População recorre a empréstimos durante pandemia do coronavírus; veja dicas para superar dívidas

Cerca de 4 milhões pedem empréstimos no Brasil por causa da pandemia da Covid-19

Cerca de 4 milhões pedem empréstimos no Brasil por causa da pandemia da Covid-19

Uma pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que cerca de 4 milhões de brasileiros pediram empréstimo no mês de julho para combater a crise causada pela pandemia do coronavírus. A situação faz parte da realidade de moradores do Alto Tietê. Um especialista em economia dá dicas para gerir as finanças e superar as dívidas (veja no fim da reportagem).

Para boa parte da população, pagar as contas em dia não tem sido fácil. O dinheiro que entrava para Adriana Cândida Bicari, por meio das vendas de artesanato, quase zerou durante a quarentena. Sem essa renda, a situação financeira ficou complicada, mas ela não pode recorrer ao empréstimo.

“A gente acaba pagando o mais necessário. Por isso que estou com cartão de crédito sem pagar. A gente paga luz, água, mantimentos. Eu já estou com meu nome restrito, então não tem nem como pegar. Se tivesse como pegar, eu pegaria para poder estar quitando”, diz a artesã.

Pandemia do novo coronavírus afetou as finanças de muita gente — Foto: Reprodução/TV Diário 1 de 1
Pandemia do novo coronavírus afetou as finanças de muita gente — Foto: Reprodução/TV Diário

Pandemia do novo coronavírus afetou as finanças de muita gente — Foto: Reprodução/TV Diário

Muita gente acaba recorrendo a empréstimos. A pesquisa do IBGE mostra que dos brasileiros que tentaram pegar dinheiro emprestado 82% conseguiram.

Entre os que solicitaram e não conseguiram empréstimo, 59,2% pertencem às duas classes de rendimentos mais baixas, com ganhos mensais inferiores a um salário-mínimo.

Ainda segundo o levantamento, os pedidos de empréstimos mais frequentes foram para bancos e financeiras, com 75,7%.

“A pandemia gerou uma queda bruta na renda das famílias e, naturalmente, isso já era esperado, que as pessoas buscassem crédito em bancos ou outras formas de crédito no mercado. É um cenário preocupante, porque as pessoas estão assumindo compromissos de curto, médio e longo prazo e, dependendo do movimento da economia no país, pode causar diversos problemas para essas famílias que por ventura não conseguirem pagar esses empréstimos”, avalia Fábio Machado da Silva, especialista em economia do Instituto Federal de Suzano.

Ainda segundo a pesquisa, a proporção de domicílios do país que receberam algum auxílio emergencial relacionado à pandemia passou de 43% em junho para 44,1% em julho, com valor médio do benefício de R$ 896 por domicílio.

Edilaine faz parte desse público. “Eu compro comida para casa, que é o essencial. É só, porque é pouco”, diz a desempregada Edilaine Nunes de Souza.

Todo esse planejamento é importante porque, mesmo em meio às dificuldades, é preciso pensar muito bem antes de pedir um empréstimo.

O especialista em economia dá algumas dicas. “Antes de pedir um empréstimo é importante essa família revisar as suas despesas em casa. Então, quer dizer: o que dá para cortar em casa em termos de despesa? Dá para cortar algum gasto desnecessário, dá para reduzir o plano de internet, de telefone? Dá para economizar na conta de energia elétrica? Revisando essas despesas, é um primeiro momento antes de você se endividar”, comenta.

“Se você já tem dívidas, por exemplo, o cartão de crédito, a ideia, a estratégia é sempre você trocar uma dívida cara por uma dívida mais barata. Por exemplo, atrasar a fatura do cartão de crédito, vai gerar juros muito altos. Você pode não ter dinheiro para pagar o cartão de crédito, busca uma alternativa mais viável, mais barata, um crédito consignado, por exemplo, se você estiver empregado, ou um crédito pessoal se você não estiver empregado, para pagar esse cartão. Faça dinheiro antes de você pedir empréstimo”, diz Machado.

By Tribuna ABC

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