
Pacientes são trocadas no Hospital do Anhembi
O Hospital de Campanha do Anhembi, na Zona Norte de São Paulo, trocou as fichas médicas de pacientes e notificou a família errada sobre a alta.
Levi da Silva, filho da dona Maria do Carmo, de 64 anos, que está internada com suspeita de Covid-19 há 12 dias, foi informado de que ela havia recebido alta. Porém, ao chegar no hospital, uma outra paciente o aguardava. Ela portava a ficha médica de sua mãe.
“Eu tive uma frustração, me trouxeram uma senhora que o nome dela é Maria de Assis, o nome da minha mãe é Maria do Carmo, porém, ela tava com a ficha da minha mãe entre os braços, né?”, disse.
No documento do hospital, consta o real quadro da dona Maria do Carmo. Ela não consegue sair do oxigênio, pois fica cansada com pequenos esforços.
Levi também relata a frustração da paciente, que aguardava os familiares para poder voltar para casa.
“A mulher saiu feliz quando viu a luz do sol né, mas voltou triste pois foi enganada igual eu. […] Ela me viu e só disse que eu não sou o filho dela, nem neto ‘Não, esse rapaz não é meu neto, nem meu filho’ “, relatou Levi.
Nesta terça-feira (1°), na porta do hospital, ele ligou para sua mãe para informá-la que não iria receber alta e que terá que esperar mais alguns dias para levá-la para casa.
Questionada pela reportagem, a Prefeitura de São Paulo alega que Levi havia sido convocado para buscar documentos de sua mãe e que ela não havia recebido alta ainda.
A gestão municipal alega que teria acontecido uma confusão com o nome das pacientes na porta do hospital.
A SPDM, organização social responsável pelo Hospital de Campanha do Anhembi, não respondeu a reportagem.
O Hospital de Campanha do Anhembi tem 61 pacientes internados. Ele foi inaugurado em abril, com uma capacidade de 1600 leitos, mas nunca atingiu sua ocupação máxima. Em agosto, a gestão municipal desativou a ala administrada pela organização social IABAS.
Outros casos
Não é a primeira vez que um hospital confunde pacientes durante a pandemia. Corpos de pacientes que faleceram de Covid-19 foram entregues para as famílias erradas.
Em julho, o corpo do aposentado Laurindo da Rosa, que morreu no Hospital de Campanha de Heliópolis, foi trocado e enterrado como o de outra pessoa.
Em abril, em Santo André, a dona Armir Martins da Silva, de 72 anos, sofreu uma queda e quebrou o fêmur, ela foi internada e morreu dias depois, o corpo dela foi trocado por de um homem com suspeita de COVID-19, que acabou sendo enterrado no lugar dela.
