1 de 10Ao avistar um bem-te-vi fica fácil entender de onde seu nome surgiu: canto inconfundível — Foto: Rudimar Narciso Cipriani
Ao avistar um bem-te-vi fica fácil entender de onde seu nome surgiu: canto inconfundível — Foto: Rudimar Narciso Cipriani
Quem é que não sabe identificar um bem-te-vi, não é mesmo? Considerada uma das aves mais populares do Brasil, ela é facilmente reconhecida pela vocalização, que deu origem ao seu nome e, claro, pelo seu traje característico: dorso castanho, ventre amarelo, garganta branca, cabeça preta com listras brancas e penas amarelas no topo que só ficam em evidência em alguns momentos.
Mas apesar de ser aparentemente reconhecida pela grande maioria da população, esta espécie da família dos tiranídeos, merece um capítulo à parte. Isto porque é comum ouvir relatos distintos sobre ela. Quem nunca escutou alguém dizendo “eu vi um bem-te-vi anão esses dias” ou até: “olha só que bem-te-vi grandão, esse tem um bico enorme!”.
Essas análises curiosas revelam um fato que nem todo mundo sabe. No Brasil não existe um único bem-te-vi, mas vários! Pelo menos onze espécies distintas podem ser encontradas em nosso território. E apesar de algumas apresentarem grandes semelhanças, cada uma possui particularidades.
2 de 10Bem-te-vi é uma das aves mais populares do Brasil; espécie é confundida com outros parentes — Foto: Ananda Porto/TG
Bem-te-vi é uma das aves mais populares do Brasil; espécie é confundida com outros parentes — Foto: Ananda Porto/TG
O que também dificulta um pouco esta compreensão dos bem-te-vis é que, em cada região, as espécies têm nomes populares distintos e, muitas vezes, isso pode confundir. Mas de uma maneira geral, pode-se dizer que o bem-te-vi (Pitangus sulphuratus) possui vários “primos” que também levam seu nome, como: bem-te-vi-barulhento, bem-te-vi-de-copa, bem-te-vi-de-barriga-sulfúrea, bem-te-vi-de-cabeça-cinza, bem-te-vi-pequeno, bem-te-vi-pirata e bem-te-vi-rajado.
Existem ainda os parentes que são relativamente menores, recebem o nome popular no diminuitivo e são muito semelhantes, como o bentevizinho-de-asa-ferrugínea, bentevizinho-do-brejo e bentevizinho-de-penacho-vermelho. Este trio apresenta a plumagem quase idêntica e por isso são as espécies alvo de confusão.
Mas as semelhanças não param por aí. O neinei, também conhecido como bem-te-vi-bico-de-gamela, ou bem-te-vi-do-bico-chato é um dos parentes mais comuns de serem confundidos com o “verdadeiro” bem-te-vi. A principal diferença entre eles está no tamanho do bico, que é bem mais robusto no primo, e também na voz, que é estridente e parece dizer “neinei”, por isso o nome popular da espécie.
3 de 10Pelo menos outras quatro aves podem ser confundidas com o bem-te-vi — Foto: Ilustração Tomas Sigrist/ Arte TG
Pelo menos outras quatro aves podem ser confundidas com o bem-te-vi — Foto: Ilustração Tomas Sigrist/ Arte TG
Uma ave que muitas pessoas acreditam que seja filhote de bem-te-vi, devido ao tamanho e a plumagem, mas não pertence à família é a cambacica, também conhecida como sebinho, ou caga-sebo. Se de longe essas espécies são quase iguais, de perto é possível notar diferenças, mesmo que minuciosas. Além da aparência, é possível perceber a diferença entre algumas a partir do canto, e também pela área de ocorrência.
4 de 10Bem-te-vi pode ser encontrado em todo o país — Foto: Ananda Porto/TG
Bem-te-vi pode ser encontrado em todo o país — Foto: Ananda Porto/TG
Bem-te-vi (Pitangus sulphuratus)
Mede pouco mais de 20 centímetros, é conhecido popularmente como bem-te-vi-verdadeiro, ou bem-te-vi-de-coroa, por apresentar penas amarelas no topo da cabeça e quando eriça essas penas elas se assemelham à uma coroa. Tem o canto característico em que parece dizer “bem-te-vi”, daí a origem do nome da ave.
Pode ser visto sozinho ou aos pares. Alimenta-se de insetos, frutos e até filhote de outras aves. É uma ave valente, comum de ser observada espantando tucanos e até aves de rapina em voo. Distribui-se por todo o Brasil e é encontrado com facilidade dentro de áreas urbanas.
