Gaeco e PM cumprem mandados contra falsificação de agrotóxicos na região de Ribeirão Preto, SP

Agentes do Ministério Público e da Polícia Militar cumprem nesta sexta-feira (11) mandados de prisão, busca e apreensão na região de Ribeirão Preto (SP) contra suspeitos de integrar uma quadrilha especializada na adulteração de defensivos agrícolas.

As diligências, autorizadas pela 5ª Vara Criminal de Ribeirão, fazem parte da segunda fase da Operação “Princípio Ativo”, denominada de “QR Code”, contra um grupo que pode ter causado prejuízos da ordem de R$ 5,4 bilhões à indústria do setor, além de danos ao meio ambiente.

Segundo o Grupo de Atuação de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Franca (SP), responsável pelas investigações, três mandados de prisão e nove de busca e apreensão foram determinados em Ribeirão Preto e Jardinópolis pela Justiça, que também autorizou o bloqueio de bens, incluindo imóveis, ativos financeiros e o recolhimento de dez veículos.

Gaeco e PM cumprem segunda fase da Operação Princípio Ativo, contra quadrilha especializada em falsificação de agrotóxicos na região de Ribeirão Preto — Foto: Gaeco/Divulgação 1 de 3
Gaeco e PM cumprem segunda fase da Operação Princípio Ativo, contra quadrilha especializada em falsificação de agrotóxicos na região de Ribeirão Preto — Foto: Gaeco/Divulgação

Gaeco e PM cumprem segunda fase da Operação Princípio Ativo, contra quadrilha especializada em falsificação de agrotóxicos na região de Ribeirão Preto — Foto: Gaeco/Divulgação

Até o final da manhã, ao menos dois dos alvos foram presos temporariamente e outras três pessoas foram presas em flagrante por trabalharem em um laboratório clandestino em Ribeirão Preto, no Jardim Candido Portinari, perto da Rodovia Anhanguera (SP-330).

Nessa nova etapa, o Ministério Público apurou que os investigados se instalaram em imóveis do município para o manuseio, armazenamento, transporte e até o descarte ilícito de produtos químicos perigosos, o que colocou em risco os moradores.

O nome da segunda fase faz referência ao código de rastreabilidade utilizado nos defensivos agrícolas, estes também falsificados, além dos próprios produtos, segundo o Ministério Público.

Operação ‘Princípio Ativo’

A primeira fase da Operação Princípio Ativo foi deflagrada em março deste ano, quando 60 mandados de busca e apreensão e 35 de prisão preventiva foram cumpridos em nove cidades do interior de São Paulo, entre as quais Igarapava, Buritizal, Ituverava, Franca, Cristais Paulista, Ribeirão Preto e Serrana, além de municípios de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.

Três organizações foram identificadas pelo Ministério Público após a deflagração da Operação Lavoura Limpa, em 2014, e que também apurava um esquema de falsificação de agrotóxicos.

Preso na Operação Princípio Ativo é levado à Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Franca, SP — Foto: Stella Reis/EPTV 2 de 3
Preso na Operação Princípio Ativo é levado à Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Franca, SP — Foto: Stella Reis/EPTV

Preso na Operação Princípio Ativo é levado à Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Franca, SP — Foto: Stella Reis/EPTV

Durante dois anos de investigação, os promotores descobriram que o grupo estava organizado em sete núcleos:

  • Vendas: uma rede de corretores usava a internet, principalmente as redes sociais, para intermediar o anúncio e contatar os possíveis compradores
  • Contábil: após as vendas, empresas fantasmas emitiam notas fiscais frias sobre as mercadorias que seriam fabricadas
  • Falsificação: havia produtos produzidos grosseiramente e outros que utilizavam princípios ativos de produtos furtados, roubados ou contrabandeados
  • Gráfica: produzia os chamados kits, ou seja, adesivos, bulas e lacres
  • Laudos: um agente era o responsável químico por falsificar laudos. O comprador tomava cautela de submeter o produto à análise química, mas havia uma pessoa alinhada com a organização que falsificava a emissão do documento
  • Transporte: tinha a responsabilidade de fazer chegar a mercadoria ao comprador
  • Informação: formado por agentes públicos, tinha o objetivo de repassar informações privilegiadas ao grupo, deixando de atuar de forma mais incisiva contra a quadrilha

O MP estima que os prejuízos diretos e indiretos na economia cheguem a R$ 11 bilhões, e que 39,7 mil postos de trabalho tenham deixado de ser abertos.

Para o Gaeco, a ação criminosa supera o prejuízo econômico, uma vez que a atividade ilícita traz impactos ao meio ambiente e à saúde de quem produz alimentos e de quem os consome.

Promotores do Gaeco de Franca, SP, em coletiva de imprensa sobre a Operação Princípio Ativo — Foto: Stella Reis/EPTV 3 de 3
Promotores do Gaeco de Franca, SP, em coletiva de imprensa sobre a Operação Princípio Ativo — Foto: Stella Reis/EPTV

Promotores do Gaeco de Franca, SP, em coletiva de imprensa sobre a Operação Princípio Ativo — Foto: Stella Reis/EPTV

By Tribuna ABC

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