Cidades do Alto Tietê registraram 12 mortes de profissionais da saúde por Covid-19; relembre histórias

G1 contou histórias de profissionais da saúde que faleceram com Covid-19 — Foto: Arquivo Pessoal G1 contou histórias de profissionais da saúde que faleceram com Covid-19 — Foto: Arquivo Pessoal

G1 contou histórias de profissionais da saúde que faleceram com Covid-19 — Foto: Arquivo Pessoal

Empenhados no combate ao novo coronavírus, muitos profissionais da área da saúde também estão entre as vítimas fatais da doença.

Destaques do G1: Alto Tietê ultrapassa mil mortes pela Covid-19

Destaques do G1: Alto Tietê ultrapassa mil mortes pela Covid-19

O levantamento apontou que a cidade da região com o maior número de óbitos de pessoas que trabalhavam na área da saúde é Santa Isabel. Segundo a Prefeitura, das 53 mortes registradas por Covid-19 até então, quatro delas eram desses profissionais: um médico, duas auxiliares de enfermagem e uma auxiliar de limpeza. O número correspondia a 7,5% dos óbitos no município.

Em Mogi das Cruzes, os registros da Secretaria de Saúde são das mortes de um médico e de um socorrista do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu).

Suzano registrou a morte de um médico e de um auxiliar de enfermagem que, de acordo com a Prefeitura, atuavam em outras cidades, além de uma técnica de enfermagem que trabalhava no Hospital de Campanha do município. Em Ferraz de Vasconcelos, os profissionais da saúde que faleceram eram duas mulheres, de 60 e 76 anos, embora o município não tenha especificado quais funções elas exerciam e onde atuavam.

Outra cidade do Alto Tietê que registrou óbito de profissional da saúde por Covid-19 foi Arujá. De acordo com o município, trata-se do enfermeiro Hueber Pereira Santiago, de 41 anos, que atuava em Santa Isabel, mas era morador de Arujá.

Biritiba Mirim, Guararema e Poá informaram que não registraram mortes de profissionais da saúde por Covid-19. Itaquaquecetuba e Salesópolis foram as duas cidades que não responderam ao questionamento até a publicação desta matéria.

Abaixo, relembre as histórias contadas pelo G1 de profissionais da saúde do Alto Tietê que faleceram vítimas do novo coronavírus.

Cícero Romão de Souza, enfermeiro, 51 anos

O enfermeiro Cícero Romão de Souza tinha 51 anos e morreu no dia 22 de abril, após complicações provocadas pela Covid-19. Ele atuava no Samu e, há mais de 20 anos, na Santa Casa de Mogi das Cruzes. De acordo com o amigo Everton Oliveira Pinheiro de Godói, tenente do Corpo de Bombeiros, Cícero havia resolvido adiar o plano de se aposentar para não abandonar os colegas durante o combate ao coronavírus.

Cícero era enfermeiro e tinha duas filhas, de 26 e 21 anos — Foto: Reprodução/Redes sociais. Cícero era enfermeiro e tinha duas filhas, de 26 e 21 anos — Foto: Reprodução/Redes sociais.

Cícero era enfermeiro e tinha duas filhas, de 26 e 21 anos — Foto: Reprodução/Redes sociais.

Edson Yukinari Takeda, médico, 55 anos

O ortopedista Edson Yukinari Takeda, de 55 anos, foi uma das vítimas fatais da Covid-19 que Mogi das Cruzes registrou. Ele atendia duas vezes por semana na ortopedia da Santa Casa de Suzano e, desde 2017, atuava como cirurgião. Asmático, Takeda estava internado no Hospital Santa Marcelina, de Itaquaquecetuba, e teve a causa da morte confirmada pela Secretaria de Saúde de Mogi no dia 25 de abril.

Médico foi homenageado pelo prefeito de Suzano, cidade onde trabalhava — Foto: Reprodução/Facebook Médico foi homenageado pelo prefeito de Suzano, cidade onde trabalhava — Foto: Reprodução/Facebook

Médico foi homenageado pelo prefeito de Suzano, cidade onde trabalhava — Foto: Reprodução/Facebook

Hueber Pereira Santiago, chefe de enfermagem, 41 anos

Hueber Pereira Santiago tinha o sonho de ser enfermeiro e lutou muito para realizá-lo. Natural da Bahia, ele vendeu coxinha e cachorro quente para conseguir dinheiro antes de se mudar para Arujá. Hueber foi auxiliar, técnico, fez a graduação e duas pós-graduações na área. O profissional trabalhou em um hospital particular de Arujá, mas foi na Santa Casa de Santa Isabel que ele chegou à direção do setor. Ele faleceu no dia 15 de maio, aos 41 anos.

