
Empresa que atua para a Prefeitura de Itaquaquecetuba deixa de pagar merendeiras
Neste período de pandemia, além da preocupação com o novo coronavírus, algumas pessoas enfrentam também problemas trabalhistas. Uma merendeira escolar que não quis ser identificada disse ao Bom Dia Diário que a empresa terceirizada que presta serviços para a Prefeitura de Itaquaquecetuba não vem cumprindo com o pagamento de salário e com a entrega da cesta básica e que o depósito do FGTS não tem sido feito desde novembro do ano passado.
A funcionária disse que não recebe o salário e os benefícios há dois meses. “Nossa empresa falou que ia cumprir com todos os regulamentos e que a gente ia ficar em casa. Mas, de lá para cá, nada disso foi acertado com a gente. A nossa cesta básica, o depósito do FGTS e o nosso pagamento”.
Assim como essa funcionária, cerca de 240 merendeiras trabalham para a empresa terceirizada que presta serviços para a Prefeitura de Itaquaquecetuba. No dia 9 de junho, elas fizeram uma manifestação pedindo uma resposta da Prefeitura, mas até agora não receberam.
1 de 1Funcionárias se manifestaram e pediram resposta da Prefeitura de Itaquaquecetuba — Foto: Reprodução/TV Diário
Funcionárias se manifestaram e pediram resposta da Prefeitura de Itaquaquecetuba — Foto: Reprodução/TV Diário
De acordo com o sindicato, em abril, a empresa entrou em contato para fazer um acordo emergencial, que suspenderia o contrato de trabalho por 60 dias. O Governo passaria a pagar 70% do salário, e a empresa pagaria os 30% restantes. O acordo foi aceito, mas, segundo as merendeiras, desde então, a empresa ainda não depositou a parte dela.
“A empresa não está honrando com o pagamento dos trabalhadores e também a cesta básica, desde abril até agora”, falou Júlio César Ferreira, presidente do SindiRefeições de Suzano e região.
De acordo com o presidente do sindicato, o FGTS de algumas merendeiras ainda não possui depósitos desde novembro de 2019.
“Muitas foram verificar o seu FGTS, e a empresa está com algumas pendências no pagamento. Com isso, as trabalhadoras também vão ter dificuldades de receber seu FGTS no valor integral. Na verdade, ela vai poder retirar, mas com o valor reduzido, porque os depósitos estão inferiores desde novembro do ano passado”.
“A gente está em uma situação muito difícil, porque muitas das merendeiras pagam aluguel, têm que fazer compra. São mães, que não têm outro tipo de renda. Então fica um pouco difícil”, relatou a merendeira.
O presidente do SindiRefeições disse ainda que o sindicato já tentou resolver a questão com a empresa, mas não teve sucesso. Ele reforçou também que notificou a Prefeitura de Itaquaquecetuba e o Ministério Público do Trabalho por causa do não cumprimento do acordo.
A Prefeitura de Itaquaquecetuba respondeu que está em dia com todos os compromissos com a empresa e que abriu um processo administrativo para averiguar a falta de repasse às merendeiras, inclusive fazendo uma reunião com representantes das profissionais para se colocar à disposição e ajudar a solucionar o problema. Sobre a troca de empresa, a administração avalia essa possibilidade.
