1 de 3Brenda Lima de Oliveira, de 20 anos, foi morta por policial que atirou da sacada de casa em Poá — Foto: Reprodução
Brenda Lima de Oliveira, de 20 anos, foi morta por policial que atirou da sacada de casa em Poá — Foto: Reprodução
Dois anos após um policial militar de 21 anos atirar da sacada de casa, em Poá, e matar a jovem Brenda Lima de Oliveira, com 20 anos, e ferir o namorado dela, a investigação do caso ainda segue em aberto.
Quando o crime completou um ano, a Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP) informou que havia finalizado a investigação. Agora, segundo a SSP, “o inquérito policial retornou à Delegacia de Poá para novas investigações. O autor do caso foi indiciado indiretamente”, sem detalhar quais crimes.
Na noite do crime, Brenda e o namorado haviam ido visitar uma casa. O imóvel fica na rua em que o policial morava, no Jardim Madre Ângela. Eles pretendiam alugar o imóvel para morar juntos. Quando estavam deixando a rua, de moto, foram atingidos por um disparo de arma de fogo, segundo a polícia, efetuado pelo policial militar Johnatas Almeida Lima e Lima, da sacada casa dele.
2 de 3Brenda Lima tinha 20 anos quando foi assassinada em Poá. — Foto: Sueli Lima/Arquivo Pessoal
Brenda Lima tinha 20 anos quando foi assassinada em Poá. — Foto: Sueli Lima/Arquivo Pessoal
A jovem morreu ainda no local do crime. O namorado, ferido pelo mesmo disparo, foi socorrido e recebeu alta. O caso gerou revolta entre os moradores de Poá, que protestaram e queimaram ônibus na cidade.
A defesa do PM diz que não há recusa da parte dele de comparecer à delegacia para prestar depoimento e que, inclusive, eles foram duas vezes para dar a versão de Johnatas sobre o caso, mas não foram ouvidos. “Contudo até o presente momento, não foi requisitado seu comparecimento, seja na delegacia, seja na justiça”, destaca a nota enviada pelo advogado de defesa, Ronaldo Dias. (veja nota completa abaixo)
O Ministério Público, para onde o indiciamento é encaminhado pela Delegacia, informou apenas que as investigações sobre esse caso estão em andamento. O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo não encontrou denúncia com o nome do policial.
Esquecimento
A mãe de Brenda, Sueli Maria de Lima, teme que a morte da filha caia no esquecimento. Desde abril, o advogado que cuidava do caso entregou uma carta dizendo que não daria continuidade como representante da família de Brenda. Sem emprego, Sueli diz que não consegue arcar com a contratação de outro advogado e que vai recorrer ao Estado.
“Eu perdi o emprego por causa da morte da minha filha. Eu comecei a apresentar atestados no trabalho, mas não consegui o afastamento. Mesmo com laudos de psicólogos e psiquiatras, mostrando que eu estou em depressão profunda. Mas vou lutar. Eu só sossego quando ver esse policial preso”, ressalta.
3 de 3Sueli luta por justiça pela morte da filha Brenda, por um policial militar, em Poá. — Foto: Sueli Lima/Arquivo Pessoal
Sueli luta por justiça pela morte da filha Brenda, por um policial militar, em Poá. — Foto: Sueli Lima/Arquivo Pessoal
Segundo Sueli, até mesmo na delegacia ela não consegue mais informações sobre o andamento das investigações. O que dizem é que a Polícia Civil não consegue ouvir o suspeito do crime. “Eles diziam que mandaram intimação para os advogados, mas ninguém vem”, conta a mãe.
“Eu sei que ele tem tio policial e um monte de gente que corre por ele. O que eu mais quero é ver ele preso. Nada vai trazer a minha filha de volta, mas ele matou a minha filha covardemente. Isso não se faz com ninguém, ainda mais com um inocente. Eu quero que ele pague pelo o que ele fez”
O caso também segue em investigação pela Corregedoria das Polícias do Estado de São Paulo. Logo após o crime, as famílias de Brenda e do namorado, na companhia de um representante do Conselho Estadual do Direito da Pessoa Humana (Condepe), foram ao órgão denunciar que sofriam intimidação dos policiais amigos do suspeito do crime.
O outro lado
As imagens de uma câmera de monitoramento mostraram uma movimentação em torno da casa do policial. No registro, por volta das 22h, é possível ver uma pessoa jogando uma bomba na casa do policial militar. O criminoso usava capuz. (assista abaixo)

Vídeo mostra bomba sendo jogada na casa de policial em Poá
Horas depois, da sacada do imóvel, o policial de 21 anos atirou contra um casal que passava pela rua em uma moto. Em seguida, o policial militar pediu que populares chamassem socorro e a polícia.
Na delegacia, ele disse que estava sendo ameaçado desde que uma operação prendeu suspeitos em um condomínio perto de sua casa. O PM disse que um casal estava rodeando a casa e chegou a ficar sentado num banco, em frente ao imóvel. O policial ainda relatou ter ouvido no mesmo dia gritos de “vai morrer policial cagueta”.
A defesa de Johnatas informou que esteve com ele por duas oportunidades na delegacia de Poá, quando requisitado sua presença. Em uma na data determinada, segundo o advogado, a escrivã que cuidava do caso havia sido transferida, não se sabendo quem seria o responsável pelo inquérito a partir de então, sendo agendado uma nova data.
“Na segunda oportunidade, o escrivão teve um assunto de saúde, segundo nos foi informado, e que não poderia nos atender, e que seria requisitado seu depoimento em data oportunamente agendada. Certo é, que o ora acusado é policial militar, não havendo que se falar em recusa por parte deste em comparecer à delegacia ou a qualquer outro ato judicial, já que sua apresentação é obrigatória, em virtude da sua condição de militar”, destacou a nota enviada por Ronaldo Dias.
A reportagem do G1 questionou a SSP sobre a denúncia da família de que o inquérito policial está parado, por que o policial militar não teria prestado depoimento, e se a Polícia Militar informou ao delegado do caso o endereço do policial, para que ele fosse intimado, bem como se há prazo para a finalização do inquérito, mas não recebeu retorno até o fechamento desta matéria.
