Vacina chinesa contra Covid-19 começa a ser aplicada em profissionais de saúde voluntários a partir desta terça, diz governo

Voluntário recebe injeção durante fase de testes de potencial vacina contra a Covid-19 em Seattle, nos EUA, em foto de 16 de março — Foto: AP Photo/Ted S. Warren 1 de 4
Voluntário recebe injeção durante fase de testes de potencial vacina contra a Covid-19 em Seattle, nos EUA, em foto de 16 de março — Foto: AP Photo/Ted S. Warren

Voluntário recebe injeção durante fase de testes de potencial vacina contra a Covid-19 em Seattle, nos EUA, em foto de 16 de março — Foto: AP Photo/Ted S. Warren

A vacina chinesa contra o coronavírus deve começar a ser aplicada em 890 voluntários de São Paulo a partir desta terça-feira (21) no Hospital das Clínicas (HC). Os testes fazem parte de uma parceria com o Instituto Butantan. Inicialmente, o governo estadual havia anunciado que os teste começariam já nesta segunda-feira (20). Em todo o Brasil, 9 mil profissionais da saúde devem participar desta fase de testes.

O governo de São Paulo estima que a terceira fase de testes da vacina chinesa sejam concluídas em 90 dias. “Os pesquisadores do Hospital das Clínicas vão analisar os voluntários em consultas marcadas a cada duas semanas. A estimativa é concluir todo o estudo da fase três de testes da Coronavac em até 90 dias”, afirmou o presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas.

De acordo com o governador João Doria (PSDB), se os testes foram bem sucedidos, a fabricação da vacina no Brasil começa a ser produzida o início de 2021.

Vacina produzida em Oxford e testada em SP tem resultados positivos

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“Se tivermos sucesso, como esperamos ter, a vacina será produzida aqui no Instituto Butantan já no início do próximo ano com mais de 120 milhões de doses. A vacina será destinada a todos os brasileiros, não apenas aqueles que são de São Paulo, e isso será feito através do SUS. O Butantan terá todo o domínio da tecnologia.”

As 20 mil doses produzidas pelo laboratório chinês Sinovac Biotech chegaram no aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, na Grande São Paulo, na madrugada desta segunda-feira (20). O avião com as vacinas saiu de Frankfurt, na Alemanha, e, após 11 horas de viagem, pousou por volta das 4h20 no Aeroporto Internacional de São Paulo. As doses estão na alfândega do aeroporto aguardando liberação.

Nesta terceira fase de testes, 9 mil voluntários irão receber a vacina contra o coronavírus. O Instituto Emílio Ribas, na Zona Oeste de São Paulo, começou a cadastrar na quarta-feira (15) os voluntários. As inscrições continuam abertas para profissionais da área da saúde.

“Se esse estudo for concluído até o final deste ano e é uma expectativa real, nós podemos ter essa vacina disponível para a população brasileira no início do próximo ano. Quando falo disponível eu digo que com o nosso acordo com a Sinovac nós temos 120 milhões de doses vacinais, o que seria suficiente para vacinar 60 milhões de brasileiros”, afirmou Dimas Covas.

De acordo com o governo estadual, o Instituto Butantan está adaptando uma fábrica para a produção da vacina. A capacidade de produção é de até 100 milhões de doses. O acordo com o laboratório chinês prevê que, se a vacina for efetiva, o Brasil receberá ainda 60 milhões de doses fabricada na China para distribuição.

A parceria entre o laboratório chinês e o Butantan foi anunciada no dia 11 de junho. Na ocasião, o governador João Doria (PSDB) disse que, se comprovada a eficácia e segurança da vacina, ela será disponibilizada no SUS a partir de junho de 2021.

