Prefeitura de SP suspende contrato de terceirização do Hospital do Campo Limpo após determinação do TCM

Prefeitura suspende contrato para gestão do pronto-socorro do Hosp. do Campo Limpo

Prefeitura suspende contrato para gestão do pronto-socorro do Hosp. do Campo Limpo

A Prefeitura de São Paulo suspendeu nesta quarta-feira (19) o contrato que havia assinado com o Hospital Albert Einstein para terceirização da gestão do Hospital Municipal do Campo Limpo, na Zona Sul de São Paulo, seguindo uma nova determinação do Tribunal de Contas do Município (TCM).

Em julho, a prefeitura anunciou que passaria a administração do hospital à Entidade Beneficente Albert Einsten, que seria responsável pelo Pronto-Socorro, UTI Adulto e Pediátrica, Centro Cirúrgico, clínicas Ortopédica e Médica e leitos da internação e atendimentos ambulatoriais, a partir do dia 1º de agosto.

O acordo, no entanto, seria feito por meio de um aditivo no valor de R$ 114,4 milhões a um contrato já existente com a entidade relacionado à administração da Unidade de pronto Atendimento (UPA) anexa ao hospital, sem abertura de nova licitação.

Na sexta-feira (14), o TCM suspendeu a terceirização com base em um processo que investiga possíveis irregularidades como ausência de chamamento público, possível “emergência fabricada” para permitir a terceirização dos atendimentos e falta de documentos que comprovem vantagem da prefeitura no processo.

A Prefeitura, no entanto, alterou a natureza do documento de “termo aditivo” para “termo de colaboração” e assinou mesmo assim o acordo com o Einstein, que chegou a iniciar a gestão do hospital.

Na terça-feira (18), nova recomendação do TCM determinou que o termo de colaboração também fosse suspenso até que o tribunal analisasse os documentos e respostas em relação aos questionamentos sobre as possíveis irregularidades.

Em nota, a Prefeitura de São Paulo afirmou que “respeita, vai acatar a deliberação e esclarecerá todos os questionamentos do Tribunal de Contas do Município (TCM), mas discorda da decisão”.

A gestão Bruno Covas (PSDB) afirma ainda que “procedimentos médicos serão diretamente prejudicados” e que “deixará 1.500 profissionais de saúde sem emprego.” (leia a íntegra abaixo)

Chuva no hospital

A chuva do fim de semana expôs a precariedade da estrutura do Hospital do Campo Limpo

A chuva do fim de semana expôs a precariedade da estrutura do Hospital do Campo Limpo

Neste domingo (16), a chuva que atingiu São Paulo molhou equipamentos do Hospital do Campo Limpo. Dez pacientes foram remanejados de uma ala para outra do hospital.

Vídeos feitos dentro do hospital mostram o estacionamento das ambulâncias com uma enxurrada de água que atinge cadeiras de rodas e macas (veja acima). Outro vídeo mostra uma das enfermarias com poças d’água e goteiras no teto. Segundo um funcionário, alguns pacientes desse setor foram transferidos de quartos pois as goteiras molharam os leitos onde estavam.

Segundo a Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal da Saúde, “o hospital passa por reformas, inclusive para a impermeabilização do telhado. O término dos trabalhos está previsto para ocorrer até dezembro.”

“Com as chuvas de ontem, sábado (15), por precaução, dez pacientes foram rapidamente remanejados para outra ala da Unidade. Os equipamentos atingidos (macas e cadeiras de rodas) ficam do lado externo do hospital para atender prontamente os pacientes que chegam de ambulância”, diz a nota.

Veja a íntegra da nota da Prefeitura desta quarta-feira

“A Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal da Saúde, respeita, vai acatar a deliberação e esclarecerá todos os questionamentos do Tribunal de Contas do Município (TCM), mas discorda da decisão porque o resultado prático é que o atendimento na região do Campo Limpo será muito prejudicado e num momento em que a cidade de São Paulo permanece em quarentena em função da pandemia do coronavírus. O processo para gestão do pronto-socorro do Hospital Municipal Dr. Fernando Mauro Pires da Rocha é legal, foi firmado com a Instituição Israelita Albert Einstein, que é referência em medicina e atendimento hospitalar, e realizado para garantir o atendimento de toda população de Campo Limpo e região.

A SMS informa que, com aceitação da representação movida por vereadores da bancada do PT na Câmara Municipal junto ao TCM, procedimentos médicos serão diretamente prejudicados em Campo Limpo, na Zona Sul. Além de impedir a ampliação das cirurgias emergenciais e impedir o fortalecimento de uma linha de urgência e emergência, especificamente neste bairro da Zona Sul de São Paulo, deixará 1.500 profissionais de saúde sem emprego — médicos, intensivistas, cirurgiões, psicólogos, enfermeiros, técnicos, entre várias outras especialidades.

Para se ter ideia, somente nas últimas 48 horas foram realizadas 26 cirurgias de urgência outras 14 eletivas e mais de 300 atendimentos no Pronto Socorro da Unidade hospitalar.

A SMS esclarece que o atendimento na Unidade não será interrompido enquanto houver pacientes internados e a conveniada vai manter os serviços para a plena segurança e saúde dos atendidos”.

By Tribuna ABC

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