1 de 3Jovem que ficou tetraplégico após passar 11 minutos sem respirar corre risco de ser despejado — Foto: Arquivo Pessoal
Jovem que ficou tetraplégico após passar 11 minutos sem respirar corre risco de ser despejado — Foto: Arquivo Pessoal
Um homem de 36 anos, que ficou tetraplégico e sofre com dificuldades motoras e cognitivas após sofrer uma parada cardiorrespiratória aos 18 anos, corre o risco de ser despejado após a casa onde mora com o pai em Santos, no litoral de São Paulo, ir à leilão por falta de pagamento de impostos. Ao G1 nesta terça-feira (21), o comerciante Luiz Antonio La Scala, de 65 anos, conta que precisou optar entre o pagamento das contas e o tratamento do filho.
Em entrevista, o pai do ex-modelo e estudante de jornalismo Danilo Gambero La Scala conta que o filho sofreu um acidente que o deixou tetraplégico há cerca de 18 anos, pouco após o jovem atingir a maioridade. “Era um dia normal e ele saiu para ir em uma balada e ia passar na casa de um amigo. Meia hora depois, me ligaram”.
“Um amigo dele me avisou que o Danilo tinha desmaiado. Saí disparado de casa e, quando cheguei, encontrei ele desacordado. Tentei fazer a respiração, mas não consegui. Ele passou 11 minutos apagado até chegar ao hospital, sem respirar. Lá, passou 28 dias na UTI e três meses se recuperando. Saiu sem andar e falar”, conta Luiz Antonio.
2 de 3Ex-modelo ficou tetraplégico após passar 11 minutos sem respirar em SP — Foto: Arquivo Pessoal
Ex-modelo ficou tetraplégico após passar 11 minutos sem respirar em SP — Foto: Arquivo Pessoal
O pai explica que, segundo os médicos, Danilo sofreu com a falta de oxigenação no cérebro mas que nunca teve certeza sobre o que causou o acidente. “Ele tomava um remédio antibiótico forte, e os médicos disseram que poderia ter sofrido alguma reação pela medicação, mas não me confirmaram”.
Segundo o comerciante, o custo elevado do tratamento do filho fez com que a família precisasse vender pertences, bem como causou o atraso no pagamento de contas de casa. “Ou pagava o tratamento, ou pagava o IPTU e o condomínio. Às vezes, pagava dois meses e acabava devendo outros cinco, seis”.
“Nossa casa foi para leilão três vezes e, na terceira, foi arrematada. Recebi a ordem judicial para o despejo, mas com a pandemia, ganhamos um tempo. Agora estamos correndo contra o tempo para evitar a compra da nossa casa ou para que a gente consiga mudar para outro lugar”, desabafa o pai.
Luiz Antonio afirma que, apesar das dificuldades, é inspirado pela luta do filho para conseguir superar os problemas. “Ele é meu mestre, me ensina alguma coisa todos os dias. Numa cama, meu filho faz o que muita gente, em pé, não faz. Ele é uma pessoa muito sorridente, e não há nada que pague um sorriso do meu filho”.
3 de 3Danilo ganhou uma vaquinha virtual, organizada pelo amigo de infância — Foto: Arquivo Pessoal
Danilo ganhou uma vaquinha virtual, organizada pelo amigo de infância — Foto: Arquivo Pessoal
Arrecadação
Com o apoio de uma vaquinha virtual organizada por Antônio Giardino, amigo de infância do paciente, a família espera conseguir custear as dívidas e o tratamento de Danilo. “Nossa luta agora é recuperar a parte perdida. Nunca perdi a esperança pelo meu filho”.
Giardino conta que acompanha o tratamento do amigo desde o início e que a arrecadação tem o objetivo de garantir um tratamento de qualidade para Danilo. “Além dos insumos, queremos que ele possa ser atendido por fisioterapeuta, fonoaudiólogo, além de outros profissionais, para dar cada vez mais respostas”.
“Sinto essa necessidade de estar com ele, apoiar, mas acontece que ele me apoia mais do que eu apoio ele. Ele é uma pessoa muito para frente, cada sorriso com minhas piadas é um incentivo para continuar em frente. Ele é que me dá forças para ter esse ritmo de vida”, finaliza.
