
Rescaldo de incêndio em complexo têxtil continuou durante o domingo em Americana
Atingido por um incêndio de grandes proporções na tarde de sábado (5) e que só foi controlado na madrugada de domingo (6), o Complexo Industrial Carioba possui um plano de prevenção a chamas aprovado, mas que não saiu do papel por falta de recursos em meio à pandemia do coronavírus.
Morgana Bellan, tesoureira e ex-presidente da Associação dos Permissionários da Carioba (Aspeca), informou à reportagem da EPTV, afiliada da TV Globo, que o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do estado (Condephaat) deu aval para o projeto no fim de 2019.
“O prédio é tombado, tanto a questão da fachada quanto de telhado, e aí precisaria fazer algumas adequações para fazer a implantação. (…) Já estava aprovado, mas no final do ano”, disse.
“Faltava a implantação, que a gente estaria correndo atrás de recurso para fazer. (…) Veio a pandemia, muita gente parou, a economia ruiu e a gente não teve condição de estar correndo atrás”.
O incêndio consumiu cinco dos 22 galpões históricos do complexo, que é tombado desde 2013 pelo Condephaat. Ao todo, a área possui 25 mil metros quadrados, sendo que cerca de 6 mil foram atingidos pelo fogo.
1 de 3Bombeiros atuam no trabalho de rescaldo em complexo de fábricas que pegou fogo em Americana — Foto: Cesar Cocco
Bombeiros atuam no trabalho de rescaldo em complexo de fábricas que pegou fogo em Americana — Foto: Cesar Cocco
O prejuízo material das empresas atingidas se soma ao valor histórico do complexo, que remonta as primeiras indústrias de tecelagem do estado de São Paulo, motivo pelo qual foi considerado patrimônio.
Para antigos moradores do bairro Carioba, a perda é entristecedora. “É uma perda da história nossa. A gente vê o passado da gente indo embora e o outros que vão chegando não vão saber o que é, ‘né’? Porque já está destruído”, analisa Sérgio Whitaker.
Empresas do complexo

Incêndio atinge complexo industrial histórico construído no século 19 em Americana
A área do complexo é da prefeitura, que mantém contratos com permissionários que possuem empresas de tecelagem ativas.
Ainda durante o incêndios, trabalhadores e empresários com unidades no complexo foram para frente da área em busca de informações. O galpão do empresário Josenias da Silva estava a cerca de oito metros de uma das fábricas atingidas.
“É questão de uns oito metros da outra que está pegando fogo. Fica aquela tensão, todo mundo que está aqui tem galpão, quem não tem é funcionário. Gera uma preocupação”, disse, ainda durante o incêndio.
2 de 3Incêndio de grandes proporções destruiu parte dos galpões históricos do Complexo Industrial Carioba, em Americana — Foto: Reprodução/EPTV
Incêndio de grandes proporções destruiu parte dos galpões históricos do Complexo Industrial Carioba, em Americana — Foto: Reprodução/EPTV
Já uma fábrica de tecidos hospitalares foi completamente destruída. Trabalhador que atua há 12 anos no local, o tecelão Carlos Alberto Júnior disse que, como a matéria-prima é algodão, o fogo se alastrou.
“Todas as paredes da estrutura desabaram. Infelizmente, os salões que foram atingidos não sobrou nada”, disse.
Na noite de domingo, a Prefeitura de Americana informou que fará uma reunião na terça-feira (8) com os permissionários para avaliar as perdas e definir quais medidas podem ser tomadas para reduzir os prejuízos, além do que pode ser recuperado.
A Defesa Civil interditou o local durante o trabalho dos bombeiros e a Polícia Científica periciou a área. A causa do incêndio será investigada.
3 de 3Imagem aérea mostra área atingida por incêndio em complexo de fábricas de Americana — Foto: Cesar Cocco
Imagem aérea mostra área atingida por incêndio em complexo de fábricas de Americana — Foto: Cesar Cocco
