Prefeitura de Osasco, na Grande São Paulo, disse que o número de pacientes de hemodiálise aumentou nesse período de pandemia e que aglomeração no transporte, que ocorre há três meses, foi ‘situação pontual’. Pacientes de hemodiálise que precisam sair de Osasco denunciam transporte irregular
Em plena pandemia de coronavírus, quem precisa de hemodiálise em Osasco, na Grande São Paulo, tem que ser transportado até a capital em ambulâncias cheias e em más condições de conservação. Pacientes do grupo de risco afirmam que convivem com o medo de contrair a doença no caminho da hemodiálise.
A equipe da TV Globo acompanhou uma dessas viagens. Ao todo, os pacientes rodaram nesta ambulância, juntos, apertados, sem qualquer tipo de isolamento, mais de 30 quilômetros.
A primeira parada foi no Jardim Conceição, em Osasco, onde a ambulância pegou a dona Marlene, que faz hemodiálise, sempre acompanhada pela filha. Três vezes por semana, elas fazem esse roteiro. Passando por ruas e vielas, a ambulância vai pegando mais gente. Foram cinco paradas. Lá, dentro, quem vai chegando, vai disputando espaço, com outros pacientes e com a maca. O cinto de segurança não funciona.
Os passageiros dizem que nem sempre foi assim e que a Prefeitura de Osasco já ofereceu vans para fazer o transporte. A reportagem encontrou alguns modelos bem mais confortáveis e seguros que são usados pela prefeitura, e os pacientes não entendem porque há pelo menos três meses estão sendo transportados de maneira precária.
Em nota, a Prefeitura de Osasco disse que o número de pacientes de hemodiálise aumentou nesse período de pandemia, que contratou de forma emergencial mais veículos, só que dois deles apresentaram problemas e foi necessário realizar o transporte em ambulância. Segundo a prefeitura, foi uma situação pontual, mas como a gente mostrou na reportagem, os pacientes dizem que isso já ocorre há três meses.
Pacientes reclamam
A viagem durou uma hora e meia entre os bairros da cidade de Osasco e uma clínica de hemodiálise, no bairro da Pompéia, na Zona Oeste de São Paulo. Os pacientes contam que o problema se arrasta há meses. Uma das passageiras filmou outras viagens, quando a situação ainda parecia pior.
“Olha a maca que é pro paciente ir deitado. Olha a situação, essa aqui é a situação, a verdadeira situação. Uma senhora de 70 anos sentada, sentada ali na maca, sem cinto de segurança, a ponto de se machucar com alguma coisa”, conta no vídeo.
“Fica todo mundo juntinho. Aí fala que é pra manter a distancia, não é isso que fala a saúde? Manter a distância por conta da Covid e tal. Mas a situação nossa é essa. Vem todo mundo agarrado um com o outro aí e uns não têm nem cinto”, conta Antonio Luis Oliveira Bastiane, aposentado.
Já teve gente que ficou pra trás, sem transporte, depois que espirrou e os outros passageiros reclamaram, com medo de que fosse um sintoma da Covid-19.
“Porque vem 6 pessoas dentro de uma ambulância desse tamanho? E ali um com medo do outro? Esses dias aí eu tive um problema de água no pulmão e um dos amigos da gente pegou e me proibiu de eu vir na ambulância. Fiquei aqui até 10 horas da noite esperando minha filha vir me buscar porque não queria que eu fosse na ambulância”, conta Maria dos Santos, pensionista.
Grupo de risco para Covid-19, pacientes de hemodiálise de Osasco são transportados em ambulâncias cheias por até 30km
