
Operação investiga suopsta fraude para montagem de leitos de UTI em Bertioga
O Grupo Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo e a Polícia Civil realizaram, na manhã desta sexta-feira (17), uma operação para recolher documentos e averiguar indícios de possíveis fraudes na contratação e locação de equipamentos usados em leitos de UTI para pacientes com Covid-19 em Bertioga, no litoral de São Paulo.
Policiais e promotores cumpriram 12 mandados de busca e apreensão na sede da Secretaria Municipal de Saúde e em duas residências do secretário de saúde Valter de Almeida. As investigações começaram após o MP receber denúncias de um vereador da Cidade. As equipes estão analisando os contratos e ainda não sabem quem são os responsáveis pelas possíveis fraudes.
Segundo informações do promotor do Gaeco Vinícius Rodrigues França, são investigadas irregularidades nos contratos que se referem tanto ao valor dos equipamentos quanto pelo fato de vários deles estarem com prazo de validade ultrapassado. A empresa responsável pela locação pode ter lucrado cerca de R$ 500 mil.
1 de 3Polícia e Gaeco investigam possíveis fraudes na contratação de equipamentos para tratar pacientes com coronavírus — Foto: Reprodução/TV Tribuna
Polícia e Gaeco investigam possíveis fraudes na contratação de equipamentos para tratar pacientes com coronavírus — Foto: Reprodução/TV Tribuna
“Estamos em operação para buscar documentos em endereços de Bertioga e outros municípios para depois avaliar e verificar se realmente houve crime. Após recebermos a denúncia, constatamos que existe um aglomerado de empresas que, de maneira suspeita, participou dessa contratação. Por enquanto, estamos investigando a contratação em si, ainda não sabemos quem foram os responsáveis por isso”, explica o promotor.
As equipes localizaram diversos documentos com indícios de fraude na Secretaria de Saúde e darão continuidade às investigações. Nada foi encontrado nas residências do secretário Valter de Almeida. Se comprovadas as irregularidades, será iniciado o processo de acusações.
“Verificamos que alguns equipamentos disponibilizados para UTI estavam vencidos e, de acordo com o fabricante, deveriam ter sido recolhidos para descarte há muito tempo. Precisamos ver se, de fato, esses equipamentos vieram para Bertioga e o motivo”, finaliza.
2 de 3Operação investiga se equipamentos usados em Bertioga estavam vencidos — Foto: Reprodução/TV Tribuna
Operação investiga se equipamentos usados em Bertioga estavam vencidos — Foto: Reprodução/TV Tribuna
Fraude no Amazonas
O Gaeco também apura coincidências com empresas relacionadas a um caso de fraude no Estado do Amazonas, no qual a ex-secretária de saúde de Bertioga foi presa no fim de junho, após assumir a Secretaria de Estado da Saúde.
A Polícia e o Gaeco encontraram indícios de que as empresas que prestaram serviços para Bertioga estão relacionadas com a ex-secretária. Porém, nada foi comprovado ainda.
O G1 entrou em contato com a Prefeitura de Bertioga, mas a administração municipal ainda não se posicionou sobre o assunto.
3 de 3Polícia Civil e Gaeco cumpriram mandados na residência do secretário de saúde de Bertioga — Foto: Nina Barbosa/G1
Polícia Civil e Gaeco cumpriram mandados na residência do secretário de saúde de Bertioga — Foto: Nina Barbosa/G1
