1 de 2Mergulhadores retiraram cerca de 15 kg de corais-sol neste sábado (19) — Foto: Divulgação/Clecio Mayrink
Mergulhadores retiraram cerca de 15 kg de corais-sol neste sábado (19) — Foto: Divulgação/Clecio Mayrink
Mais de 150 kg de corais-sol foram localizados por mergulhadores no Parque Estadual Marinho da Laje de Santos, no litoral de São Paulo, a cerca de 42 km das praias santistas. A proliferação da espécie, que é considerada invasora, precisa ser controlada o mais rápido possível, segundo especialistas. Até o momento, pesquisadores conseguiram retirar cerca de 10% do total, o equivalente a 15 kg.
Depois de quatro meses de operações suspensas, devido à pandemia do novo coronavírus, os pesquisadores saíram em expedição, no último fim de semana, para a retirada de corais-sol, lixo e petrechos de pesca, como linhas, anzóis e cordas. A iniciativa foi do Instituto Laje Viva, em conjunto com o Quero Mergulho e com a administração do parque estadual.
A monitora ambiental do Parque Estadual Marinho da Laje de Santos, Paula Romano, relata que já foram retirados cerca de 15 kg de corais-sol. Ela explica que o processo é lento, pois deve ser feito com muito cuidado. Por isso, os mergulhadores ainda terão que fazer diversas expedições para retirar o máximo que conseguirem.
“Nós já conhecemos as áreas de maior incidência, então, seguimos direto para lá. Tem alguns lugares em que a infestação está bem preocupante. O coral-sol é uma espécie invasora, nativa do Oceano Pacífico. Ainda não temos comprovação de como chegou aqui no litoral, mas acreditamos que seja por causa da limpeza de lastros de navios”, explica.
2 de 2Mergulhadores usam martelo e talhadeira para retirar os corais-sol — Foto: Divulgação/Clecio Mayrink
Mergulhadores usam martelo e talhadeira para retirar os corais-sol — Foto: Divulgação/Clecio Mayrink
De acordo com estudos, o coral-sol chegou ao país na década de 1980, provavelmente incrustado em plataformas utilizadas na exploração de petróleo. As estruturas eram fabricadas no exterior e rebocadas para serem utilizadas na costa brasileira. Desde então, apesar dos esforços, sua proliferação nunca foi plenamente contida.
Paula explica que, como a espécie não tem predadores, acaba se alastrando rapidamente e de forma descontrolada, destruindo a fauna nativa de corais do Oceano Atlântico, que banha a costa litorânea do Brasil. “O coral-sol invade o espaço que seria dos corais brasileiros e acaba matando a espécie nativa. Ele é lindo, mas muito danoso”.
A monitora explica que o trabalho de retirada é totalmente manual. Pesquisadores, monitores e voluntários mergulham e utilizam martelos e talhadeiras para remover a espécie. Porém, esse é um procedimento que deve ser feito com muito cuidado, porque se algum coral escapar, ele acaba se prendendo nas pedras e formando uma nova colônia.
“É difícil falar em retirar tudo, porque já está impregnado no nosso litoral. Conseguimos tirar cerca de 10% desta vez, porque é um trabalho muito duro. Quando retiramos da Laje de Santos, os pólipos navegam pelo oceano e param em algum outro lugar. O que fazemos é retirar o máximo possível para não proliferar demais. É difícil combater essa invasão”, conclui.

Coral-sol é retirado do Parque Estadual Marinho da Laje de Santos
