Prefeitura de Ilha Comprida, SP, pagou horas extras a servidores em dias que não existem, aponta TCE

Praia de Ilha Comprida antes da pandemia do novo coronavírus — Foto: Divulgação/Prefeitura de Ilha Comprida 1 de 3
Praia de Ilha Comprida antes da pandemia do novo coronavírus — Foto: Divulgação/Prefeitura de Ilha Comprida

Praia de Ilha Comprida antes da pandemia do novo coronavírus — Foto: Divulgação/Prefeitura de Ilha Comprida

O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) divulgou um levantamento que aponta irregularidades nas contas municipais na Prefeitura de Ilha Comprida, no litoral paulista, na gestão de 2018. Entre as inconsistências encontradas, está o pagamento de horas extras a funcionários em dias inexistentes no calendário, como 29, 30 e 31 de fevereiro.

De acordo com o TCE, foram encontradas irregularidades no pagamento a médicos plantonistas e do Programa Médico da Família, acima do teto salarial para o cargo. Além disso, o relatório apontou acúmulo irregular de cargos e funções de médicos que atuavam pelo município.

A conselheira Cristiana de Castro Moraes, na sessão da última terça-feira (7), apontou, na leitura do relatório, que houve assinatura do ponto de trabalho, no mesmo dia, em duas localidades com ‘distância considerável’ por parte do mesmo funcionário.

Conselheira Cristiana de Castro Moraes leu relatório em sessão online na última terça (7) — Foto: Reprodução 2 de 3
Conselheira Cristiana de Castro Moraes leu relatório em sessão online na última terça (7) — Foto: Reprodução

Conselheira Cristiana de Castro Moraes leu relatório em sessão online na última terça (7) — Foto: Reprodução

O TCE também questionou o número de cargos comissionados na cidade, que chega a 161 em um total de 643 servidores públicos. Desta forma, 25% da folha de pagamento municipal em 2018 foi destinada a funcionários sem concurso público indicados pelo prefeito à época, Geraldino Junior (PSDB). Segundo a conselheira, não houve quaisquer indicações das atividades desenvolvidas por esses funcionários.

Devido às inconsistências encontradas durante o levantamento, as contas municipais do exercício de 2018 foram rejeitadas pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo. “Evidente que havia um descontrole total da gestão de pessoal desse município”, concluiu a conselheira.

Geraldino Junior (PSDB), atual prefeito de Ilha Comprida, no Vale do Ribeira — Foto: G1 Santos 3 de 3
Geraldino Junior (PSDB), atual prefeito de Ilha Comprida, no Vale do Ribeira — Foto: G1 Santos

Geraldino Junior (PSDB), atual prefeito de Ilha Comprida, no Vale do Ribeira — Foto: G1 Santos

Procurada pelo G1, a Prefeitura de Ilha Comprida afirmou, em nota, que o parecer do Tribunal de Contas do Estado (TCE) levou em consideração apontamentos de ordem formal com registros equivocados de controle, que não representaram danos ao erário público. Segundo o município, todos os apontamentos foram devidamente esclarecidos pela administração, razão pela qual a Procuradoria do Tribunal de Contas do Estado emitiu parecer favorável às contas.

Nos esclarecimentos, a administração municipal destacou que o Departamento Municipal de Saúde disponibilizou prontuários médicos e fichas de atendimento aos usuários que comprovam, em detalhes, a realização de todos os plantões médicos contratados pelo município.

Além disso, os apontamentos analisam, segundo a prefeitura, registros pontuais equivocados no controle, mas que não ensejaram dano ao patrimônio, em nenhum momento. A prefeitura afirma que não houve pagamento de horas extras inexistentes a profissionais de saúde do município de Ilha Comprida, nem em dias inexistentes. Segundo a nota, documentos comprovam os fatos.

O significativo investimento na saúde, apontado pelo relatório do TCE, leva em consideração o atendimento à população local com eficácia e à flutuante que chega, em temporada de verão, a 300 mil pessoas, conclui a prefeitura.

By Tribuna ABC

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