Vídeo mostra momento exato da frutificação de um cacto


Imagens raras foram feitas por casal de biólogos durante a quarentena; espécie pertence ao gênero Melocactus Vídeo mostra exato momento da frutificação de um cacto
Não é todo dia que se vê a frutificação de um cacto. A cena rara e cheia de detalhes parece ter sido filmada por equipamentos avançados em um cenário especial, mas na verdade foi capturada pelo celular de um casal de biólogos no apartamento onde vivem em Piracicaba (SP).
“Ganhei esse cacto do meu avô há seis anos e desde quando vimos esses frutinhos pensamos em gravar, só que a gente nunca tinha tempo. Com a quarentena, estamos trabalhando de casa e conseguimos nos organizar para a filmagem”, conta José Wagner Ribeiro Júnior, 37.
Ele e a mestranda em restauração florestal Bruna Pereira, 28, montaram uma estrutura e precisaram gravar do meio-dia até às sete e meia da noite para conseguirem o flagrante perfeito.
Esquema para a filmagem foi feito com caixas, bancos e uma luz de aquário.
Wagner Júnior e Bruna Pereira/Arquivo pessoal
“Criamos uma gambiarra com caixas, bancos e até com a luz do aquário para posicionar o cacto no lugar certo. Nosso celular acabava a memória depois de 30 minutos de gravação então a gente tinha que ir parando e apagando enquanto o fruto não aparecia”, comenta Bruna.
Segundo o casal, levou cerca de 15 minutos desde que o fruto começou a aparecer até a hora em que ele cresceu completamente. “Foi uma experiência muito legal, agora recolhemos os frutos e vamos tentar germinar para dar para amigos”, finaliza José.
Curiosidades sobre os cactus.
Arte TG
Melocactus
O cacto dos biólogos pertence ao gênero Melocactus. O Brasil é o país com a maior quantidade de espécies deste gênero que é mais encontrado na Caatinga nordestina. Das 23 espécies que existem por aqui, 21 são endêmicas. No geral, são conhecidas como coroa-de-frade.
Especialista acredita que essa seja a espécie Melocactus cf. lanssensianus.
Wagner Júnior e Bruna Pereira/Arquivo pessoal
Daniela Zappi, bióloga e especialista em cactos, explica que os frutos emergem após a polinização das flores.
“As flores abrem-se, são polinizadas e o fruto forma-se oculto no interior dessa estrutura, para evitar ser predado ou desidratar. Quando o fruto fica maduro, chega a hora dele deixar a planta mãe e ser disperso. Para isso, ele rompe-se na base e o cefálio (parte que parece a cabeça do cacto) espreme o fruto para cima, que é o momento que aparece no vídeo”.
Os frutos dos cactos nascem depois da polinização de suas flores.
Wagner Júnior e Bruna Pereira/Arquivo pessoal
Na natureza, a dispersão se dá a partir de pequenos insetos, répteis e aves que se alimentam desses frutos e os espalham.
Mas o casal que está com a planta nunca presenciou a flor. Segundo a especialista, isso pode ocorrer por ser uma espécie cleistogâmica, o que significa que as flores ficam fechadas no interior da planta e se auto-polinizam.
Infelizmente não tenho certeza da espécie da planta que os colegas filmaram, mas por eles não observarem as flores, poderia até ser uma espécie que é cleistogâmica, portanto ela dispensa polinizadores. Meu palpite seria que é uma “Melocactus cf. lanssensianus”
Cactos em casa
As suculentas no geral são ótimas plantas para cultivar em casa, já que não precisam de cuidados muito específicos.
“São plantas que não morrem se alguém for viajar e ficar uma semana fora, mas também é preciso seguir algumas orientações dependendo da espécie. No geral, é necessário manter os cactos em lugares com muita luz, sem muita umidade e regar uma vez a cada 7 a 10 dias.”, explica o botânico e professor da USP Vinícius Souza.
Suculentas são ótimas plantas para cultivar em casas.
Wagner Júnior e Bruna Pereira/Arquivo Pessoal
O solo e o tamanho do vaso influenciam na quantidade de água que a planta vai ser capaz de reter. Ainda segundo o professor, apesar de muita gente estar a procura dos cactos, é preciso comprar de viveiros e nunca retirar as espécies direto da natureza.
“As populações naturais de cactos não são encontradas em abundância na natureza então é nosso dever protegê-las e nunca tirá-las do meio ambiente, até porque as chances de morrerem são enormes. Encontre viveiros ou pessoas que cultivem as cactáceas para encontrar uma muda”, finaliza.

By Tribuna ABC

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