Corporação afasta PM à paisana que aparece em vídeos agredindo e xingando motoboy suspeito de tentar roubá-lo em SP

PM que agrediu motoboy no Tremembé foi afastado do cargo

PM que agrediu motoboy no Tremembé foi afastado do cargo

A Polícia Militar (PM) afastou nesta segunda-feira (31) o soldado à paisana que aparece em vídeos agredindo e xingando um motoboy suspeito de tentar roubá-lo, na semana passada, na Zona Norte de São Paulo. Peritos e especialistas ouvidos pelo G1 analisaram as imagens e apontaram ao menos oito falhas que podem ter sido cometidas pelo policial militar de folga durante abordagem.

O afastamento do PM Felipe da Silva Joaquim, de 30 anos, foi confirmado pela Secretaria da Segurança Pública (SSP). “O policial foi afastado do policiamento operacional e a Polícia Militar também apura o caso”, informa a comunicação da pasta.

Nesta segunda-feira (31), a defesa de André Andrade Mezzete, de 29 anos, vai usar as imagens que mostram ele sendo preso pelo soldado Felipe, para anexar ao pedido de liberdade que fará para a Justiça solicitando que seu cliente seja solto.

O advogado Paschoal Caruso disse que seu cliente alega ser inocente e que estava trabalhando quando foi agredido pelo agente da Polícia Militar (PM), de folga, porque não gostou de vê-lo fumando um cigarro de maconha perto da rua onde mora, no Tremembé.

O soldado escreveu na rede social que não agrediu o motoboy e só usou as técnicas de abordagem da PM — Foto: Reprodução/Redes sociais 1 de 1
O soldado escreveu na rede social que não agrediu o motoboy e só usou as técnicas de abordagem da PM — Foto: Reprodução/Redes sociais

O soldado escreveu na rede social que não agrediu o motoboy e só usou as técnicas de abordagem da PM — Foto: Reprodução/Redes sociais

Nas imagens é possível ver o policial apontar a arma em direção a cabeça de André e dizer “um tiro na sua cara”. O suspeito estava desarmado e rendido, dizendo que estava usando droga. O soldado ainda arrasta o motoboy até a calçada, chuta suas costas e bate com o cano da arma na cabeça dele.

Além disso, Felipe ofende o suspeito com palavrões e xingamentos até a chegada de uma viatura da PM, que levaria André para um hospital e para a delegacia, onde foi indiciado por tentativa de roubo a veículo, provavelmente sua moto.

O soldado acusou o motoboy de fingir que estava armado para tentar assalta-lo na Rua Marco Rutini. Mas Felipe falou à Polícia Civil que sacou a arma e se identificou como policial. E que os dois entraram em luta corporal, quando André tentou pegar a pistola dele. E que devido a isso os dois se machucaram.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), a Corregedoria da PM irá apurar a conduta do soldado a partir das imagens feitas por celular pelos moradores. O advogado o acusa de abuso de autoridade e falsa comunicação de crime.

A reportagem não conseguiu localizar o soldado, que trabalha na Ronda Ostensiva Com Apoio de Motocicletas (Rocam), para comentar o assunto. Numa rede social, Felipe negou que tivesse agredido o motoboy.

Segundo peritos da Sewell Criminalista (Secrim) e um ex-secretário Nacional de Segurança consultados pela reportagem, o agente da Polícia Militar pode ter falhado em diversos pontos, segundo as filmagens que circulam nas redes sociais.

De acordo com a perita Rosangela Lllanos, da Sewell, foram oito erros durante a abordagem:

Parecer técnico feito pela Secrim ao analisar o vídeo da abordagem do PM ao motoboy em SP elencou oito possíveis falhas — Foto: Divulgação 2 de 1
Parecer técnico feito pela Secrim ao analisar o vídeo da abordagem do PM ao motoboy em SP elencou oito possíveis falhas — Foto: Divulgação

Parecer técnico feito pela Secrim ao analisar o vídeo da abordagem do PM ao motoboy em SP elencou oito possíveis falhas — Foto: Divulgação

  1. “Joelho no peito da vítima”
  2. “Coronhada na cabeça da vítima”
  3. “Arma apontada para a cabeça”
  4. “Asfixia mecânica: a vítima perde a respiração por instantes ao ser puxada pelo colarinho da roupa”
  5. “Pontapé nas costas”
  6. “Agressão com elemento contundente: a cabeça da vítima é golpeada contra a parede de concreto da residência”
  7. “Agressor encosta cano da arma no rosto da vítima”
  8. “Polícia não solicita identificação e nem retira a arma do agressor”

Para o coronel José Vicente da Silva, ex-secretário Nacional de Segurança, três desses pontos citados acima lhe chamaram a atenção no momento que o soldado aborda o suspeito:

“Ele mostra um comportamento inadequado para quem está atuando na condição de policiamento de folga, arrastando o indivíduo. Ele simplesmente poderia ter solicitado que ele fosse para a calçada. Isso é um gesto abrupto, rude, inadequado, pode ser entendido até como agressão”, fala o especialista, que atualmente é consultor de diversos órgãos de segurança no país.

“Depois ele agride efetivamente quando dá o chute. São todas possibilidades de crime”, diz o coronel,

Para ele, porém, o caso não é de abuso policial. “Não se pode dizer que seja abuso de autoridade porque o policial está de folga. Mesmo que ele se identifique como policial etc. Ele está de folga. Nesse caso ele, ele está sujeito pura e simplesmente a legislação comum da Justiça comum.”

“Agora, com certeza, esse soldado vai ser investigado pela sua unidade, a sua conduta é bastante reprovável e vai se verificar se eventualmente ele pode ter até praticado outro crime de falsa denúncia de crime”, fala José Vicente.

“Também é criminoso inventar crimes para outras pessoas. Um comportamento indevido em desacordo com os padrões da PM, mesmo ele estando de folga”, diz o especialista. “Ela pode, por exemplo, até se o soldado tiver alguns dos antecedentes, ser até caso de demissão pela conduta incompatível com os padrões da Polícia Militar”.

By Tribuna ABC

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