Coruja é flagrada devorando sabiá-laranjeira


Registro foi feito por fotógrafo de Petrópolis (RJ); caburé é capaz de predar espécies até quatro vezes maiores do que ela. Coruja caburé predando sabiá-laranjeira e outros registros de natureza de Petrópolis (RJ)
O nome científico da coruja caburé é Glaucidium brasilianum. Derivados do latim, os termos significam: “pequena coruja do Brasil” e, sem dúvida, seus 16 centímetros a fazem ser considerada uma das menores do mundo todo. Mas, em determinado momento, essa espécie pode se tornar uma gigante. Situações essas como a flagrada pelo caseiro observador de natureza Ronaldo de Carvalho.
Ele admira o meio ambiente desde criança e, com as câmeras em punho, é capaz de contagiar outras pessoas para a prática também. A casa, entre a Reserva Biológica de Araras e a do Tinguá, localizada em Petrópolis (RJ), é um convite à contemplação constante e um incentivo a fazer de sua moradia refúgio para os animais.
Caburé ou cabuzerinho é uma coruja que apresenta tamanho semelhante com certos indivíduos de pardal
Ronaldo de Carvalho/VCnoTG
“Devido à minha atração pelas aves, coloquei alguns ninhos artificiais próximos à minha casa. Eles acabaram sendo ocupados pelo tucano-de-bico-verde, maitaca-verde, tiriba-de-testa-vermelha e, em seguida, o maracanã-verdadeiro. Por último, o caburé ocupou um dos ninhos”, conta.
Com a visita frequente da ave, o observador pôde compreender hábitos da espécie e uma das observações frequentes gerou descobertas. “Um dia, enquanto trabalhava, encontrei um sabiá-laranjeira morto e notei o movimento dos pássaros ao redor do caburé. Peguei a minha câmera e fiquei posicionado aguardando o momento em que o caburé reiniciasse a sua refeição”, relembra. A euforia das outras espécies têm explicação: a fama de predadora da coruja faz com que ela seja “denunciada” por aqueles que se sentem ameaçados com gritos de advertência e até voos especiais.
Corujinha caburé se diferencia de outras da família por estrias na testa e pelo tamanho
Ronaldo de Carvalho/VCnoTG
Mas a união não adiantou e Ronaldo permaneceu por duas horas entre “cliques”, “plays” e “pauses” da cena. As imagens mostram a ação de uma espécie que, além de devorar outras aves, é predadora de insetos, rãs, lagartixas e pequenas cobras. Se o tamanho do sabiá-laranjeira em comparação ao da caburé poderia espantar, a destreza dessa coruja supera limitações: agressiva, lança-se em um voo alto para capturar as presas que podem ser até quatro vezes maiores do que seu próprio tamanho.
Para o observador, as fotografias de natureza “recarregam suas baterias” e cumprem com um propósito maior. “Me sinto muito agradecido também por estar acrescentando na cultura de muitas pessoas, pois compartilhando esses registros muitos têm a oportunidade de conhecer um pouco mais da fauna brasileira”, finaliza.
As corujas caçam a partir do início da noite e crânios, bicos, pés e unhas de aves que servem de alimentos são regurgitados por elas posteriormente
Ronaldo de Carvalho/VCnoTG

By Tribuna ABC

Veja Também!