Serviço de entrega com bicicleta se torna alternativa de renda para trabalhadores no Alto Tietê durante a pandemia

Sem trabalho, moradores do Alto Tietê apostam em entregas para ter renda na pandemia

Sem trabalho, moradores do Alto Tietê apostam em entregas para ter renda na pandemia

Além dos problemas relacionados à saúde, a pandemia do novo coronavírus vem impactando a economia e, consequentemente, a vida financeira das famílias. Com a renda afetada, a opção de muitos foi apostar no delivery, um serviço que disparou nos últimos meses.

O aumento se confirma pela quantidade de motociclistas que circulam pelas ruas. No entanto, os profissionais da área mostram que também é possível ganhar dinheiro com entrega usando outro veículo de duas rodas: a bicicleta.

Já faz tempo que Daniel Roberto Soares tem um relacionamento sério com a bicicleta, sua fiel companheira. Ela já foi brinquedo, na adolescência virou esporte, com o tempo se tornou um hobby e agora é profissão.

O representante comercial viu a renda da família despencar com a pandemia. Então, resolveu tirar um antigo projeto da gaveta: ser bike courier. Por dia, ele atende uma média de seis clientes e anda até 50 quilômetros.

“A aceitação é muito boa. O pessoal costuma simpatizar bastante com a ideia. Eles acham muito legal eu usar a bicicleta e não um automotor para fazer as entregas, porque, de certa forma, isso faz com que o nosso cliente pense a respeito da própria saúde, até como maneira de fomentar o uso da bicicleta, não só como esporte, mas também como meio de transporte, que eu acho que é fundamental nos dias de hoje”.

Bicicleta é uma importante ferramenta de trabalho para muitas pessoas — Foto: Reprodução/TV Diário 1 de 2
Bicicleta é uma importante ferramenta de trabalho para muitas pessoas — Foto: Reprodução/TV Diário

Bicicleta é uma importante ferramenta de trabalho para muitas pessoas — Foto: Reprodução/TV Diário

Para se proteger no trânsito, além da atenção, ele usa os sinais para se comunicar com os motoristas e não esquece os tradicionais equipamentos, como capacete, o colete refletor e agora a máscara. Daniel também usa camiseta de manga longa para se proteger do sol. Porém, além disso tudo, para ele, é preciso que as pessoas vejam a bicicleta como meio de transporte, e não só como lazer.

“Existe uma carência muito grande de educação por parte do motorista de que a via tem que ser compartilhada com bicicleta. A bicicleta não é brinquedo. Ela é um meio de transporte. Então eu tenho tanto direito do uso da via com a bicicleta quanto um carro, por exemplo”.

Um mapeamento divulgado em junho pela Associação Brasileira do Setor de Bicicletas mostra que, no ano passado, o Brasil tinha 66 empresas neste segmento, e 61% delas estavam na região Sudeste. Segundo a associação, só na região metropolitana de São Paulo, estão cadastradas 26 empresas, e metade delas opera com frota entre uma a cinco bicicletas.

Jhonatan da Silva Sales, que é auxiliar confeiteiro, dá suas pedaladas profissionalmente desde antes da pandemia, no fim do ano passado. Ele conta que, neste período de quarentena, viu o número de colegas dobrar buscando uma oportunidade de renda usando a bicicleta. Segundo Jhonatan, com muito empenho, é possível tirar um trocado, mas, como toda profissão, também tem suas vantagens e desvantagens.

“A vantagem é que a gente tem o horário que a gente pode fazer. Como trabalhamos com metas, tem que bater a meta. E a gente não é obrigado a vir todos os dias. Dia em que estiver chovendo ou temos que resolver alguma coisa. Tem essa vantagem do horário. A dificuldade é que, às vezes, não tem muito lugar para a gente ficar. Na chuva tem que procurar um lugar, e o pessoal às vezes acha ruim.”

Jhonatan falou sobre vantagens e desvantagens do trabalho — Foto: Reprodução/TV Diário 2 de 2
Jhonatan falou sobre vantagens e desvantagens do trabalho — Foto: Reprodução/TV Diário

Jhonatan falou sobre vantagens e desvantagens do trabalho — Foto: Reprodução/TV Diário

Para o diretor executivo da Associação Brasileira, o segmento tem um potencial enorme e pode crescer muito, mas, para isso, falta a legislação e mais segurança.

“Primeiro, ter uma legislação de resguardo às questões trabalhistas, que são fundamentais. E uma legislação que deve ser implementada nas cidades, especialmente, de promover as entregas de bicicleta, fazendo com que a gente tenha melhores infraestruturas para a circulação. Para que tenhamos infraestrutura no destino, de modo que os entregadores não fiquem à mercê, sem um lugar para parar e condicionar sua bicicleta. Para que tenhamos condições, no sistema viário, de criar bolsões para que as bicicletas possam estacionar, especialmente bicicletas cargueiras, que muitas vezes ocupam espaços muito grandes. A gente tem, de uma certa forma, que buscar legislações, e estamos buscando isso aqui em São Paulo”, falou Daniel Guth.

Com tantos desafios, o que mais esses profissionais pedem é respeito. Para muitos, essas pedaladas representam oportunidade de renda. “É uma excelente oportunidade de complemento de renda. E, claro, com uma mente empreende, com um bom plano de negócio, isso pode se transformar em um negócio e em um projeto para a própria vida da pessoa”, disse Daniel Soares.

By Tribuna ABC

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