5 de 10Bem-te-vi-pequeno é uma das espécies confundidas com o bem-te-vi “verdadeiro” — Foto: Carlos Gussoni
Bem-te-vi-pequeno é uma das espécies confundidas com o bem-te-vi “verdadeiro” — Foto: Carlos Gussoni
Bem-te-vi-pequeno (Conopias trivirgatus)
Como o próprio nome popular diz, é uma espécie relativamente pequena se comparada ao “verdadeiro”. Mede pouco mais de 10 centímetros. Apresenta a plumagem característica do bem-te-vi, exceto por não possuir penas brancas na região da garganta. Assemelha-se ainda com o bem-te-vi de copa, porém não tem o tom amarelo no topo da cabeça. Ocorre no Sudeste da Bahia a Santa Catarina e na Amazônia. Pode ser observado em bandos mistos.
6 de 10Apesar de parecer com o verdadeiro, bem-te-vi-da-copa ocorre exclusivamente na região Amazônica — Foto: Tomaz Melo
Apesar de parecer com o verdadeiro, bem-te-vi-da-copa ocorre exclusivamente na região Amazônica — Foto: Tomaz Melo
Bem-te-vi-da-copa (Conopias parvus)
Com cerca de 15 centímetros esta espécie é facilmente confundida com o bem-te-vi “verdadeiro” e também com o bem-te-vi-pequeno. A principal diferença entre o último é que o bem-te-vi-da-copa tem penas amarelas no píleo. A dificuldade é identificar esse detalhe, que nem sempre fica em evidência. Assim como os demais parentes se alimenta de insetos. É uma ave amazônica, habita o interior de florestas úmidas, clareiras e matas secundárias. Pode ser avistado sozinho, aos pares ou em bandos mistos. Distribui-se no Acre, Amapá, Amazonas, Pará e Roraima.
7 de 10Nenei possui um bico avantajado se comparado ao bem-te-vi verdadeiro — Foto: Carlos Gussoni
Nenei possui um bico avantajado se comparado ao bem-te-vi verdadeiro — Foto: Carlos Gussoni
Neinei (Megarynchus pitangua)
Com pouco mais de 20 centímetros, este é um dos parentes mais confundidos com o bem-te-vi. Apresenta a plumagem característica, porém se difere principalmente pela vocalização e pelo tamanho do bico, que é avantajado, mas dependendo do ângulo não dá para notar esse detalhe. Se alimenta de insetos, frutos, lagartos e filhotes de outras aves. É considerada uma espécie mais arisca que o bem-te-vi “verdadeiro”. Canta em dueto e em algumas regiões é migratório. Distribui-se por todo o Brasil.
8 de 10Bentevizinho-de-penacho-vermelho possui bico e cabeça menores ao bem-te-vi verdadeiro — Foto: Carlos Gussoni
Bentevizinho-de-penacho-vermelho possui bico e cabeça menores ao bem-te-vi verdadeiro — Foto: Carlos Gussoni
Bentevizinho-de-penacho-vermelho (Myiozetetes similis)
Pode medir até 18 centímetros. Com porte menos avantajado, é confundido com o bem-te-vi por apresentar a plumagem semelhante. Como o nome popular diz, esta ave tem penas em tons vermelho no topo da cabeça, porém só são notadas quando eriçadas. O bico é menor se comparado ao do primo. Alimenta-se de insetos e pode ser visto aos pares ou em pequenos grupos. Distribui-se por quase todo o Brasil.
9 de 10Bentevizinho-do-brejo apresenta o bico mais fino e alongado — Foto: Carlos Gussoni
Bentevizinho-do-brejo apresenta o bico mais fino e alongado — Foto: Carlos Gussoni
Bentevizinho-do-brejo (Philohydor lictor)
Assim como outros parentes, esta espécie se assemelha ao bem-te-vi, por apresentar o mesmo traje característico, inclusive as penas amarelas no topo da cabeça. Mede cerca de 18 centímetros e pode ser diferenciado por apresentar um bico comprido e fino. Como o próprio nome diz, esta ave está associada às margens de rios e lagos. Pode ser observada aos pares ou em pequenos grupos familiares. Ocorre em quase todo o Brasil, exceto em alguns estados do Nordeste e no Sul do país.
10 de 10Bentevizinho-de-asa-ferrugínea pode ser visto aos pares ou pequenos grupos — Foto: Tomaz Melo
Bentevizinho-de-asa-ferrugínea pode ser visto aos pares ou pequenos grupos — Foto: Tomaz Melo
Bentevizinho-de-asa-ferrugínea (Myiozetetes cayanensis)
Possui as mesmas características do bem-te-vi verdadeiro, podendo ser distinguido por pequenas características. Com pouco mais de 16 centímetros esta espécie apresenta parte da asa em tom ferrugem, porém nem sempre é fácil de visualizar. Uma forma de identificá-la dos demais é pela vocalização. Pode ser encontrado em quase todo o país, com exceção de áreas no Nordeste e também ao Sul do Brasil. Vive em áreas próximas à água e tem o hábito de dormir em grupo.
