1 de 10Em uma das “amizades” mais famosas do fundo do mar, peixes-palhaços se protegem vivendo em anêmonas e elas, entre outras vantagens, se tornam mais férteis por conta de dejetos dos peixes — Foto: João Paulo Krajewski/Acervo Pessoal
Em uma das “amizades” mais famosas do fundo do mar, peixes-palhaços se protegem vivendo em anêmonas e elas, entre outras vantagens, se tornam mais férteis por conta de dejetos dos peixes — Foto: João Paulo Krajewski/Acervo Pessoal
O que é um amigo para você? Alguém indispensável, que transforma sua vida para melhor ou até aquela companhia com quem divide as alegrias e adversidades? Independente do significado é possível encontrar exemplos da natureza que expressam esses tipos de cumplicidade.
A relação ecológica conhecida como mutualismo é a pura demonstração de amizade em ambiente selvagem. Embora agindo sob a força do instinto, as espécies envolvidas nesse processo realizam ações que beneficiam umas às outras e, às vezes, esses gestos são os responsáveis por garantir a sobrevivência delas no meio.
Amigo tranquilão
2 de 10Gado, anta e as capivaras se veem livres dos carrapatos, enquanto as aves ficam bem alimentadas — Foto: Cláudio Dias/Arquivo Pessoal
Gado, anta e as capivaras se veem livres dos carrapatos, enquanto as aves ficam bem alimentadas — Foto: Cláudio Dias/Arquivo Pessoal
Se você estiver procurando por um amigo pacífico e sempre de bem com a vida, certamente, uma capivara é uma boa pedida. Estudos já classificaram que esses grandes roedores podem servir de poleiro para as aves e até como reservatório de alimento delas, já que carrapatos, tecidos mortos e até as sujeiras orgânicas presentes no corpo do mamífero compõem a dieta de inúmeros pássaros.
3 de 10— Foto: Roberto Carlos Prota/Acervo Pessoal
— Foto: Roberto Carlos Prota/Acervo Pessoal
De forma complementar, a capivara também é beneficiada enquanto as aves ficam de barriga cheia. As doenças que poderiam ser transmitidas por insetos encontrados no corpo do mamífero param de rondá-lo. E, além de protegida, a grandona ainda ganha uma sessão de “spa na natureza” com o tratamento oferecido pelos visitantes. Relações assim já foram observadas diversas vezes com o gavião-carrapateiro, um rapinante que recebe no nome a habilidade de eliminar parasitas.

Vídeo mostra momento exato em que carrapateiro se alimenta no dorso de uma vaca
Amigo nada discreto
4 de 10Raias realizam uma “algazarra” até encontrarem e desenterrarem seu alimento, o que a faz conquistar amigos interesseiros — Foto: João Paulo Krajewski/Acervo Pessoal
Raias realizam uma “algazarra” até encontrarem e desenterrarem seu alimento, o que a faz conquistar amigos interesseiros — Foto: João Paulo Krajewski/Acervo Pessoal
Se você não reconhece o colega escandaloso do seu círculo de amizades talvez você faça esse papel. Mas ser expansivo não é algo ruim e pode trazer muitas vantagens para quem está ao redor. Na natureza, alguns animais marinhos costumam causar muito distúrbio na busca por um alimento. Um exemplo de indivíduo assim é a raia-prego (Dasyatis americana) que caça animais que vivem enterrados na areia, como peixes e caranguejos.
“Para encontrar suas presas, essas raias ondulam e batem suas nadadeiras rapidamente no fundo do mar, até desenterrarem seu alimento. Com isso, elas levantam muita areia e desenterram não só sua comida, mas também outros animais escondidos”, conta a bióloga Roberta Bonaldo. O que poderia representar uma bagunça, se torna um delicioso banquete. As espécies descobertas pela raia são bons petiscos para outros animais marinhos que, em alguns lugares, até costumam segui-la para devorar os indivíduos afugentados por ela.
Amigo carinhoso
5 de 10A relação entre indivíduos de diferentes espécies é bastante rara — Foto: Fabíola de Melo/VCnoTG
A relação entre indivíduos de diferentes espécies é bastante rara — Foto: Fabíola de Melo/VCnoTG
Você já pode ter visto os afagos trocados entre araras, maritacas e papagaios, mas um flagrante raro registrado em Paraty (RJ) mostra um urubu e um carcará em semelhante demonstração de carinho. Apesar das espécies incomuns envolvidas no processo, o comportamento é bem conhecido. Chamada de Allopreening, a ação define um tipo de limpeza que uma das aves realiza retirando os parasitas da plumagem da outra.
