Estado de SP chega a 26,6 mil mortes por coronavírus; governo diz que taxa de UTI é a menor desde início da pandemia

Médicos trabalham na recuperação de pacientes internados com coronavírus na UTI do hospital Emílio Ribas, região central de São Paulo, na manhã desta sexta-feira (14). — Foto: Bruno Rocha/Estadão Conteúdo Médicos trabalham na recuperação de pacientes internados com coronavírus na UTI do hospital Emílio Ribas, região central de São Paulo, na manhã desta sexta-feira (14). — Foto: Bruno Rocha/Estadão Conteúdo

Médicos trabalham na recuperação de pacientes internados com coronavírus na UTI do hospital Emílio Ribas, região central de São Paulo, na manhã desta sexta-feira (14). — Foto: Bruno Rocha/Estadão Conteúdo

O estado de São Paulo registrou 289 novas mortes por coronavírus em 24 horas nesta sexta-feira (14), chegando ao total de 26.613 desde o início da pandemia. Nesta quinta-feira (13), o governo de São Paulo mudou o critério para a contagem de mortos. Foram acrescentados aos valores do dia 221 óbitos que ocorreram no decorrer da pandemia e que, por conta de novas diretrizes do Ministério da Saúde, foram incluídos no balanço do estado apenas nesta quinta (leia mais abaixo).

O vice governador Rodrigo Garcia afirmou em coletiva de imprensa nesta sexta que o estado alcançou a menor taxa de ocupação de leitos de UTI desde o início da pandemia, com 57,8%. Ele disse também que todas as regiões do estado estão com índices abaixo de 80%.

O governador João Doria (PSDB) está em isolamento em casa, devido ao diagnóstico positivo da Covid-19, e participou por videoconferência da coletiva.

Nenhuma região do estado foi rebaixada na classificação do Plano São Paulo de reabertura da economia nesta sexta-feira devido a piora nos indicadores de saúde. Uma mudança recente nos critérios de taxa de ocupação de UTI e margem de erro nos indicadores da pandemia facilitou o avanço de nove regiões para a fase amarela na última reclassificação.

Mudanças na confirmação do diagnóstico da Covid-19

Mudanças na confirmação do diagnóstico da Covid-19

Mudanças na contagem de mortes

Segundo informou a Secretaria Estadual da Saúde na quinta-feira, ocorreram mudanças no Guia de Vigilância do Ministério da Saúde e, agora, os casos e mortes por coronavírus poderão ser também confirmados por critério clínico-imagem, ou seja, por meio de exames de imagem que apontam alterações típicas da Covid-19 no organismo. Até então, os dados do estado contabilizavam apenas diagnósticos laboratoriais, segundo a secretaria.

Nesta sexta-feira, o secretário executivo do Comitê de Contingência do estado, João Gabbardo, afirmou que a mudança de critério pode refletir em aumento nas notificações futuras.

“Esses casos [incluídos na quinta] são do já passado, mas isso vai refletir no futuro, porque futuramente os pacientes que não vinham tendo casos confirmados por falta do exame laboratorial a partir de agora eles poderão ser confirmados. Então nós temos uma expectativa que haja um acrescimento que não é tão significativo, nos próximos dias, no número de óbitos”, disse Gabbardo.

O secretário considera a orientação do Ministério da Saúde para diagnóstico clínico positiva. “A mudança que o Ministério da Saúde fez nós consideramos positiva. Porque muitas vezes o diagnóstico pode ser confirmado pela avaliação clínica, pelo contato que teve com o paciente confirmado, pela imagem radiológica. E pode muitas vezes o exame não ter dado positivo. É muito comum toda a situação clínica apontar para um caso de covid, faz a coleta e dá negativo. A coleta desse exame e a tecnologia desse exame é muito complexa”, afirmou.

Também foram registrados nesta sexta 11.667 novos casos em 24 horas, o que eleva o total de confirmações no estado para 686.122. O número inclui resultados positivos em exames laboratoriais para Covid-19, tanto do tipo rápido, que verifica apenas a presença de anticorpos, quanto do tipo que analisa a presença do vírus no organismo – o chamado exame RT-PCR.

As novas confirmações em 24 horas não significam, necessariamente, que as mortes e casos aconteceram de um dia para o outro, mas que foram contabilizadas no sistema neste período. Os valores costumam ser menores aos finais de semana e segundas-feiras.

Veja os novos registros no estado de SP nas últimas 24 horas:

  • 289 novas mortes
  • 11.667 novos casos

Veja o total no estado de SP desde o início da pandemia:

  • 26.613 mortes
  • 686.122 casos confirmados

A média móvel de mortes, que leva em consideração os registros dos últimos 7 dias e corrige as diferenças das notificações, é de 268 óbitos por dia nesta sexta. O índice voltou a ficar acima de 250 no final de semana, e já está acima de 200 mortes por dia há 79 dias consecutivos no estado.

