1 de 9Funcionários do hospital Igesp, na Bela Vista, região central de São Paulo, atendem paciente internado com coronavírus (Covid-19) — Foto: Divulgação/Igesp
Funcionários do hospital Igesp, na Bela Vista, região central de São Paulo, atendem paciente internado com coronavírus (Covid-19) — Foto: Divulgação/Igesp
Após alta provocada pelo novo coronavírus, a taxa de ocupação dos leitos privados na cidade de São Paulo começou a cair na segunda quinzena de junho, segundo análise feita pelo pesquisador Marcio Bittencourt, do Centro de Pesquisa Clínica e Epidemiológica do Hospital Universitário da USP. A pesquisa foi feita com hospitais privados selecionados na cidade, nos quais o pesquisador teve acesso à série histórica de dados de ocupação.
O resultado da pesquisa é corroborado por estimativas do SindHosp. O sindicato de hospitais particulares afirma que a taxa de ocupação na Grande São Paulo está em queda e chegou a cerca de 45% do total dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) nesta semana.
A análise feita pelo professor Marcio Bittencourt mostra que, no município de São Paulo, houve queda na ocupação de leitos privados pela primeira vez a partir da segunda quinzena de junho. Sua análise leva em conta tanto UTIs quanto enfermarias.
2 de 9Taxa de ocupação de leitos privados na cidade de SP — Foto: Arte G1/Centro de Pesquisa Clínica e Epidemiológica do Hospital Universitário da USP
Taxa de ocupação de leitos privados na cidade de SP — Foto: Arte G1/Centro de Pesquisa Clínica e Epidemiológica do Hospital Universitário da USP
Alguns hospitais privados procurados pelo G1 confirmam que houve queda na ocupação de leitos para Covid-19. O Hospital Igesp, na região central da capital, disse que trabalha atualmente com ocupação de 60% nos leitos de UTI e 50% nos apartamentos. No dia 6 de junho, a ocupação chegou a ser de 90%.
Já o Hospital Vila Nova Star tem uma média de 90% de ocupação na UTI e 70% nos leitos comuns. “Em meados de junho, esse percentual chegou a 100% de ocupação dos leitos de Covid-19″, disse a assessoria de imprensa da unidade.
O hospital São Luiz Unidade Jabaquara, que tem hoje 62% de ocupação, também chegou a ter períodos de 100% de ocupação da UTI no final de março e início de abril. Já o Sírio Libanês afirma que em nenhum momento atingiu 100% de ocupação, mas que os maiores índices ocorreram também no final de março e início de abril. Hoje, o local tem ocupação entre 50% e 87% do total, a depender do tipo de leito.
Apesar de não divulgar quais hospitais fizeram parte de sua análise, Bittencourt afirma que os dados mostram uma queda geral, que não é concentrada em estabelecimentos específicos.
3 de 9Funcionário do hospital Igesp, na Bela Vista, região central de São Paulo, em área reservada para pacientes com coronavírus (Covid-19) — Foto: Divulgação/Igesp
Funcionário do hospital Igesp, na Bela Vista, região central de São Paulo, em área reservada para pacientes com coronavírus (Covid-19) — Foto: Divulgação/Igesp
“Há algumas semanas a ocupação de leitos privados estava num platô, não havia consistência de cair, às vezes, caía em um hospital e não em outro, então eu esperei bastante pra confirmar que havia uma queda sustentada”, destacou Bittencourt.
Segundo ele, a queda poderia ter ocorrido antes e ter sido mais substancial se não fosse a procura de pacientes de fora da capital.
“Não é possível calcular quanto, mas sabemos que há um percentual considerável de pacientes de fora da cidade, tem gente que vive na região metropolitana, mas o convênio só cobre hospital da capital, e tem gente que vem de fora da Grande SP”, avalia.
4 de 9Movimentação de médicos e enfermeiros na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Municipal de Osasco, na Grande São Paulo, nesta quarta-feira, 10 de junho de 2020, onde estão sendo tratados pacientes em estado grave de Covid-19, transmitido pelo Coronavírus. No momento, Osasco tem cerca de 50% de leitos de UTI ocupados. — Foto: MISTER SHADOW/ASI/ESTADÃO CONTEÚDO
Movimentação de médicos e enfermeiros na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Municipal de Osasco, na Grande São Paulo, nesta quarta-feira, 10 de junho de 2020, onde estão sendo tratados pacientes em estado grave de Covid-19, transmitido pelo Coronavírus. No momento, Osasco tem cerca de 50% de leitos de UTI ocupados. — Foto: MISTER SHADOW/ASI/ESTADÃO CONTEÚDO
Caso a pandemia avance muito rapidamente no interior do estado, a procura por leitos privados na capital pode aumentar, alerta o médico.