6 de 10No oco das árvores, família de psitacídeos como as arara-jubas se destacam na troca de carícias — Foto: Rudimar Narciso Cipriani/Acervo Pessoal
No oco das árvores, família de psitacídeos como as arara-jubas se destacam na troca de carícias — Foto: Rudimar Narciso Cipriani/Acervo Pessoal
“Além de auxiliar na remoção de parasitas, como ácaros e piolhos, e na manutenção das penas, essa troca de ‘carícias’ também tem um papel social importante, pois demonstra tolerância ou cooperação entre indivíduos”, explica o ornitólogo Luciano Lima. Ele ainda reforça que, além de higiene e cuidado, a ‘intimidade’ dessa relação pode ser justificada como uma forma de manter a política de boa vizinhança, buscando um melhor convívio social entre as espécies.
Amigo indispensável
7 de 10Líquens são organismos decorrentes da união entre um fungo e uma alga em uma forma de associação benéfica para ambos — Foto: Simone Carvalho/Acervo Pessoal
Líquens são organismos decorrentes da união entre um fungo e uma alga em uma forma de associação benéfica para ambos — Foto: Simone Carvalho/Acervo Pessoal
Se o termo amizade pode ser resumido em uma relação de cumplicidade e cuidado com o outro, os líquens traduzem esse vínculo. Eles são o resultado entre a união de fungos com microrganismos, como algas e bactérias.
8 de 10Ao redor da bromélia, em destaque, diversas espécies de líquens se acumulam; eles são os melhores bioindicadores conhecidos dos níveis de poluição aérea — Foto: Simone Carvalho/Acervo Pessoal
Ao redor da bromélia, em destaque, diversas espécies de líquens se acumulam; eles são os melhores bioindicadores conhecidos dos níveis de poluição aérea — Foto: Simone Carvalho/Acervo Pessoal
As estruturas, vistas nos troncos das árvores, só existem porque esses dois tipos de seres permanecem intimamente unidos. É a verdadeira parceria para que ambos possam resistir. O fungo utiliza a matéria orgânica disponibilizada pelas algas como alimentos e elas, em adição, sobrevivem graças à umidade e aos nutrientes que o fungo é capaz de reter.
Amigo protetor
9 de 10Os camarões mantêm uma ou duas de suas antenas em contato com o “amigo” peixe para que ele dê sinais de ameaças de predadores — Foto: João Paulo Krajewski/Acervo Pessoal
Os camarões mantêm uma ou duas de suas antenas em contato com o “amigo” peixe para que ele dê sinais de ameaças de predadores — Foto: João Paulo Krajewski/Acervo Pessoal
Alguns camarões, ao fazerem suas tocas subterrâneas, se tornam muito vulneráveis a predadores. Pensando em se proteger, começaram a viver juntos com certas famílias de peixes que permanecem na entrada da casa em construção, atentos a qualquer movimentação. “Ao perceber uma ameaça, o góbio [peixe referido] agita suas nadadeiras ou se move em direção à toca, o que é rapidamente percebido pelas antenas sensíveis do camarão, que imediatamente corre para dentro da casa”, explica a bióloga Roberta Bonaldo.
10 de 10Camarões se alimentam de tecidos mortos do corpo de peixes, o que deixa os “amigos” mais limpos e saudáveis — Foto: João Paulo Krajewski/Acervo Pessoal
Camarões se alimentam de tecidos mortos do corpo de peixes, o que deixa os “amigos” mais limpos e saudáveis — Foto: João Paulo Krajewski/Acervo Pessoal
Garantir a segurança do “amigo” colabora para que o góbio capture alguns alimentos desenterrados pelo dono da toca durante o processo de confecção das casas. Além disso, a vida em parceira faz com que o camarão se alimente de elementos do corpo de certos peixes. “Nessa interação, os dois lados saem ganhando: os pequenos limpadores ganham alimento e seus clientes se livram de parasitas e tecido danificado. Além disso, em alguns casos os clientes parecem até desfrutar do estímulo tátil causado pelo limpador, como se fosse um cafuné”, completa a bióloga.
