'Era o meu herói', diz mulher que perdeu pai para a Covid-19 e teve outros sete familiares infectados

Cíntia perdeu o pai Sebastião para a Covid-19 em Sorocaba (SP) — Foto: Cíntia Leite Gonçalves de Oliveira/Arquivo pessoal 1 de 1
Cíntia perdeu o pai Sebastião para a Covid-19 em Sorocaba (SP) — Foto: Cíntia Leite Gonçalves de Oliveira/Arquivo pessoal

Cíntia perdeu o pai Sebastião para a Covid-19 em Sorocaba (SP) — Foto: Cíntia Leite Gonçalves de Oliveira/Arquivo pessoal

Ainda há quem duvide, mas os números provam que a transmissão da Covid-19 é rápida e fácil: em cinco meses, quase dois milhões de brasileiros se infectaram e mais de 75,5 mil deles morreram. Só na família da dona de casa Cíntia Leite Gonçalves de Oliveira, de 34 anos, nove pessoas contraíram o coronavírus.

Deste total, sete apresentaram sintomas e dois ficaram assintomáticos, apesar do diagnóstico positivo. Enquanto a maioria já se recuperou, o pai de Cíntia, Sebastião Miranda de Oliveira, não resistiu à doença.

Ao G1, a dona de casa, que mora no bairro Mineirão, em Sorocaba (SP), conta que os contaminados começaram a apresentar os sintomas da Covid-19 ao mesmo tempo, no dia 10 de maio, mas nenhum deles precisou de internação.

Cíntia ressalta que ela e os familiares sempre cumpriram as medidas de isolamento social, saindo de casa apenas quando necessário. “Nós achamos que fui eu ou o meu marido quem pegou primeiro por descuido de não lavar os alimentos depois de chegar do mercado e já ir colocando na boca”, explica.

Ao contrário do restante da família, a Covid-19 demorou um pouco mais para se manifestar em Sebastião. A dona de casa explica que o pai tinha 83 anos e não sofria de nenhum problema de saúde quando foi infectado pelo vírus.

“Meu pai começou a ter muita dor no corpo, como se fosse ter uma gripe muito forte, e muita dor de cabeça. Foram os mesmos sintomas que eu. Ele foi para o hospital no dia 23, às 23h30, e no dia 24, às 5h, ligaram dizendo que ele tinha falecido”, relata.

Além de ter que lidar com a perda do pai, Cíntia continua fazendo tratamento em casa, mesmo dois meses depois dos primeiros sinais da doença. “Fiquei com sequelas. É uma falta de ar, como se fosse asma.”

“Não é uma gripezinha, é uma doença muito séria e, se não nos cuidarmos, podemos perder pessoas que amamos muito. Graças a Deus estamos bem, mas a dor da saudade e a falta do meu pai não vai passar. Ele era o meu herói e vai ser sempre”, completa.

CORONAVÍRUS

By Tribuna ABC

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