Oito tripulantes de navio panamenho barrado no litoral de SP são repatriados

Navio panamenho em Caraguatatuba — Foto: Divulgação/Inspeção do Trabalho 1 de 1
Navio panamenho em Caraguatatuba — Foto: Divulgação/Inspeção do Trabalho

Navio panamenho em Caraguatatuba — Foto: Divulgação/Inspeção do Trabalho

Oito tripulantes ucranianos de um navio panamenho que está barrado no litoral norte paulista por irregularidades foram liberados para voltar ao país de origem neste final de semana. O navio chegou em São Sebastião em junho e foi barrado após funcionários acionarem o consulado por falta de pagamento, com dívida de mais de US$ 300 mil.

De acordo com o Ministério do Trabalho, os trabalhadores deixaram a embarcação na manhã de sábado (25) e embarcaram para Kiev, capital da Ucrânia, às 15h. Eles fazem parte de um segundo grupo de tripulantes que havia pedido ajuda ao governo brasileiro para terem seus salários pagos e retornarem ao país de origem.

Na última semana, quatro tripulantes, da Ucrânia e de Monte Negro, já haviam deixado a embarcação. Os demais tiveram que aguardar que a empresa brasileira que assumiu a embarcação contratasse novos profissionais e fossem substituídos. A tripulação de segurança do navio é de 12 pessoas.

O Ministério do Trabalho disse ainda que faltam quatro pessoas serem resgatadas. Dois tripulantes de Montenegro; um ucraniano e o capitão, que é da Croácia. Eles ainda precisam aguardar que funcionários sejam contratados para seus cargos para a substituição. Apesar disso, o governo brasileiro informou que o capitão e o tripulante de Montenegro teriam sinalizado desejo de permanecer na embarcação.

A embarcação havia saído de Casablanca, no Marrocos, em março, com destino ao Brasil. Ela percorreu o litoral brasileiro, até chegar a São Sebastião, onde foi barrada. À época, a tripulação estrangeira acionou o consulado e o Ministério do Trabalho para reclamar da falta de pagamentos e condições precárias de trabalho.

De acordo com o MP, estavam no navio 16 pessoas: o capitão, que é da Eslováquia; três pessoas de Montenegro e 12 trabalhadores ucranianos. Eles estavam com salários atrasados há pelo menos sete meses e alguns tiveram o contrato de trabalho suspenso no meio do percurso, sem ter como voltar para casa.

O MPT chegou a mover uma ação na Justiça contra a empresa, que à época devia US$ 177 mil em salários. Na Justiça, a proprietária do navio disse que deixou de arcar por dificuldades financeiras, por causa da pandemia do novo coronavírus.

Uma empresa brasileira contratou a companhia panamenha para o transporte de soja e açúcar e ofereceu como pagamento pelo serviço o acerto do valor exigido pela Justiça para a repatriação e salários dos tripulantes, cerca de US$ 300 mil.

A reportagem do G1 acionou a responsável pelo navio, mas não obteve retorno até a publicação.

By Tribuna ABC

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