Cerimônia de noivado é interrompida em Beirute por causa da explosão — Foto: Reprodução/TV Globo
Cerimônia de noivado é interrompida em Beirute por causa da explosão — Foto: Reprodução/TV Globo
Um noivado foi interrompido em Beirute, no Líbano, durante a explosão de um depósito de nitrato de amônio na zona portuária nesta terça-feira (4).
Segundo a mãe da noiva, a guia turística Júlia Ibrahim, os convidados estavam chegando quando aconteceu a explosão.
“Ela estava se preparando, arrumando tudo, porque estavam chegando os convidados, e vi primeiro uma explosão leve, comecei a gritar, o vidro começou a quebrar e não enxerguei mais nada. Peguei meus filhos e trouxe para o corredor, para não serem atingidos pelos vidros”, conta Júlia.

Explosão no Líbano causou preocupação na comunidade libanesa em SP
A mãe da noiva morou por anos no Brasil e hoje vive em Beirute. Ela se impressionou com a quantidade de vidros quebrados com o impacto da explosão.
“Hoje, Beirute, você vê ela totalmente destruída. Você vê um banho de vidros no chão. Então eu não sabia se eu estava engolindo pó, o pó de vidro. Eu cheguei, eu estava com uma sandália, eu machuquei os pés. Você caminha, só tem vidro, vidro, vidro. Todos os vidros porque a pressão foi tão grande, que o centro comercial está bem perto do porto, então foi a área mais atingida ali. E ali é tudo muito moderno. Até os hotéis lá são feitos de vidro, então está tudo quebrado”, conta.
A guia turística Julia Ibrahim estava no noivado da filha no momento da explosão em Beirute — Foto: Reprodução/TV Globo
A guia turística Julia Ibrahim estava no noivado da filha no momento da explosão em Beirute — Foto: Reprodução/TV Globo
Com a tragédia que atingiu o país, a festa de noivado foi cancelada. A Yasmin, de 21 anos, conseguiu ficar noiva, mas a celebração foi cancelada porque todo mundo ficou sem clima diante da enorme explosão na capital libanesa.
Comunidade libanesa em SP
O Brasil tem 8,6 milhões de libaneses vivendo no país, mais do que a população total do país, que tem cerca de 6,8 milhões de habitantes. Só no estado de São Paulo há mais de 4 milhões de libaneses e descendentes.
No Paraíso, bairro da Zona Sul da capital paulista, a Carola correu atrás de notícias da irmã – a Júlia.
Ela achou que o país tinha sido alvo de um atentado. Logo voltaram as memórias dolorosas da infância, que fizeram a família fugir para São Paulo para escapar da guerra civil.
“Eu praticamente não tive infância. Porque a nossa vida foi sempre pular de lugar em lugar, até chegar aqui no Brasil, que é um lugar que nos acolheu e que a gente considera que é o nosso país”, conta Carola Ibrahim.
Carola Ibrahim vive em São Paulo e tem uma irmã em Beirute, no Líbano. — Foto: Reprodução/TV Globo
Carola Ibrahim vive em São Paulo e tem uma irmã em Beirute, no Líbano. — Foto: Reprodução/TV Globo
Preocupação com a prima
As imagens de Beirute destruída começaram a surgir nos grupos da família da Zehour. Imediatamente ela pensou na prima, que mora na capital libanesa.
“Eu sei que ela trabalha ali naquela região, em Beirute, e, na hora fiquei desesperada. Assim que fiquei sabendo, mandei uma mensagem pra ela. E ela estava bem, graças a Deus, porque ela teve um start de sair do local do trabalho dela”, afirmou Zehour Fawaz.
Zehour Fawaz e a prima, que mora no Líbano e trabalha bem próximo do local da explosão, em Beirute. — Foto: Reprodução/TV Globo
Zehour Fawaz e a prima, que mora no Líbano e trabalha bem próximo do local da explosão, em Beirute. — Foto: Reprodução/TV Globo
Susto na hora da reza
O empresário Tarek Mustafa El Orra, que mora em São Bernardo do Campo, na Grande SP, estava em Beirute com a esposa e os quatro filhos no momento da explosão. Ele conta que planejava visitar naquele dia a região portuária da cidade, mas escapou de danos mais sérios porque demorou para sair de casa e resolver rezar antes do passeio.
“A gente ia sair lá perto da explosão, na região beira mar lá. Eu estava enrolando, enrolando para sair. Fui rezar e, quanto esta rezando lá, meu filho estava do lado. Primeiro teve tipo de um terremoto. Depois de uns cinco, seis segundos, aí veio a explosão. Parecia que o prédio ia cair. Aí puxei meu filho e o vidro caiu na hora. Se não tivesse lá, acho que meu filho, sei lá… Nem quero falar”, conta Tarek Mustafa.
Tarek Mustafa El Orra, empresário que mora em São Bernardo do Campo, na Grande SP, e estava em Beirute na hora da explosão no porto. — Foto: Reprodução/TV Globo
Tarek Mustafa El Orra, empresário que mora em São Bernardo do Campo, na Grande SP, e estava em Beirute na hora da explosão no porto. — Foto: Reprodução/TV Globo
O empresário afirma que não acreditou quando viu a grande bola de fumaça vinda do porto de Beirute e, achando que fosse um atentado, colocou a família dentro do carro e deixou a capital.
“Juro para você que não dá para acreditar. Coisa que você está sossegado e, de repente, quebra o mundo inteiro. Pessoal de Beirute que tem casa na montanha, no vale, todo mundo fugindo de Beirute. Quem tem casa em outro lugar”, afirmou.
Já seguro com os familiares em uma cidade libanesa do interior, Tarek Mustafa disse que recebeu muitas ligações de amigos do Brasil prestando solidariedade a ele e aos familiares libaneses pela tragédia.
“Muitos amigos do Brasil me ligaram, árabes e brasileiros, me ligaram um monte, porque sabem que vim para o Líbano. Eu agradeço a eles pela preocupação”, disse Tarek.