Enfermeiro de Arujá morreu vítima de Covid-19 em Arujá. — Foto: Nelciana Santiago/Arquivo Pessoal Enfermeiro de Arujá morreu vítima de Covid-19 em Arujá. — Foto: Nelciana Santiago/Arquivo Pessoal

Enfermeiro de Arujá morreu vítima de Covid-19 em Arujá. — Foto: Nelciana Santiago/Arquivo Pessoal

Juliana Norberto da Silva, auxiliar de enfermagem, 40 anos

Juliana tinha o sonho de trabalhar na área da saúde e o realizou na Santa Casa de Santa Isabel, de onde era funcionária. A auxiliar de enfermagem tinha duas filhas, e uma delas contou ao G1 que chegou a pedir para a mãe sair do emprego quando a pandemia começou, mas Juliana não queria deixar de cuidar da vida das pessoas. Ela faleceu no dia 28 de maio.

Juliana ao lado das duas filhas, por quem nutria grande amor — Foto: Arquivo Pessoal/Marcela Alessandra Juliana ao lado das duas filhas, por quem nutria grande amor — Foto: Arquivo Pessoal/Marcela Alessandra

Juliana ao lado das duas filhas, por quem nutria grande amor — Foto: Arquivo Pessoal/Marcela Alessandra

Miriam Bertolino de Oliveira, auxiliar de enfermagem, 53 anos

Miriam estava no auge da felicidade quando foi infectada pelo novo coronavírus. De acordo com a sobrinha Amanda, a tia, que havia dedicado quase 30 anos à profissão, finalmente curtia a vida e pretendia se casar neste ano. Ela morava em Ferraz de Vasconcelos e atendia no Hospital Regional do município. Miriam ficou internada por 31 dias, no próprio Hospital Regional e, em seguida no Hospital do Servidor, em São Paulo. Ela faleceu no dia 31 de maio.

Auxiliar de enfermagem morta por coronavírus dedicou a vida ao trabalho e queria se casar neste ano: 'Estava no auge da felicidade' — Foto: Amanda Oliveira/Arquivo Pessoal Auxiliar de enfermagem morta por coronavírus dedicou a vida ao trabalho e queria se casar neste ano: ‘Estava no auge da felicidade’ — Foto: Amanda Oliveira/Arquivo Pessoal

Auxiliar de enfermagem morta por coronavírus dedicou a vida ao trabalho e queria se casar neste ano: ‘Estava no auge da felicidade’ — Foto: Amanda Oliveira/Arquivo Pessoal

Suely dos Santos, técnica de enfermagem, 45 anos

É como uma heroína que a filha de Suely dos Santos, de 45 anos, vê a mãe, que faleceu em decorrência da Covid-19 no dia 21 de junho. Suely era técnica de enfermagem e trabalhava no Hospital de Campanha de Suzano. De acordo com a filha, Sandryne, de 26 anos, a mãe ficou muito feliz quando conseguiu a vaga pra trabalhar no hospital, uma vez que queria ajudar as pessoas: “Minha mãe morreu fazendo o que realmente queria, que era lutar pelo próximo. Ela era uma pessoa de luz”. Além de Sandryne, Suely deixou um filho de 16 anos e uma filha de apenas três.

Sandryne lembra da mãe como heroína e profissional que amava o que fazia — Foto: Raíssa Oliveira Sandryne lembra da mãe como heroína e profissional que amava o que fazia — Foto: Raíssa Oliveira

Sandryne lembra da mãe como heroína e profissional que amava o que fazia — Foto: Raíssa Oliveira

Orlando Tavares Pinheiro, médico, 47 anos

“Meu lugar é aqui, na frente de batalha. É o que eu sei fazer”. Essa era a forma como o médico Orlando Tavares Pinheiro enxergava sua profissão e foi o que ele disse à esposa, a enfermeira Arlete Alves da Silva, quando ela pediu para que o marido deixasse o plantão onde trabalhava com pacientes infectados pelo coronavírus. Ele era cirurgião e atuava na UTI da Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) de Santa Isabel, que concentra os casos de Covid-19 no município. O médico faleceu no dia 21 de julho e deixou duas filhas, de 13 e 10 anos.

Médico trabalhava na linha de frente de combate à Covid-19 — Foto: Marcelo Arena/Arquivo Pessoal Médico trabalhava na linha de frente de combate à Covid-19 — Foto: Marcelo Arena/Arquivo Pessoal

Médico trabalhava na linha de frente de combate à Covid-19 — Foto: Marcelo Arena/Arquivo Pessoal

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By Tribuna ABC

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