Covid-19: HC da Unicamp terá 500 voluntários para testes de vacina chinesa contra coronavírus

Infectologista da Unicamp, Francisco Aoki será responsável pela testagem da vacina chinesa no Hospital de Clínicas — Foto: Márcio Silveira/EPTV 1 de 1
Infectologista da Unicamp, Francisco Aoki será responsável pela testagem da vacina chinesa no Hospital de Clínicas — Foto: Márcio Silveira/EPTV

Infectologista da Unicamp, Francisco Aoki será responsável pela testagem da vacina chinesa no Hospital de Clínicas — Foto: Márcio Silveira/EPTV

O Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp, de Campinas (SP), acompanhará 500 profissionais de saúde voluntários nos testes da vacina chinesa contra o novo coronavírus (Sars-CoV-2). A universidade é um dos 12 centros de testagens selecionados pelo Instituto Butantan, que conduz a pesquisa em parceria com uma farmacêutica chinesa.

Não há previsão para o início da testagem na Unicamp, segundo o infectologista responsável pela condução dos testes na Unicamp, Francisco Aoki. O termo de cooperação técnica entre o Butantan e a Unicamp ainda não foi assinado e a universidade de Campinas também aguarda a chegada de uma nova geladeira para armazenamento dos insumos.

Segundo Aoki, os voluntários serão acompanhados por 12 meses. Depois, os pesquisadores terão mais dois meses de ajuste dos dados para fazer uma publicação sobre os resultados.

“O indivíduo terá oito visitas durante esse desenrolar de 12 meses. Os últimos dois meses, 13º e 14º, serão dedicados a colocações finais de todos os dados coletados da pesquisa, dados de ordem laboratorial, resultados de exames, dados clínicos e que para finalidade lá na frente já produzir uma publicação que dê respaldo a esse tipo de estudo”, explicou.

Disponibilização para população

Aoki afirmou que, se os testes derem resultados positivos em seis meses, esses voluntários receberão nova dose da vacina para imunização e continuação da pesquisa. Questionado sobre a previsão para que a vacina seja disponibilizada à população, ele afirmou que essa resposta cabe ao Instituto Butantan.

“Essa é uma pergunta que não quer calar, mas infelizmente eu não posso te dizer e a responsabilidade sobre esse assunto é do doutor Ricardo Palacios, que é o chefe, o diretor da área de Clinical Trails do Instituo Butantan”, disse o infectologista da Unicamp.

No sábado (11), o governador João Doria (PSDB) afirmou que, se bem sucedida nos testes, a vacina poderá ser produzida no país e disponibilizada no SUS a partir de junho de 2021.

Segundo o infectologista, os testes devem começar em datas diferentes nos diversos centros de testagem. Ao todo, serão 8870 voluntários selecionados em todo o país.

Aoki explicou, em entrevista coletiva nesta quarta-feira (15), que metade dos voluntários receberá duas doses da vacina, enquanto o restante será a cota de placebo. Os voluntários não saberão quem recebeu a vacina e quem entrou como placebo na pesquisa.

“O profissional de saúde que aceitar e que for eleito para realizar estudo ele terá que ter, entre aspas, obrigatoriedade de ir até o final do estudo. No entanto, a qualquer momento o indivíduo, sem pestanejar, ele pode desistir da participação sem nenhum problema e sem ônus para esse indivíduo”, explicou Aoki.

A vacina, que é desenvolvida pela farmacêutica chinesa de biotecnologia Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, entrou na terceira fase de testes. No dia 9 de julho, o governo estadual afirmou que a Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) aprovou a realização dos testes.

A Conep avalia as normas, tipo de estudo e biossegurança. A avaliação da Conep era o último requisito necessário para validar o estudo que irá comprovar a segurança e a eficácia da vacina. No dia 3, o Butantan já havia recebido a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O processo de inscrição dos voluntários, aberto nesta segunda-feira (13) ocorre pelo sistema divulgado Instituto Butantan.

Critérios para ser voluntário:

  • Precisa ser profissional de saúde atuando no combate à Covid-19
  • Não pode já estar participando de outros estudos clínicos
  • Não pode ter contraído a Covid-19
  • Mulheres não podem estar grávidas ou terem intenção de engravidar nos próximos três meses
  • Não pode ter doenças instáveis ou precisar de medicações que alterem a resposta imune
  • Morar perto do centro de testagem

CORONAVÍRUS

By Tribuna ABC

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