Incor vai receber 10 ventiladores pulmonares desenvolvidos pela USP para pacientes com coronavírus

O ventilador pulmonar Inspire foi desenvolvido pela Universidade de São Paulo (USP) — Foto: Reprodução 1 de 4
O ventilador pulmonar Inspire foi desenvolvido pela Universidade de São Paulo (USP) — Foto: Reprodução

O ventilador pulmonar Inspire foi desenvolvido pela Universidade de São Paulo (USP) — Foto: Reprodução

O Instituto do Coração de São Paulo (Incor) vai receber a partir de quinta-feira (16) dez unidades do ventilador pulmonar emergencial criado por um grupo de engenheiros da Escola Politécnica (Poli) em parceria com a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), de acordo com o governador João Doria (PSDB).

Batizado de Inspire, o aparelho foi criado dentro de 4 meses por uma equipe de 200 pesquisadores para suprir a necessidade de respiradores durante a pandemia de coronavírus. Cerca de 800 doadores contribuíram com cerca de R$ 7 milhões para o desenvolvimento do respirador, de acordo com o professor coordenador do projeto, Raul Gonzales Lima.

O respirador pode ser fabricado em 2 horas e custa cerca de R$ 4,4 mil. Os aparelhos comerciais mais baratos chegam a custar 10 vezes mais, segundo os pesquisadores da Poli.

A fabricação será feita pelo Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP), que é ligado à USP. A universidade poderá produzir 10 respiradores por dia.

No início, o custo desses ventiladores seria de R$ 1 mil, mas, de acordo com o professor Marcelo Zuffo, vice-coordenador do programa, os requisitos foram aumentados. “O custo de 1000 era para um ventilador muito mais simples. Os requisitos ampliados de (modos ventilatórios, telas) fizeram com que o equipamento ficasse mais caro. Mesmo assim o custo é expressivamente mais barato”, afirmou ao G1.

João Doria elogiou a criação do ventilador durante coletiva de imprensa no Palácio dos Bandeirantes, na Zona Sul de São Paulo, nesta quarta-feira (15).

“Um grande dia para a ciência brasileiras, que parte aqui de São Paulo e da academia, a Universidade de São Paulo, a melhor universidade do país e da América Latina, desenvolveu respiradores com tecnologia nacional, com técnicos, pesquisadores, professores e alunos da Universidade de São Paulo. As forças armadas também participam desta vitória da ciência brasileira através da produção e montagem desses respiradores nas instalações da Marinha do Brasil aqui em São Paulo.”

Respirador desenvolvido pela USP para suprir demanda durante pandemia do coronavírus — Foto: Reprodução/Poli-USP 2 de 4
Respirador desenvolvido pela USP para suprir demanda durante pandemia do coronavírus — Foto: Reprodução/Poli-USP

Respirador desenvolvido pela USP para suprir demanda durante pandemia do coronavírus — Foto: Reprodução/Poli-USP

Em maio, o Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) pediu esclarecimentos ao governo do estado sobre o motivo para não implementar o uso dos respiradores de emergência desenvolvidos pela Poli no combate à pandemia do coronavírus.

A promotora argumentou que o governo vinha negociando a importação de um único respirador por cerca de R$ 220 mil, enquanto um ventilador do Projeto Inspire tem custo aproximado de R$ 2 mil – o governo comprou três mil aparelhos da China por US$ 100 milhões, o equivalente a R$ 550 milhões.

USP cria respirador mais barato e prático

USP cria respirador mais barato e prático

Testes com humanos

O ventilador da USP já passou por testes com humanos. Eles foram feitos com quatro pacientes nas dependências do Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas (HC) da USP, entre os dias 17 e 19 de abril. Na avaliação dos técnicos, o respirador foi considerado aprovado em todos os modos de uso e não houve nenhum problema com os pacientes ventilados.

Além da pesquisa feita no HC, testes com animais e avaliações técnicas também comprovaram a eficiência do respirador.

O ensaio no HC foi feito de acordo com as orientações da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa e sob a coordenação do professor José Otávio Auler Junior, da Faculdade de Medicina. Antes disso, em 13 e 14 de abril, o equipamento foi testado em animais, sob a orientação de professoras da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ).

Para acelerar as avaliações técnicas, os engenheiros tiveram que improvisar. Uma bexiga de aniversário, feita de borracha, foi enchida de ar pelo respirador para verificar se o aparelho era capaz de controlar variáveis como pressão e vazão do oxigênio.

“O objetivo era ter medidas na frequência da respiração do paciente, para permitir a sincronização do fornecimento de oxigênio do aparelho com a frequência respiratória. Foram testadas várias frequências respiratórias, porque havia controle das variáveis, tais como pressão e vazão”, explica o professor Guenther Krieger Filho, coordenador do Laboratório de Diagnóstico Avançado de Combustão da Poli.

Criação do respirador

Um grupo de grupo de aproximadamente 40 pesquisadores da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), entre engenheiros biomédicos, mecânicos, mecatrônicos, eletrônicos e de produção, estudantes e representantes da iniciativa privada, se articulou no desenvolvimento do respirador para suprir uma possível demanda do equipamento hospitalar durante a pandemia do coronavírus.

Engenheiros da USP desenvolveram o 'Inspire', ventilador pulmonar para uso em emergências, que pode ser produzido em até duas horas e 15 vezes mais barato — Foto: Divulgação/Poli-USP 3 de 4
Engenheiros da USP desenvolveram o ‘Inspire’, ventilador pulmonar para uso em emergências, que pode ser produzido em até duas horas e 15 vezes mais barato — Foto: Divulgação/Poli-USP

Engenheiros da USP desenvolveram o ‘Inspire’, ventilador pulmonar para uso em emergências, que pode ser produzido em até duas horas e 15 vezes mais barato — Foto: Divulgação/Poli-USP

A proposta do grupo era a criação de um ventilador pulmonar de baixo custo, com tecnologia e componentes nacionais. O resultado é um equipamento produzido com mais rapidez e menor custo.

“Buscamos montar um equipamento que pudesse utilizar ao máximo componentes que já existem no mercado brasileiro, não dependendo muito de importação, e que pudéssemos acionar os fabricantes para aumentar sua produção”, disse o professor Raul González Lima, especialista em Engenharia Biomédica.

O tempo total de fabricação é inferior a duas horas. “Nós gostaríamos que a indústria nacional se desenvolvesse e exportasse as tecnologias que possuem para muitos países”, continuou o pesquisador.

O ventilador pulmonar desenvolvido pela Poli-USP é mecânico, para ser utilizado em emergências, pois a equipe considerou uma eventual falta de linhas de ar comprimido nos leitos de hospital, o que tornaria necessário o bombeamento de ar para o paciente.

Segundo o pesquisador Raul González Lima, a Poli-USP é responsável pelo projeto, mas não pela fabricação, que deverá ser feita por empresas com autorização da Anvisa. O projeto tem licença aberta para os interessados em produzir o ventilador.

Grupo de 40 pessoas se articulou no desenvolvimento do respirador para suprir uma possível demanda do equipamento hospitalar — Foto: Divulgação/Poli-USP 4 de 4
Grupo de 40 pessoas se articulou no desenvolvimento do respirador para suprir uma possível demanda do equipamento hospitalar — Foto: Divulgação/Poli-USP

Grupo de 40 pessoas se articulou no desenvolvimento do respirador para suprir uma possível demanda do equipamento hospitalar — Foto: Divulgação/Poli-USP

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By Tribuna ABC

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