Hospital Municipal da Brasilândia tem 92% dos leitos de UTI para Covid-19 ocupados

Mais de 1,5 mil pessoas estão em tratamento nos leitos municipais

Mais de 1,5 mil pessoas estão em tratamento nos leitos municipais

O Hospital Municipal da Brasilândia, na Zona Norte de São Paulo, que só atende pacientes de Covid-19 transferidos de ambulância, registra uma taxa de ocupação de leitos de UTI de 92%.

Como o G1 mostrou nesta quarta-feira (22), após queda iniciada no meio de junho, a taxa de ocupação dos leitos privados e municipais voltou a subir na cidade de São Paulo, segundo análise feita pelo pesquisador Marcio Bittencourt, do Centro de Pesquisa Clínica e Epidemiológica do Hospital Universitário da USP.

A pesquisa foi feita com hospitais privados selecionados na cidade, nos quais o pesquisador teve acesso aos dados de ocupação, e também com dados públicos de hospitais municipais, além dos hospitais de campanha geridos pela administração municipal.

A análise feita pelo professor Márcio Bittencourt mostra que, no município de São Paulo, houve uma inversão da tendência de queda na ocupação que estava em curso a partir da segunda quinzena de junho. Sua análise leva em conta tanto UTIs quanto enfermarias.

“Quando eu vejo entrar uma ambulância é porque, infelizmente, você sabe que vai sair ou já saiu um carro da funerária. Isso é quase todos os dias eu vejo”, disse a professora Nilda Maria de Oliveira.

A dona de casa, Sônia Regina Vale, relata a falta de cuidado de muitos moradores do bairro.“Tem pessoas que usam a máscara no pescoço, que faz caminhada com a máscara no queixo. Você vê agrupamento de pessoas próximas umas das outras sem máscara. As pessoas não tão conscientes do grau.. da gravidade do problema”, conta.

O uruguaio Carlos Gonzalez que vive na Brasilândia há 20 anos, afirma que o problema vai além da falta de cuidado dos moradores.

“Eu tenho amigos na Brasilândia, conhecidos, que me dizem: ‘pô, a minha mãe pegou covid, e minhã irmã pegou Covid… eu moro num barraco com 8 pessoas, que que eu vou fazer pra ter segurança para não pegar?’”, disse o artista plástico.

Vista de favela no bairro da Brasilândia, na Zona Norte de São Paulo, em foto do dia 27 de abril — Foto: Rogério Galasse/Estadão Conteúdo 1 de 1
Vista de favela no bairro da Brasilândia, na Zona Norte de São Paulo, em foto do dia 27 de abril — Foto: Rogério Galasse/Estadão Conteúdo

Vista de favela no bairro da Brasilândia, na Zona Norte de São Paulo, em foto do dia 27 de abril — Foto: Rogério Galasse/Estadão Conteúdo

Hospital da Cruz Vermelha

O hospital da Cruz Vermelha, na Zona Sul de São Paulo, também está com muitos pacientes, dos 20 leitos, 16 estavam ocupados até esta terça-feira (21).

Na semana passada, a Prefeitura de São Paulo anunciou o fechamento de mais de 500 leitos no Hospital de campanha do Anhembi, a partir de 1º de agosto. Segundo a secretaria municipal da saúde, a taxa de ocupação caiu na unidade. Nesta quarta-feira (22) 207 pessoas estão internadas no hospital.

No final do mês passado, o hospital de campanha do Pacaembu foi fechado também pela queda no número de internações.

A Prefeitura de São Paulo informou que os hospitais da capital estão preparados pra atender os pacientes. Em caso de necessidade, podem ocorrer transferências entre unidades. Com relação ao Hospital Municipal da Brasilândia, a prefeitura confirmou a taxa de 90% de ocupação e disse que no da Cruz Vermelha chegou a 100% ontem. A gestão municipal também informou que ampliou de 507 pra 1.340 o número de leitos durante a pandemia.

Ocupação

Os últimos dados do estado mostram que a taxa de ocupação de leitos de UTI em toda a rede de saúde está mais alta no estado, com 66,5%. A capital está com 66,4% e a a região metropolitana 64%.

O infectologista João Prats explica que mesmo com a taxa de ocupação abaixo dos 70%, não significa que dá pra diminuir as medidas de proteção.

“Tem que ficar claro que é um período de transição. Significa que a gente saiu de um caos, de uma situação muito grave, para uma situação menos grave. A gente não acabou com a pandemia e as coisas não voltaram absolutamente ao normal”, disse o infectologista João Prats.

“Ainda vamos ter que usar máscaras, tomar muito cuidado com a higienização das mãos. Vamos ter que respeitar muito o isolamento social, com distanciamento, e todas aquelas regras que vem junto com o funcionamento dos estabelecimentos, pra minimizar o contato com outas pessoas… ainda temos que continuar nisso”, completou.

CORONAVÍRUS

By Tribuna ABC

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