Pacientes relatam demora para atendimento no Luzia de Pinho Melo, em Mogi das Cruzes


Diretor clínico diz que implantação de novo sistema pode ter provocado demora e cita “classificação de risco” no Pronto Socorro. Pacientes reclamam da demora no atendimento no Hospital Luzia de Pinho Melo, em Mogi
Pacientes do Hospital Luzia de Pinho Melo, em Mogi das Cruzes, reclamam da demora para atendimento no local. Nos últimos dias, a TV Diário recebeu várias queixas relacionadas ao assunto e procurou entender o motivo das reclamações.
A aposentada Rosely Martins de Oliveira deu entrada no hospital no dia 12 deste mês, ao meio-dia. Ela tem lúpus e estava com dores.
“Eu fui passar pelo médico já eram umas 15h, e ele comprovou que era crise renal pelo exame que fez. Aí ele falou: aqui está tudo certo. Agora você aguarde para tomar a medicação. Por volta das 17h, eu já estava com dor o dia inteiro e perguntava toda hora para a enfermeira o porquê da demora e ela falava: é por causa do novo sistema. Tem que aguardar. Quando foi por volta de 19h30, fui reclamar novamente por causa da demora, porque já estava lá dentro fazia quase sete horas”, relatou.
A explicação que os enfermeiros deram para Rosely, segundo a paciente, foi de que haviam perdido a ficha dela no sistema.
“Falaram que, no prontuário deles, não constava que eu tinha passado por consulta. Aí me disseram: agora você aguarde mais um pouco e passe por consulta novamente para tomar a medicação de novo. Quando eram quase 20h, falei: não vou aguentar mais. Até esperar a nova equipe entrar, o medicamento. Aí eu vim embora e tomei a medicação em casa”.
Outro relato de demora no atendimento foi enviado pelo Alfredo Miguel Fernandes Silva. Ele estava acompanhando a esposa.
“Eu estou no Hospital Luzia de Pinho Melo desde as 16h. Minha esposa está com uma crise, ou seja, está com a hemoglobina muito baixa, correndo o risco de entrar em choque. Até agora não foi atendida. Só passou pela triagem e está encostada em um corredor, como tantos outros pacientes. Eles alegam que o sistema do hospital foi alterado e que dificultou todo o trabalho e todos os processos”, relatou Alfredo, em um vídeo gravado por ele.
Pacientes relataram demora no atendimento no Luzia de Pinho Melo
Reprodução/TV Diário
Cileide Baceto aguardou atendimento no corredor do hospital. Um vídeo mostra outros pacientes na mesma situação. Cileide está em tratamento contra o câncer e, por causa disso, sofre com anemia crônica.
“Eu vi reclamação de pessoas lá dentro, dizendo que eles correm com o paciente se tiver já em caso de vida ou morte. Aí eles correm. Ou seja, eles não tentam salvar a vida antes que entre em colapso”, falou Alfredo.
Pela internet, a reportagem da TV Diário conversou com o diretor clínico do hospital, Luiz Carlos Barbosa, que explicou que, no começo deste mês, foi trocado o sistema. O programa seria o mesmo usado em grandes hospitais.
“Provavelmente, em decorrência dessa implantação, o sistema depende de internet, cai, e às vezes acredito que possa ter acontecido alguma demora mesmo. No Pronto Socorro, nós temos uma classificação de risco também. Onde você viu ali o vídeo, ali é o pronto atendimento. Não é emergência. Ali são pessoas de uma complexidade muito menor. Então nós temos essa classificação de risco e o paciente espera mais tempo”, disse o diretor.
O diretor clínico explicou que, de todos os atendimentos feitos no hospital atualmente, 70% a 80% dos pacientes são de baixa complexidade.
“Azul e verde, esse pessoal demora mais para ser atendido. O azul demora, em média, quatro horas. Preferencialmente, é o paciente do vermelho ou do amarelo”.
A produção da TV Diário procurou a Secretaria Estadual da Saúde para saber mais sobre os dois casos. A secretaria respondeu que a paciente Cileide Silva foi devidamente atendida. Ela deu entrada na unidade no dia 13, às 17h30, passou por avaliação médica e recebeu uma bolsa de sangue. Foi mantida sob acompanhamento e, segundo a Secretaria, teve alta no dia 15, após uma melhora clínica.
Em relação à paciente Rosely de Oliveira, a Secretaria de Saúde afirma que não procede o relato de que a ficha dela teria sido perdida, até porque o Hospital Luzia de Pinho Melo trabalha com prontuário eletrônico. Ela deu entrada na unidade na última quarta-feira, mas, segundo a secretaria, não respondeu aos chamados para atendimento médico.

By Tribuna ABC

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