“Se piorar no resto do estado, pode haver esse perfil de pacientes de fora aqui na capital. Enquanto eles tiverem vaga [no interior], virão para cá os pacientes que sempre vêm, mas se ficar sem vaga lá, vai aumentar [a procura na capital], porque é perto, é fácil de vir, e muito convênio cobre”, destaca.
Leitos públicos e UTIs
A análise feita com dados oficiais da Prefeitura de São Paulo também mostra queda na ocupação de leitos de hospitais municipais e de leitos de hospitais de campanha, mas a diminuição na ocupação não é homogênea.
Segundo Bittencourt, a queda é lenta e gradual nos leitos privados e nos municipais, e mais rápida nos hospitais de campanha, que têm apenas leitos do tipo enfermaria.
5 de 9Taxa de ocupação de leitos municipais (enfermaria e UTI) na cidade de SP — Foto: Arte G1/Centro de Pesquisa Clínica e Epidemiológica do Hospital Universitário da USP
Taxa de ocupação de leitos municipais (enfermaria e UTI) na cidade de SP — Foto: Arte G1/Centro de Pesquisa Clínica e Epidemiológica do Hospital Universitário da USP
Bittencourt explica que a queda na taxa de ocupação dos hospitais de campanha ocorreu antes, a partir do final de maio. Para o médico, trata-se um movimento natural na gestão de leitos durante uma emergência sanitária.
“O meu entendimento é que o hospital de campanha é uma reserva de emergência, que a gente usa quando precisa. Se tem leito disponível no hospital normal, você tira primeiro de hospital de campanha, não têm sentido pagar uma estrutura que não precisa ser usada. Se a gente tem onde internar nos públicos e vou esvaziando o de campanha”, afirma.
6 de 9Taxa de ocupação de hospitais de campanha municipais na cidade de SP — Foto: Arte G1/Centro de Pesquisa Clínica e Epidemiológica do Hospital Universitário da USP
Taxa de ocupação de hospitais de campanha municipais na cidade de SP — Foto: Arte G1/Centro de Pesquisa Clínica e Epidemiológica do Hospital Universitário da USP
Na análise apenas dos leitos de UTIs municipais, praticamente não há queda ainda, porque estes pacientes ficam mais tempo internados, de acordo com o médico.
“Um paciente em UTI com coronavírus fica, em média 7, 14, até 21 dias internado. Uma vez que entra, demora a sair do aparelho, então o uso de UTIs, ele não cai junto com leitos. Tem um delay [atraso]. Pra começar a cair [o uso de leitos com equipamento de] ventilação demora mais. Eu não vejo a queda ainda, o que mostra que ainda estamos no começo da queda, não estamos no final da queda”, explica.
7 de 9Taxa de ocupação de leitos de UTI municipais na cidade de SP — Foto: Arte G1/Centro de Pesquisa Clínica e Epidemiológica do Hospital Universitário da USP
Taxa de ocupação de leitos de UTI municipais na cidade de SP — Foto: Arte G1/Centro de Pesquisa Clínica e Epidemiológica do Hospital Universitário da USP
Mortes por semana em SP
8 de 9Reabertura do comércio de rua no Centro de SP — Foto: Fábio Tito/G1
Reabertura do comércio de rua no Centro de SP — Foto: Fábio Tito/G1
O estado de São Paulo registrou 36 mortes por Covid-19 a menos na última semana do que na semana anterior. O total de mortes por semana, no entanto, ainda está acima do verificado há duas semanas, quando houve uma alteração na tendência de desaceleração e os dados semanais bateram recordes.
9 de 9Novas mortes por Covid-19 no estado de SP, por semana, até 5 de julho — Foto: Arte G1
Novas mortes por Covid-19 no estado de SP, por semana, até 5 de julho — Foto: Arte G1
Foram 1.733 mortes na última semana, uma queda em relação à semana anterior, com 1.769, mas ainda muito acima do verificado antes do recorde de 1.913 mortes em sete dias. Antes desse recorde o valor se manteve em torno de 1,5 mil óbitos semanais por 3 semanas consecutivas.
Embora já exista sinal de estabilidade de novos casos e mortes na capital, a doença continua avançando no interior do estado. Dos 645 municípios do estado, 599 já têm pelo menos um caso confirmado da doença. Neste domingo (5) a taxa de ocupação de leitos de UTI da Grande SP foi ligeiramente menor do que o registrado no resto do estado pela primeira vez.
