
Risco de contágio preocupa quem depende do transporte público
Usuários do transporte público da cidade de São Paulo estão com medo de contrair o novo coronavírus nos trens, ônibus e metrô da cidade. Segundo os passageiros, há aglomeração nas filas, coletivas cheios e ônibus que circulam apenas com janelas fechadas.
A principal queixa acompanha as viagens desde muito antes da quarentena: a lotação. A atendente de telemarketing Camila Giacomo afirma que o transporte já “está bem mais cheio, principalmente no horário da manhã e horário de pico.”
O estudante Genivaldo Jesus França também reclama: “Fica todo mundo em cima do outro, as pessoas não estão respeitando o distanciamento aí, tá complicado”, afirma.
1 de 2Movimentação intensa de passageiros na plataforma da CPTM da Estação da Luz, no Centro de São Paulo, na tarde deste sábado (11) — Foto: Bruno Escolastico/Photopress/Estadão Conteúdo
Movimentação intensa de passageiros na plataforma da CPTM da Estação da Luz, no Centro de São Paulo, na tarde deste sábado (11) — Foto: Bruno Escolastico/Photopress/Estadão Conteúdo
Na linha 5-Lilás do Metrô, havia vagões cheios e passageiros bem próximos uns dos outros nesta terça (14). Teve aglomeração nas escadas e também na plataforma.
Essas cenas com muita gente em ambientes fechados são o oposto da recomendação de infectologistas para evitar a propagação do vírus.
“Nos ônibus ou no metrô a gente gostaria de ver janelas abertas, o que nem sempre é possível pelo tipo de transporte. Numa situação dessa, a gente também deseja que as pessoas tenham pelo menos uma distância de 1,5 metros a 2 metros, idealmente 3 metros, e que usem máscara o tempo todo, higienizem as mãos e sempre evitar carros e trens lotados, o que no Brasil, lamentavelmente, é uma coisa difícil”, afirma o infectologista Renato Grinbaum.
O médico afirma ainda que a regra de manter os espaços arejados também vale para os carros, tanto particulares quanto de aplicativo. Andar com a janela fechada, só se o motorista estiver sozinho.
A CPTM afirma que, mesmo com queda no número de passageiros, no horário de pico está com toda a frota à disposição em algumas linhas. Já a SPTrans disse que os ônibus com ar-condicionado, que circulam com as janelas fechadas, possuem um sistema de dupla filtragem do ar, o que garante a renovação do ar a cada três minutos. A SPTrans disse ainda que é obrigação das empresas de ônibus higienizar os veículos entre as viagens.
Limpeza dos ônibus
Assim que os ônibus chegam nos terminais, funcionários de limpeza higienizam, com uma solução bactericida, os apoios onde as pessoas mais colocam as mãos. No entanto, o promotor de vendas Cícero Souza, que pega seis ônibus todos os dias para ir e voltar do trabalho, afirma que o processo não é feito em todas as linhas.
2 de 2Passageiros viajam em pé em ônibus cheio em São Paulo, na terça-feira (9) — Foto: Ettore Chiereguini/Estadão Conteúdo
Passageiros viajam em pé em ônibus cheio em São Paulo, na terça-feira (9) — Foto: Ettore Chiereguini/Estadão Conteúdo
“Tem linha que não limpa, não higieniza. Isso aí pega mal porque uns fazem outros não. Se é correto, tem que ser pra uma empresa, e tem que ser pra todas. Tem que ser cobrada a limpeza pra todas”, diz Souza.
Na maioria dos ônibus vistos nesta terça no terminal Santo Amaro não teve limpeza entre uma viagem e outra. A copeira Malvina diz que até vê as equipes de limpeza, mas só de manhã – e ela não confia muito nessa faxina. “Lá no terminal Grajaú eles estão fazendo a limpeza, mas eu acho que eles usam o mesmo pano pra vários ônibus. Acho que tinha que ter uma higienização melhor”, afirma.
A SPTrans também exige que os terminais, bancos, corrimão, e catracas sejam higienizados, mas a TV Globo não viu esse serviço sendo feito nas duas horas que esteve no terminal Santo Amaro. Apesar dos lugares demarcados no chão, sem fiscalização não foi difícil encontrar gente bem juntinha na fila.