São Paulo vai produzir vacina contra a Covid-19

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Esses novos testes da fase 3 da chamada CoronaVac serão feitos em larga escala e precisam fornecer uma avaliação definitiva da eficácia e segurança, isto é, a vacina precisa ser capaz de criar anticorpos para imunizar contra a Covid-19

Outra vacina que também está na terceira fase de testes é a de Oxford, que será testada no Brasil pela Universidade Federal de São Paulo. Ela foi a primeira a receber autorização da Anvisa para os testes no país.

Vacinas contra coronavírus para teste chegaram a Cumbica nesta segunda-feira (20) — Foto: Divulgação 2 de 4
Vacinas contra coronavírus para teste chegaram a Cumbica nesta segunda-feira (20) — Foto: Divulgação

Vacinas contra coronavírus para teste chegaram a Cumbica nesta segunda-feira (20) — Foto: Divulgação

Centros de pesquisa

O Emílio Ribas é um dos doze centros pesquisa no país selecionados para a última fase de teste da vacina. O espaço recebia as últimas adaptações na semana passada para que 700 voluntários possam receber as doses a partir desta segunda-feira (20). (Veja o vídeo abaixo)

“Da mesma maneira que a gente sempre quer que alguém descubra a vacina, é importante que a gente também contribua para que isso aconteça”, afirmou uma médica de UTI que se inscreveu, mas que não pode ser identificada para não prejudicar a pesquisa.

Toda vacina precisa passar por etapas importantes até ser aprovada. Após a fase pré-clinica, com testes em animais, há 3 fases de testes em humanos. Os testes precisam comprovar que a vacina é realmente segura, que produz anticorpos e protege contra o vírus.

Instituto Butantan — Foto: Marcos Santos/USP Imagens 3 de 4
Instituto Butantan — Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Instituto Butantan — Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Vacina chinesa

Apenas profissionais de saúde que estejam atuando diretamente no combate à Covid-19 poderão participar da terceira fase de testes da vacina contra o novo coronavírus. Outros pré-requisitos são que os voluntários não tenham se contaminado pela doença anteriormente, mulheres não estejam grávidas ou planejem engravidar nos próximos três meses, e que os voluntários morem perto de um dos 12 centros de pesquisa que conduzirão o projeto.

Em todo o Brasil, serão escolhidos 9 mil voluntários no estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Paraná e Distrito Federal.

A inscrição e triagem inicial dos voluntários foram realizadas pela internet. Cada centro de pesquisa ficará responsável pelas informações coletadas dos voluntários, que serão sigilosas.

Vacina contra Covid-19 chega ao Brasil

Vacina contra Covid-19 chega ao Brasil

A vacina da Sinovac já foi aprovada para testes clínicos na China. Ela usa uma versão do vírus inativado. Isso quer dizer que não há a presença do coronavírus Sars-Cov-2 vivo na solução, o que reduz os riscos deste tipo de imunização.

Vacinas inativadas são compostas pelo vírus morto ou por partes dele. Isso garante que ele não consiga se duplicar no sistema. É o mesmo princípio das vacinas contra a hepatite e a influenza (gripe).

Ela implanta uma espécie de memória celular responsável por ativar a imunidade de quem é vacinado. Quando entra em contato com o coronavírus ativo, o corpo já está preparado para induzir uma resposta imune.

Cientistas chineses chegaram à fase clínica de testes – ensaios em humanos – em outras três vacinas. Uma produzida por militares em colaboração com a CanSino Biologics, e mais duas desenvolvidas pela estatal China National Biotec.

Vacinas contra coronavírus para teste chegaram a Cumbica nesta segunda-feira (20) — Foto: Divulgação 4 de 4
Vacinas contra coronavírus para teste chegaram a Cumbica nesta segunda-feira (20) — Foto: Divulgação

Vacinas contra coronavírus para teste chegaram a Cumbica nesta segunda-feira (20) — Foto: Divulgação

Instituto Emílio Ribas recebe inscrições de profissionais de saúde para testes de vacina

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VACINA CONTRA A COVID-19

By Tribuna ABC

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