Testes rápidos são utilizados em ações promovidas pela Prefeitura de Santos, SP — Foto: Vanessa Rodrigues/Jornal A Tribuna
Testes rápidos são utilizados em ações promovidas pela Prefeitura de Santos, SP — Foto: Vanessa Rodrigues/Jornal A Tribuna
A Secretaria de Saúde de Santos, no litoral de São Paulo, está tentando devolver as 11 mil unidades restantes dos testes rápidos de Covid-19 adquiridos no fim de junho, após os exames apresentarem altos índices de resultados falsos positivos e negativos. A administração municipal enviou, ainda, um parecer técnico à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que atestou qualidade e eficácia do modelo.
Os testes rápidos utilizados desde julho na cidade são de uma marca diferente das testagens anteriores, de acordo com a prefeitura. A troca foi feita para que fosse possível identificar se o paciente já havia tido contato com o novo coronavírus ou se ainda poderia transmiti-lo. A marca anterior identificava os dois tipos de anticorpos, mas não indicava qual estava presente no organismo da pessoa testada.
Segundo informado pela Secretaria de Saúde ao G1 nesta segunda-feira (10), os testes do modelo Leccurate, da Lepu Medical Technology, não serão mais utilizados no município. Eles foram usados na Câmara Municipal na última quarta-feira (4), quando 42% dos funcionários testados receberam resultado positivo para Covid-19. Os resultados foram avaliados pela pasta como ‘fora do padrão habitual’.
Paço Municipal de Santos — Foto: Anderson Bianchi/Prefeitura de Santos
Paço Municipal de Santos — Foto: Anderson Bianchi/Prefeitura de Santos
A Secretaria de Saúde enviou um parecer técnico à Anvisa, que atestou a qualidade e eficácia dos testes, e também comunicou o Grupo de Vigilância Epidemiológica (GVE), do governo estadual. A empresa fornecedora (Aura Med) também está sendo notificada pela pasta sobre a devolução dos recursos.
A secretaria ressalta, ainda, que novas blitze com testes rápidos serão realizadas, mas com outros tipos de modelos. As pessoas com sintomas de Covid-19 devem procurar a rede de saúde, onde pode ser feito o teste laboratorial (RT-PCR).
Testagem na Câmara
A questão foi levantada após 42% dos funcionários testados na Câmara Municipal de Santos apresentarem resultado positivo para o vírus. Dos 329 funcionários, 40 foram positivados para o novo coronavírus, sendo que 71 funcionários estariam com o vírus ainda ativo no corpo e seriam capaz de transmitir a outras pessoas. As atividades legislativas foram suspensas até que fossem realizados novos testes.
À época, a Prefeitura de Santos afirmou, por meio de nota, que o uso destes testes seria reavaliado de acordo com os índices de resultados falsos. “Se houver índice de falsos positivos superior ao indicado pelo fabricante do teste, o município poderá suspender novas compras deste modelo”, dizia o texto.
O lote de testes rápidos utilizados na Câmara Municipal contava com 13 mil unidades, das quais foram usadas apenas 1,8 mil. As unidades restantes devem ser devolvidas ao fabricante.
