
Mortes em casa aumentam na capital, mostra levantamento
O número de mortes ocorridas em casa na cidade de São Paulo aumentou 45,5% nos meses de abril e maio, segundo levantamento da Prefeitura de São Paulo. Os dados abrangem todas as mortes ocorridas na capital paulista e não apenas de vítimas de Covid-19.
Nos meses de abril e maio deste ano, foram 2.352 óbitos em casa a mais do que a média no mesmo período de 2019. Já o número de mortes em outros estabelecimentos de saúde foi de 672 a mais neste ano do que em abril e maio de 2019.
Neste ano, 13,3% do total das mortes ocorreram em casa na capital paulista – foram, pelo menos, 4.815 casos. 81% das mortes foram em hospitais – quase 30 mil – e 3% em estabelecimentos diversos de saúde (995 mortes).
O maior aumento, porém, foi registrado nas mortes ocorridas na categoria “outros estabelecimentos de saúde”, que representam as UPAs, AMAs ou prontos-socorros isolados. Em geral, esses serviços atendem pacientes e os encaminham a hospitais.
1 de 1Cresce em 45% o número de mortes em casa em SP — Foto: Arte
Cresce em 45% o número de mortes em casa em SP — Foto: Arte
Efeitos da pandemia
A professora de estatísticas da Universidade de São Paulo (USP) Zilda Pereira da Silva, o excesso de mortes em 2020 é um efeito da epidemia do novo coronavírus, que tem impactos diretos ou indiretos na mortalidade.
O impacto mais direto pode ser contabilizado pelo número de pessoas mortas pela nova doença, além dos casos de Covid-19 não detectados. No entanto, outras causas de morte também estão registrando aumento na comparação com a média dos anos de 2018 e 2019 como um reflexo da epidemia.
“Você pode ter uma desestruturação, uma interrupção da organização dos serviços de saúde”, explicou Zilda.
A professora também alertou para um “efeito adicional” provocado pela doença. “A população refreia a utilização dos serviços de saúde por medo de contaminação. Então, ela pode demorar mais a procurar o serviço de saúde, quando tem algum mal estar, ou ter atraso no tratamento que estava sendo realizado.”
Segundo a professora, considerando as mortes nas faixas etárias acima de 55 anos, a diabetes e as doenças cerebrovasculares são as que mais tiveram aumento de mortes nesse ano. “Consultas de rotina foram suspensas e muitas pessoas, com diabetes e problemas de coração, deixaram de procurar auxílio ou passaram a procurar em última hora”, aponta ela.
