Sindicato afirma que funcionários das agências dos Correios do Alto Tietê aderem à greve — Foto: Reprodução/TV Diário
Sindicato afirma que funcionários das agências dos Correios do Alto Tietê aderem à greve — Foto: Reprodução/TV Diário
Com a greve dos Correios 70% dos funcionários estão parados no Alto Tietê. A avaliação é do Sindicato dos Funcionários dos Correios de São Paulo, Grande São Paulo e Sorocaba (Sintect-SP). Já os Correios informam que um levantamento parcial, na manhã desta terça-feira (18), mostrou que 83% do efetivo total da empresa no Brasil está trabalhando regularmente.
O G1 pediu dados do Alto Tietê, mas os Correios enviaram apenas dados nacionais. A paralisação dos empregados teve início nesta segunda-feira (17).
O Sindicato afirma que as agências têm abertura obrigatória, mas que o serviço foi afetado. “Mas 300 mil cartas simples e 50 mil cartas registradas, encomendas e Sedex aqui na região até sexta-feira podem deixar de ser entregues por conta da greve”, avalia o diretor de base do Sintect- SP na região do Alto Tietê, Milton de Jesus.
Reivindicações
Jesus explica que a categoria tenta negociar com a empresa desde junho. O diretor afirma ainda que pauta dos Correios tem 9 cláusulas, enquanto a do sindicato tem 79.
O ponto principal de divergência entre funcionários e empresa, segundo Jesus, é a validade do dissídio da categoria que estaria em vigor até 2021. “Mas os Correios recorreram ao Superior Tribunal Federal (STF) e uma liminar derrubou a clausula 79, em que o dissídio tinha dois anos de validade para um ano. Com pandemia que não pode ter reunião, assembleia não tem como negociar isso. Tentamos revogar essa liminar e deflagramos a greve. Esse ano não consegue negociar direito por conta disso.”
O diretor completa que a categoria nem cogitou aumento salarial e só quer manter as cláusulas que venceriam no dia 21 de julho de 2021. Como a decisão foi do STF, o sindicato recorreu ao Supremo. “O julgamento eletrônico está marcado de 14 a 21 de agosto. Só o Toffoli (ministro Dias Toffoli) deu voto favorável a manter liminar dele mesmo. E aguarda votação dos outros ministros.”
Outro Lado
Os Correios afirmam que desde o início das negociações com as entidades sindicais tiveram um objetivo primordial: cuidar da sustentabilidade financeira da empresa, a fim de retomar seu poder de investimento e sua estabilidade, para se proteger da crise financeira ocasionada pela pandemia. “Conforme amplamente divulgado, a diminuição de despesas prevista com as medidas de contenção em pauta é da ordem de R$ 600 milhões anuais. As reivindicações da Fentect, por sua vez, custariam aos cofres dos Correios quase R$ 1 bilhão no mesmo período – dez vezes o lucro obtido em 2019. Trata-se de uma proposta impossível de ser atendida.”
De acordo com a empresa, nenhum direito foi retirado, apenas foram adequados os benefícios que extrapolavam a CLT e outras legislações, de modo a alinhar a estatal ao que é praticado no mercado.
Os Correios destacam que os trabalhadores continuam tendo acesso ao benefício do auxílio-creche, para dependentes com até 5 anos. “Os tíquetes refeição e alimentação também continuam sendo pagos, conforme previsto na legislação que rege o tema, sendo as quantidades adequadas aos dias úteis no mês, de acordo com a jornada de cada empregado: 22 tíquetes para quem trabalha de segunda a sexta-feira e 26 tíquetes para os empregados que trabalham inclusive aos sábados ou domingos. Estão mantidos ainda – aos empregados das áreas de Distribuição/Coleta, Tratamento e Atendimento -, os respectivos adicionais.”
Os Correios ressaltam que, dentre as medidas adotadas para proteger o efetivo durante a pandemia, a empresa redirecionou empregados classificados como grupo de risco para o trabalho remoto – bem como aqueles que coabitam com pessoas nessas condições –, sem qualquer perda salarial.
Atendimento
De acordo com os Correios foi colocado em prática o Plano de Continuidade de Negócios para minimizar os impactos à população. Entre as medidas tomadas pela empresa estão o deslocamento de empregados administrativos para auxiliar na operação, remanejamento de veículos e a realização de mutirões.
Os Correios destacam que a rede de atendimento está aberta em todo o país e os serviços, inclusive Sedex e PAC, continuam sendo postados e entregues em todos os municípios.
