1 de 4Alunos afirmam que postagens de cunho racista foram feitas por aluno de Direito de universidade em Santos, SP — Foto: Reprodução
Alunos afirmam que postagens de cunho racista foram feitas por aluno de Direito de universidade em Santos, SP — Foto: Reprodução
A Polícia Civil informou ao G1 nesta terça-feira (7) que instaurou inquérito policial (IP) para apurar o caso do estudante de Direito que compartilhou imagens racistas nas redes sociais. Após as publicações do aluno, jovens e a atlética do curso se revoltaram e fizeram postagens repudiando os ‘memes’ divulgados pelo rapaz. A universidade de Santos, no litoral paulista, encaminhou o caso ao Ministério Público (MP). Já o jovem afirmou que foi mal interpretado e que não é racista. Quase uma semana após a repercussão do caso, ele se desligou da faculdade.
Segundo o delegado titular da Delegacia Sede de Guarujá, Marco Antônio de Couto Perez, o inquérito está em fase de instrução. Nesta etapa, o delegado está colhendo os depoimentos das partes envolvidas no caso.
De acordo com a autoridade policial, se for comprovado que houve crime de racismo, acarretará em ação penal contra o investigado. “Foi instaurado IP nos termos da Lei 7.716/1989, crime de racismo, mais severamente punido do que a injúria racial, tendo o estudante como suspeito”, explica Perez.
2 de 4Imagens, segundo estudantes, foram compartilhadas por jovem estudante de Direito em seu status — Foto: Reprodução
Imagens, segundo estudantes, foram compartilhadas por jovem estudante de Direito em seu status — Foto: Reprodução
As imagens de cunho racista foram compartilhadas no status do WhatsApp do aluno do primeiro ano de Direito. Uma das publicações fazia referência à morte de George Floyd, ex-segurança que morreu após ser imobilizado por policiais em Minneapolis, nos Estados Unidos, em 25 de maio. A morte do ex-segurança gerou revolta e comoção e desencadeou uma série de protestos antirracismo e contra violência policial, nos EUA e em diversos outros países.
A imagem compartilhada pelo jovem mostrava Floyd depois de morto, agradecendo “por ter morrido e virado branco”. Também no status, o mesmo estudante compartilhou imagens em que demonstrava ser a favor do nazismo e afirmando que “quem luta contra o racismo não precisa ser negro, e sim burro”. Além disso, ele chegou a insinuar, por meio de fotos, que o DNA dos negros era formado por correntes.
Na época, ao G1, o autor das postagens afirmou que não é racista e que não teve a intenção de ofender ninguém. Ele alegou que foi mal interpretado e que conversaria individualmente com cada um dos alunos que estivessem dispostos a ouvir seu lado sobre o ocorrido.
Posteriormente, o estudante enviou um e-mail para a Reportagem, com um novo posicionamento, reforçando que não teve o intuito de ser racista. Veja abaixo na íntegra:
“Racista? Não. Nem agora, nem nunca. Porque discriminar alguém pelo tom de sua pele? Que sentido isso pode fazer? A minha ideia era colocar memes que virassem discussões, para que eu pudesse compartilhar minhas ideias de como combater esse mal. Errei. Não é momento para levantar hipóteses, é momento de se posicionar diretamente. Eu esperei que pudesse me posicionar, a partir dos questionamentos. Falar contra o racismo, dar meu ponto de vista de como eu vejo essa luta, que deveria ser de todos. Errei na forma, peço desculpas por isso. Peço desculpas a quem, sem querer, eu feri. Dentro de minha juventude, tentei fazer diferente, mas a fórmula saiu errada e todos os nossos erros têm um preço. Perdão. Essa lição fica para dentro de mim. Para sempre”.
3 de 4Estudante afirma que jovem postou foto de criança negra com cartaz afirmando não saber o que roubaria — Foto: Reprodução
Estudante afirma que jovem postou foto de criança negra com cartaz afirmando não saber o que roubaria — Foto: Reprodução
Apesar do que ele alega, nas postagens, segundo denunciado pelos estudantes ao G1, ele não dizia nada sobre conscientização. Uma colega do jovem chegou a dizer que ele foi debochado ao se justificar, riu, e não pediu desculpas.
Postagens geraram revolta
As postagens causaram revolta entre os alunos, que decidiram denunciar à universidade. A Atlética de Direito se posicionou sobre o caso, afirmou que entrou em contato com a reitoria da faculdade e pediu para que as devidas providências fossem tomadas.
A Universidade Católica de Santos (UniSantos) recebeu a denúncia e disse que estava apurando o caso, mesmo não tendo ocorrido no ambiente acadêmico. Um professor do curso de Direito encaminhou o caso para a Secretaria de Promotoria de Justiça Criminal e de Direitos Humanos. A Promotoria Criminal de Santos informou que a documentação foi recebida, protocolada, despachada e encaminhada a um dos promotores de Justiça com atribuição criminal.
No dia 25 de junho, o Centro Acadêmico Alexandre de Gusmão, representação estudantil da Faculdade de Direito da Universidade Católica de Santos, informou que o estudante solicitou o cancelamento da matrícula na universidade.
A UniSantos confirmou que o estudante pediu o cancelamento da matrícula, que o desligamento foi efetivado naquela data e, dessa forma, ele não compõe mais o quadro de discentes da instituição. A universidade também disse que formou comissão para avaliar o material postado pelo estudante e fez novo encaminhamento para o Ministério Público.
4 de 4Atlética emitiu nota de repúdio sobre postagens — Foto: Reprodução/Instagram
Atlética emitiu nota de repúdio sobre postagens — Foto: Reprodução/Instagram
