prova e fazer outra. Só de terem nos dividido em três grupos já prova que não houve nenhum isonomia, o tratamento não é igual. Inclusive porque os alunos que conseguiram entrar e fazer a prova divulgaram a prova na internet e os alunos que começaram às 11h40 já conheciam as questões. Ou seja, vai ter gente que vai passar na prova que colou”, pondera a candidata.
Um grupo de alunos já pensa em entrar na Justiça após a falha no sistema. “Não é uma questão de refazer a prova. Eles querem aproveitar o que aconteceu ontem e deixam de reconhecer que tiveram problemas que prejudicaram alunos e geraram vantagem indevida para alguns candidatos. Achei muita bagunça e tem alunos falando de judicializar a questão”, contou a aluno.
Nota Fuvest
“A FUVEST e a Comissão de Pós-Graduação da Faculdade de Direito da USP, cientes dos problemas técnicos enfrentados durante a realização da prova de proficiência em inglês, vêm a público esclarecer e comunicar o seguinte:
a) Um grupo considerável de candidatos realizou a prova sem qualquer instabilidade;
b) Um segundo grupo, apesar da instabilidade, conseguiu acessar posteriormente o sistema e realizar a prova;
c) Um terceiro grupo não conseguiu acesso ao sistema e, portanto, nem sequer realizou a prova.
Diante desse cenário, e considerando o permissivo do art. 61, § 2º, do Regimento de Pós-Graduação da USP (Resolução nº 7493, de 27 de marco de 2018), decidiu-se:
1. Todos os inscritos na prova de inglês serão convocados para a prova de conhecimentos jurídicos e poderão prosseguir no processo seletivo;
2. Os candidatos que não lograram aprovação, bem como aqueles que não conseguiram fazer a prova terão a oportunidade de realizá-la (após a segunda fase), em data a ser oportunamente comunicada.
REAFIRMA-SE que a realização das provas nesse modelo se fez necessária em razão da pandemia e das medidas de isolamento social e que a única alternativa possível era a não realização do processo seletivo, o que, certamente, prejudicaria à totalidade dos interessados.”
