UFRJ desenvolve guias de identificação de espécies

Duas edições impressas foram distribuídas gratuitamente durante evento de educação ambiental — Foto: Divulgação/Guias da Conservação Duas edições impressas foram distribuídas gratuitamente durante evento de educação ambiental — Foto: Divulgação/Guias da Conservação

Duas edições impressas foram distribuídas gratuitamente durante evento de educação ambiental — Foto: Divulgação/Guias da Conservação

A estrutura da Universidade Federal do Rio de Janeiro, formada por ensino, pesquisa e extensão, serviu de inspiração para alunos do curso de biologia, que em 2014 deram início ao projeto “Guias da Conservação, do Turista ao Naturalista”.

Foi na taxonomia – área da ciência que descobre, nomeia e classifica os organismos vivos – que os oito estudantes e seus orientadores encontraram uma maneira de compartilhar conhecimento e incentivar a conservação. Seis anos depois e o trabalho segue com o mesmo objetivo.

“Queremos despertar o interesse das pessoas em relação à nossa biodiversidade, pois acreditamos que conhecer o nome dos seres vivos e saber sobre seus hábitos é o primeiro passo para se conectar com a natureza”, comenta o professor do Instituto de Biologia da UFRJ, José Ricardo Mermudes, que aposta nos guias como alternativa prática.

Equipe opta por espécies que podem ser observadas em parques e matas urbanas — Foto: Ederson Oliveira/Arquivo Pessoal Equipe opta por espécies que podem ser observadas em parques e matas urbanas — Foto: Ederson Oliveira/Arquivo Pessoal

Equipe opta por espécies que podem ser observadas em parques e matas urbanas — Foto: Ederson Oliveira/Arquivo Pessoal

“Os guias de identificação são excelentes ferramentas para isso, através dos quais as pessoas podem se tornar verdadeiras naturalistas enquanto percorrem trilhas ou mesmo observam a natureza perto de casa”, comenta.

Não existe conservação de espécies sem o prévio conhecimento delas, pois acreditamos na importância da taxonomia nessa área e na criação de um senso de conservação na população
— José Ricardo Mermudes, professor do Instituto de Biologia da UFRJ

De acordo com Ederson Oliveira, biólogo e mestrando em zoologia, cada guia tem um tema definido previamente pela equipe, que busca tratar de espécies facilmente encontradas em parques ou matas urbanas. “Nos guias colocamos uma escala de tamanho, fotos e ilustrações das espécies e pequenos trechos com informações sobre o grupo abordado no guia”, explica.

“No guia de plantas temos 15 espécies mais comuns da Floresta da Tijuca, entre briófitas e pteridófitas. Elas estão identificadas como nativas, endêmicas ou exóticas invasoras. No caso das invasoras, destacamos a quaresmeira (Tibouchina granulosa), muito presente no Parque. Já a paineira (Ceiba speciosa) é uma representante das espécies endêmicas”, comenta o biólogo.

Guias levam cerca de oito meses para ficar prontos, desde a pesquisa até a finalização — Foto: Ederson Oliveira/Arquivo Pessoal Guias levam cerca de oito meses para ficar prontos, desde a pesquisa até a finalização — Foto: Ederson Oliveira/Arquivo Pessoal

Guias levam cerca de oito meses para ficar prontos, desde a pesquisa até a finalização — Foto: Ederson Oliveira/Arquivo Pessoal

O material é distribuído gratuitamente durante eventos de educação ambiental, também previstos pelo projeto. “Já temos dois guias prontos, publicados no formato físico. Um sobre aranhas e insetos e outro sobre plantas, ambos sobre a diversidade do Parque Nacional da Tijuca. Eles foram produzidos e impressos com o apoio do CNPQ e distribuídos em um evento chamado ‘Ciência na Floresta’, organizado pela nossa equipe”, conta.

Agora, os especialistas afinam os últimos detalhes da terceira publicação, que por enquanto será disponibilizada na internet. “O guia atual é sobre besouros luminescentes da Mata Atlântica. São espécies de três famílias: os vaga-lumes (família Lampyridae), os pirilampos (família Elateridae) e os trenzinhos (família Phengodidae). Escolhemos esse tema porque as pessoas são fascinadas por insetos que ‘voam acesos’ por aí, mas pouco sabem sobre eles”, comenta.

Fotografias e flagrantes de comportamento auxiliam na identificação das espécies — Foto: Ederson Oliveira/Arquivo Pessoal Fotografias e flagrantes de comportamento auxiliam na identificação das espécies — Foto: Ederson Oliveira/Arquivo Pessoal

Fotografias e flagrantes de comportamento auxiliam na identificação das espécies — Foto: Ederson Oliveira/Arquivo Pessoal

“No guia de aranhas e insetos, por exemplo, apresentamos as diferenças morfológicas entre esses dois grupos. Entre as mais de 40 espécies de besouros, aranhas, percevejos, borboletas e cigarras, vale destacar a borboleta capitão-do-mato pela exuberância, e o besouro-escaravelho (Macrapis festiva), que possui o dorso colorido verde e amarelo. Quanto às aranhas, apresentamos espécies como a aranha-de-teia-dourada (Trichonephila clavipes), a aranha-de-espinho (Micrathena fissispina) e a aranha-flor (Epicadus heterogaster)”, detalha o biólogo, que destaca a importância de traduzir o conteúdo de forma clara e didática para solucionar dúvidas de grande parte da população.

“Para saber quais são as espécies presentes nos biomas recorremos a literatura científica e, como estamos inseridos na universidade, consultamos colegas pesquisadores que estudam os organismos”, diz.

Guia de besouros luminescentes será disponibilizado gratuitamente na internet — Foto: Divulgação/Guias da Conservação Guia de besouros luminescentes será disponibilizado gratuitamente na internet — Foto: Divulgação/Guias da Conservação

Guia de besouros luminescentes será disponibilizado gratuitamente na internet — Foto: Divulgação/Guias da Conservação

“Acreditamos que a conexão entre a população e a universidade é fundamental. Não é nossa ideia levar o conhecimento pronto, mas sim estimular as pessoas a irem até a floresta e encontrarem as espécies, com ajuda do guia”, finaliza Ederson.

O ‘Guia para Besouros Luminescentes da Mata Atlântica’ será disponibilizado em breve, de forma gratuita. O lançamento do material será divulgado nas redes sociais do projeto.

By Tribuna ABC

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