
Prefeitura de SP suspende licitações para compra de insumos na área da saúde
Um dia após a operação da Polícia Federal (PF) sobre suspeitas de fraudes na compra de aventais hospitalares na capital paulista, o prefeito Bruno Covas (PSDB) suspendeu todas as licitações em fase inicial da secretaria da Saúde relacionadas à Autarquia Hospitalar Municipal.
A medida foi confirmada à TV Globo nesta sexta-feira (7) e ocorre também uma semana após ele sancionar a lei da reforma administrativa que acaba com a autarquia responsável por 11 hospitais da cidade.
Segundo o secretário municipal de Saúde, Édson Aparecido, na semana que vem deve ser publicado um novo decreto estabelecendo a reorganização administrativa da secretaria de Saúde.
Com a mudança, a gestão dos hospitais passa a ser diretamente ligada à pasta e não mais de maneira indireta.
Entre os administrados pela autarquia está o Tide Setubal, na zona leste da capital, que foi um dos que ficaram sobrecarregados durante a pandemia da Covid 19.
Operação Nudus
A PF realizou na quinta-feira (6) a Operação Nudus, que apura contratos da prefeitura de São Paulo. Ela investiga fraudes em duas contratações emergenciais de 600 mil aventais descartáveis realizadas pela Autarquia Hospitalar da cidade, que é ligada à Secretaria Municipal de Saúde.
A PF descobriu que a chefe do setor de compras da autarquia hospitalar municipal é namorada do dono da empresa responsável pelo fornecimento dos aventais.
Na quinta, durante a Operação Nudus, equipes da PF estiveram nos endereços dos dois. Ambos não estavam em casa. Os investigadores descobriram que o empresário estava internado num hospital da capital e que a mulher estava junto, acompanhando ele. Os dois tiveram os celulares apreendidos.
A Polícia Federal também recolheu uma amostra dos aventais. Uma das alegações para o alto custo do produto é que ele tem proteção contra bactérias. Agora, a PF quer mandar os aventais para perícia, e verificar se eles têm mesmo essa proteção ou se isso também era uma fraude.
Na tarde de quinta, o controlador-geral do município, João Manoel Scudeler de Barros mandou um ofício ao Tribunal de Contas da União (TCU) pedindo documentos e provas sobre as constatações do órgão e da PF a respeito dos desvios investigados em dois contratos que totalizam R$ 11 milhões.
Segundo ele, isso será usado em investigação interna para responsabilizar servidores públicos e empresas envolvidas nos supostos crimes.

PF faz operação contra fraudes em licitações na área da saúde no estado
