'A gente tem certeza que ia acabar pegando', diz médica que ficou 21 dias afastada com Covid-19 em Campinas

Coronavírus: médica curada de Campinas relata a dificuldade de se enfrentar a doença

Coronavírus: médica curada de Campinas relata a dificuldade de se enfrentar a doença

Após 21 dias de afastamento por conta da Covid-19, a médica Marta Maria do Carmo Bandicioli, que atua na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Municipal Ouro Verde, em Campinas (SP), retornou ao trabalho. Após viver a doença, a profissional afirma que não sente medo com o “recomeço”, mas lista as dificuldades diárias da atuação.

Bandicioli relata que os profissionais que atuam no combate ao novo coronavírus trabalham com a certeza de que serão contaminados.

“Todos os profissionais, a gente tem a certeza, a gente tinha na realidade desde o início, que todo mundo ia acabar pegando em um certo momento”, afirma.

Segundo ela, o trabalho é exaustivo e incerto. “É um momento de bastante aprendizado, bastante exaustão e bastante incerteza. A gente vem trabalhando no limite”.

Médica do Hospital Ouro Verde de Campinas retorna ao trabalho após 21 dias de afastamento por conta do coronavírus — Foto: Reprodução/EPTV 1 de 3
Médica do Hospital Ouro Verde de Campinas retorna ao trabalho após 21 dias de afastamento por conta do coronavírus — Foto: Reprodução/EPTV

Médica do Hospital Ouro Verde de Campinas retorna ao trabalho após 21 dias de afastamento por conta do coronavírus — Foto: Reprodução/EPTV

Uma das preocupações constantes diz respeito à oferta de leitos para Covid-19. “Vaga um leito, já entra outro doente e a gente sabe que esses leitos, logo logo já são ocupados também”, disse em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo.

Dificuldades diárias

A profissional relata a tristeza que é ter de relatar para a família a perda de um paciente que poderia ser salvo. “É muito duro quando a gente tem que dar notícia para famílias de mortes que podem ser evitáveis. A dor vai ser sempre do familiar, a dor vai ser da pessoa, do sofrimento que teve aquilo”.

Outro ponto de dificuldade cotidiana, segundo Bandicioli, é o momento de intubação dos internados na UTI.

“Nas situações mais intensas que eu digo hoje em dia e que foi desde o início que marcou e tá marcando os médicos é a hora que a gente tem que intubar. Que é uma das horas mais tensas mesmo. Ao mesmo tempo que a gente quer salvar aquela vida, é a hora que a gente mais tem o risco da contaminação também”.

Médica atua no Hospital Ouro Verde, em Campinas — Foto: Fernanda Sunega / Prefeitura 2 de 3
Médica atua no Hospital Ouro Verde, em Campinas — Foto: Fernanda Sunega / Prefeitura

Médica atua no Hospital Ouro Verde, em Campinas — Foto: Fernanda Sunega / Prefeitura

Conscientização para preservar vidas

A médica do Ouro Verde pede que a população reforce a noção de coletividade com as medidas indicadas para combate ao virus durante a pandemia.

“As pessoas tinham que ter a consciência de que nós estamos todos dentro de uma coletividade. Então dentro dessa coletividade, o que é bom para todo mundo?”.

“A saúde é uma só. A vida é uma só, não existe 50% da vida, existe o 100% e a gente tem que viver no 100%. Eu não acho que a gente tem que ter essa roleta-russa com a vida. A gente tem que preservar a saúde”, afirma.

Sobre o retorno ao trabalho, a médica afirma que a vontade de vencer é enorme. “É uma adrenalina enorme que a gente tem e a gente faz, e a gente quer vencer. E nós vamos vencer isso, sem dúvida nenhuma”.

Formas erradas e corretas de usar máscara de proteção contra o coronavírus — Foto: Arte/G1 3 de 3
Formas erradas e corretas de usar máscara de proteção contra o coronavírus — Foto: Arte/G1

Formas erradas e corretas de usar máscara de proteção contra o coronavírus — Foto: Arte/G1

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By Tribuna ABC

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