A estabilidade de mortes em um valor tão alto é chamada de platô e preocupa especialistas. Cinco meses após o registro da primeira morte, o estado de São Paulo ultrapassou neste sábado a marca de 25 mil vítimas pela Covid-19, o que representa um quarto do total do país.

São Paulo bate recorde de mortes e casos de Covid-19 em 24h

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‘Pente-fino’ nas mortes suspeitas

No início de agosto, o Ministério da Saúde publicou uma atualização do guia da vigilância sanitária, permitindo que as mortes suspeitas de Covid-19 que não tinham diagnóstico laboratorial fossem confirmadas por meio de exames de imagem. Com a mudança, agora podem ser confirmadas mortes pelo critério “clínico de imagem”, o que inclui pacientes diagnosticados por exames de tomografia nos quais há indícios claros da doença.

“Hoje, o governo estadual fez um pente-fino na base do Sivep-Gripe, buscando os óbitos que ainda não tinham diagnóstico definitivo, mas que agora podem ser oficialmente confirmados pra Covid com base no critério clínico de imagem, e incluiu no balanço”, disse a secretaria na quinta-feira.

Segundo a pasta, foram encontradas 221 mortes confirmadas por critério de imagem durante essa reavaliação de óbitos sem diagnóstico definitivo.

No início de abril, quando a orientação do Ministério da Saúde era fazer exames laboratoriais para coronavírus apenas em pacientes graves, o ministério já aceitava notificações da doença com base em diagnósticos clínico-epidemiológicos, ou seja, sem a necessidade de teste, segundo descrito em seu próprio site. Apesar disso, funcionários de unidades de saúde de SP afirmaram à reportagem, na época, que eram orientados a não notificar em sistema os casos sem exame laboratorial.

No site do Ministério da Saúde há hoje três tipos de confirmação de Covid-19:

  • Por critério clínico: Caso com confirmação clínica, ou seja, com exame laboratorial, associado a disfunção olfativa ou gustatória aguda (perda de olfato ou paladar) sem outra causa.
  • Por critério clínico-epidemiológico: Caso com histórico de contato próximo ou domiciliar, nos 14 dias anteriores ao aparecimento dos sinais e sintomas, com caso confirmado para Covid-19.
  • Por critério clinico-imagem: Caso ou óbito em que não foi possível confirmar a Covid-19 por critério laboratorial e que tenha alterações no exame de tomografia.

Internações e ocupação de UTIs

Nesta sexta, a taxa de ocupação dos leitos das Unidades de Terapia Intensiva (UTI) caiu em relação a quinta, com índices de 57,8% no estado e 56,4% na Grande São Paulo. Na quinta, as taxas eram de 58% no estado e 56,8% na Grande São Paulo. De acordo com o governo, a taxa registrada nesta sexta no estado é a menor desde o início da pandemia.

O número de pacientes internados com suspeita ou confirmação de Covid-19 no estado caiu para 11.675, sendo 4.958 em UTI e 6.717 em leitos de enfermaria. Na quinta, eram 5.477 em unidades de terapia intensiva (UTI) e 7.258 em enfermaria.

Ainda segundo a secretaria estadual da Saúde, 461.041 pessoas são consideradas recuperadas da doença no estado, sendo que 80.279 foram internadas e tiveram alta hospitalar.

Mortes semanais voltam a subir

Cemitério da Vila Formosa, na Zona Leste de São Paulo neste sábado (8). — Foto: Paulo Lopes/Estadão Conteúdo Cemitério da Vila Formosa, na Zona Leste de São Paulo neste sábado (8). — Foto: Paulo Lopes/Estadão Conteúdo

Cemitério da Vila Formosa, na Zona Leste de São Paulo neste sábado (8). — Foto: Paulo Lopes/Estadão Conteúdo

Após duas semanas seguidas com leves quedas nas novas mortes por coronavírus, o estado de São Paulo voltou a registrar aumento nos óbitos na última semana epidemiológica que encerrou no sábado (7). Do dia 2 ao dia 7 de agosto foram registradas 1.780 mortes no estado, 61 a mais do que as 1.719 verificadas na semana epidemiológica anterior, de 26 de julho a 1 de agosto.

O aumento de 3,5% está dentro da margem de variação considerada por especialistas como estabilidade, mas contribuiu para que o estado permaneça no chamado “platô” alto de novas mortes.

“Na última semana tivemos uma regressão nas novas internações em 7% no estado. Tivemos porém um aumento no número de óbitos na semana epidemiológica. Isso é resultado da maior taxa de internações que ocorreram há duas semanas. A perspectiva é que tenhamos uma redução desse número de óbitos nas próximas semanas, frente a redução das internações”, afirmou o secretário estadual da Saúde Jean Gorinchteyn na segunda-feira.

CORONAVÍRUS

By Tribuna ABC

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