Moradores do Jardim Apurá, na Zona Sul de SP, relatam falta de limpeza após obras da Prefeitura

Moradores do Jardim Apurá vivem no meio de entulho, lixo e violência

Moradores do Jardim Apurá vivem no meio de entulho, lixo e violência

Moradores do Jardim Apurá, na Zona Sul da cidade de São Paulo, reclamam que a Prefeitura demoliu casas vazias, mas não recolheu e limpou a área, que segue com os escombros, ferros e restos de móveis espalhados.

O bairro fica nas margens da Represa Billings e algumas casas que estavam em uma área de preservação foram demolidas. Os moradores foram transferidos para o Residencial Espanha, no Parque dos Búfalos.

A copeira Sônia Maria Santos precisa atravessar casas “caindo aos pedaços” para conseguir entrar em sua casa. “Depois que demoliram as casas, a minha casa está com rachaduras, as parede estão úmidas e eles não dão respostas. A gente fica aguardando, aguardando e nada.”

Marinalva Lima dos Santos é professora e está preocupada com a situação. “Eu estou no meio do canteiro de obras, dentro do canteiro de obras. Por isso, que eu peço por equidade. A maior preocupação é com abandono, com risco de invasão. é com a casa rachada.”

O líder comunitário Wesley Silvetre Rosa explica que os moradores têm concessão para morar no local e que cumprem os critérios estabelecidos. “As casas que não tinham condições de saneamento, entraram no projeto de remoção.”

Os moradores afirmam que a Prefeitura sugeriu como alternativa um programa habitacional no Grajaú, também na Zona Sul, mas há uma hora de distância do local.

“Minha irmã está aqui, minhas sobrinhas estão aqui, minha filha estão aqui. Lá, eu não conheço ninguém, não tem creche perto, teria que pagar carro para chegar”. afirma Sônia Maria.

A Prefeitura afirmou que as famílias que estão próximas aos escombros serão contempladas com moradias definitivas e que alguns moradores não quiseram sair ou tinham pendência de documentos ou foram reprovados por não se enquadrarem nos critérios do Minha Casa, Minha Vida. Sobre os entulhos, a gestão falou que o trabalho de retirada depende da remoção total das casas que ainda estão na área de preservação.

Sobre à obra de saneamento que os moradores reclamaram, a Sabesp informa que é uma área de proteção permanente e que a companhia elabora um estudo para viabilizar o projeto e solicitar a autorização para o início dos trabalhos.

Residencial Espanha

O Residencial Espanha começou a ser construído em 2015, ainda na gestão Fernando Haddad (PT). O objetivo do empreendimento é atender famílias da região de preservação da Represa Billings removidas de áreas de risco, de recuperação ambiental ou por obras de infraestrutura.

A obra gerou confusão com moradores da região, que alegavam que a construção prejudica as nascentes de água e que reivindicavam que a área toda virasse um parque. Além disso, o empreendimento chegou a ser parado por um ano por causa de questões judiciais com o Ministério Público, mas depois foi liberado.

No total, foram investidos R$ 379 milhões por meio do programa Minha Casa Minha Vida, sendo R$ 293 milhões do Governo Federal, R$ 72 milhões do Governo do Estado e R$ 13 milhões da Prefeitura.

Os 3.860 apartamentos têm 48 m² de área útil, com dois dormitórios, sala, banheiro, cozinha e área de serviço. O condomínio também conta com guarita, estacionamento e áreas de lazer.

De acordo com a Prefeitura, do total de 830 mil m² do terreno, 250 mil m² foram usados para a construção dos condomínios. Os outros 580 mil m² de área verde serão destinados ao Parque Municipal dos Búfalos. As obras do parque, no entanto, ainda não começaram.

By Tribuna ABC

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