Lojas do calçadão do Centro de Franca, SP, fechadas após decreto da Prefeitura — Foto: Igor do Vale
Lojas do calçadão do Centro de Franca, SP, fechadas após decreto da Prefeitura — Foto: Igor do Vale
Levantamento do Instituto de Economia Associação do Comércio e Indústria de Franca (SP) aponta que o setor produtivo do município teve prejuízo de R$ 610 milhões no primeiro semestre de 2020 devido à pandemia de Covid-19.
Na fase vermelha do Plano São Paulo desde 29 de junho, somente os serviços considerados essenciais podem funcionar na cidade. Comércio de rua, shoppings, bares e restaurantes seguem fechados.
A estimativa da Acif é para a perda de até 16 mil postos de trabalho no setor até o fim do ano, o que representa um quinto de toda a força trabalhadora do município, segundo o economista Adnan Jebailey.
Na visão dele, o prejuízo é causado pela falta de consumo. Como não há vendas, não há produção. “É um cenário triste. A pandemia causa uma fissura na economia, não tem como”, analisa.
Segundo o economista, o setor produtivo de Franca engloba agropecuária, indústria de transformação, comércio, serviços, construção civil e administração pública.
Lojista de Franca (SP) espera recuperar no Dia dos Pais a perda de renda provocada pelo fechamento do comércio — Foto: Jefferson Severiano Neves/EPTV
Lojista de Franca (SP) espera recuperar no Dia dos Pais a perda de renda provocada pelo fechamento do comércio — Foto: Jefferson Severiano Neves/EPTV
Para Jebailey, quanto mais tempo o município permanecer na fase vermelha de retomada, a mais restritiva do Plano São Paulo, maior a chance de postos de trabalho serem fechados e empresas encerrarem as atividades.
No setor de alimentação, por exemplo, 437 pessoas já foram demitidas desde o início da pandemia, segundo a Acif. Apesar de ter o delivey, a maior da movimentação é no consumo de self-service dentro do restaurante, além dos atendimentos noturnos.
No entanto, para chegar nesse cenário, é preciso que Franca avance para a fase amarela do Plano São Paulo, a terceira das cinco etapas de retomada econômica na pandemia.
“A gente não pode precisar, porque cada empresa é uma empresa. Depende da saúde financeira de cada uma delas. Mas quanto mais permanecer na fase vermelha isso vai acontecer, isso é óbvio”, afirma.
Restaurantes em Franca, SP, seguem sem poder abrir as portas ao público — Foto: Jefferson Severiano Neves/EPTV
Restaurantes em Franca, SP, seguem sem poder abrir as portas ao público — Foto: Jefferson Severiano Neves/EPTV
Uma nova atualização das fases de retomada da economia pelo estado está marcada para sexta-feira (21).
Para avançar, Franca e os outros municípios do Departamento Regional 8 precisam apresentar melhoras nos índices de ocupação em leitos de Unidade de Terapia Intensiva (SP).
Somente em Franca, sede do DRS, 37 das 46 vagas disponíveis nas redes pública e privada estão preenchidas nesta segunda-feira (17). Um índice de 80,4%.
O município soma 2.701 casos de Covid-19 e 54 óbitos causados por complicações da doença.
Santa Casa de Franca, SP — Foto: Jefferson Severiano Neves/EPTV
Santa Casa de Franca, SP — Foto: Jefferson Severiano Neves/EPTV
Novo perfil
Mas apesar de um cenário de recessão, o economista da Acif vê uma mudança de comportamento de clientes e empresários na forma de buscar por novos produtos.
Em pesquisas recentes, a entidade apontou que a maioria tinha acesso às novidades das lojas via outdoor, televisão ou rádio. Antes da pandemia, segundo Jebailey, havia uma resistência dos associados em investir na divulgação da marca nas redes sociais, mas agora isso mudou.
“Franca trabalhava em uma pegada diferente de grandes centros, como São Paulo. Isso deve ser alterado aqui e em outras cidades. As redes sociais era um dos últimos pontos onde se via as marcas. Não tinha engajamento dos empresários para fazer a venda e nem a divulgação por essa modalidade”, diz.
Outro ponto apresentado pelo economista foi que a pandemia forçou os empresários da cidade a se reinventarem e apostarem em novos empreendimentos, além da adoção de vendas por delivery e ecommerce.
“Surgiram novos setores. Muita gente que ficou desempregada buscou forma de empreender no setor de alimentação, produção de máscara, empresas que produziam artigos químicos migraram para produção de álcool gel. Tem sim a parte negativa, mas tem uma questão positiva”, explica.
Franca (SP) deverá manter bares, restaurantes e salões de beleza fechados até 28 de junho, diz governo de SP — Foto: Jefferson Severiano Neves/EPTV
Franca (SP) deverá manter bares, restaurantes e salões de beleza fechados até 28 de junho, diz governo de SP — Foto: Jefferson Severiano Neves/EPTV
