89% de moradores de favelas temem pela saúde e 88%, por perder emprego, aponta pesquisa

 Distribuição de kits com máscaras na comunidade de Paraisópolis, na Zona Sul da cidade de São Paulo — Foto: Alice Vergueiro/Estadão Conteúdo 1 de 1
Distribuição de kits com máscaras na comunidade de Paraisópolis, na Zona Sul da cidade de São Paulo — Foto: Alice Vergueiro/Estadão Conteúdo

Distribuição de kits com máscaras na comunidade de Paraisópolis, na Zona Sul da cidade de São Paulo — Foto: Alice Vergueiro/Estadão Conteúdo

Uma pesquisa sobre o comportamento dos moradores das favelas durante a pandemia aponta que a maioria das pessoas – 62% – que recebeu auxílio emergencial pago pelo governo federal foi usado pelas pessoas para ajudar alguém. O que sobrou foi gasto para comprar alimentos, produtos de higiene e limpeza.

Pelo levantamento, 80% das famílias estão sobrevivendo com menos da metade da renda de antes da pandemia. Sete em cada dez moradores pediram o auxílio emergencial, mas menos da metade recebeu.

A pesquisa feita pelo instituto Locomotiva mostrou que a maior preocupação dos entrevistados é com a saúde: 89% dos moradores de favelas temem que algo aconteça com os familiares mais velhos.

O medo de perder o emprego também é grande: 88% das pessoas entrevistadas nas favelas de todos os estados brasileiros disseram que temem ficar sem trabalho.

Mais da metade dos entrevistados pagou, com o auxílio emergencial, contas básicas, comprou remédios e ajudou familiares e amigos.

O levantamento foi feito pelo Instituto Locomotiva em parceria com a Central Única das Favelas (Cufa) e a Favela Holding, que são empresas envolvidas em auxílio aos moradores das comunidades. A pesquisa foi feita pela internet, entre os dias 19 e 22 de junho, e ouviu 3.321 moradores de todos os estados.

Um dos programas que ajudam pessoas durante a pandemia é o Cidade Solidária, que reúne Prefeitura, empresas e moradores da capital. Só no programa já foram distribuídas 925 mil cestas básicas e 451 mil tens de limpeza e higiene para diversas comunidades.

Em Heliópolis, na Zona Sul de São Paulo, moradores fizeram filas enormes nesta quarta-feira (8) para receber doações.

renato meirelles – presidente do instituto locomotva

“Por mais que ele (o vírus) possa atingir ricos e pobres, os anticorpos sociais da favela e do restante do Brasil são bem diferentes. Na favela tem mais gente que não trabalha em profissões que seja possível fazer o home office. Na favela, 46% dos lares não têm água encanada. Nas favelas, muita gente está sendo obrigada a sair pra trabalhar porque infelizmente não tem o que comer no dia seguinte”, disse Renato Meireles, presidente do Instituto Locomotiva.

By Tribuna ABC

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