1 de 1Fumaça por queimada em mata bloqueia tráfego na Estrada da Coudelaria, em Campinas (SP) — Foto: César Cocco
Fumaça por queimada em mata bloqueia tráfego na Estrada da Coudelaria, em Campinas (SP) — Foto: César Cocco
Campinas (SP) encerrou o período de estiagem deste ano com aumento de 50,7% na quantidade de queimadas captadas por satélite, no comparativo com mesmo período de 2019, segundo dados divulgados pela Defesa Civil na tarde desta quarta-feira (23). O relatório indica que o total de ocorrências registradas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) passou de 142 para 214.
O período considerado no levantamento é o da “Operação Estiagem”, realizada de maio até a terça-feira (22), quando houve transição entre as estações do inverno e da primavera. Além disso, neste período também foram contabilizadas pela administração municipal mais 50 focos de incêndio que não foram captados pelo satélite – dois a menos do que em 2019 – após a Defesa Civil ser acionada por telefone.
A cidade voltou a registrar chuva na segunda-feira, após ficar 28 dias sem precipitações.
“Além de baixa umidade, tivemos temperaturas altas, o que não é normal para o inverno nesse porte, além de dias em estados de atenção e alerta. Estes fatores foram fundamentais e muita gente ficou em casa na quarentena. A pessoa realizava limpeza do terreno e ateava fogo, por exemplo, prática que teve impacto significativo”, destaca o diretor da Defesa Civil em Campinas, Sidnei Furtado.
Questionado sobre a hipótese da cidade registrar algum reflexo por causa da fumaça de incêndios florestais e queimadas no Pantanal – como a capital paulista no dia 19 – Furtado descartou. “A chuva de 20 milímetros quebrou o período de estiagem e já começamos a planejar a Operação Verão”, falou.
Projeto de lei
Durante uma transmissão ao vivo nesta tarde, o prefeito, Jonas Donizette (PSB), anunciou que enviará um projeto de lei para a Câmara de Vereadores onde proíbe uso de fogo para “limpeza ou preparo do solo” com objetivo de reduzir ocorrências. Estão excluídos pelo texto os casos específicos liberados pelo Estado, como a queimada controlada em pesquisa e cultura da cana-de-açúcar.
De acordo com a proposta, que deve ser enviada ao Legislativo até quinta-feira, a multa pelo descumprimento é de 5 mil unidades fiscais (Ufics), o equivalente a R$ 18 mil por hectare queimado. Além disso, o valor dobra em caso de reincidência, segundo a prefeitura.
O texto veta, ainda, a queima de lixo, mato ou qualquer outro material orgânico ou inorgânico na área urbana de Campinas. Neste caso, a multa vai de 200 a 500 Ufics, ou seja, de R$ 732 e R$ 1,8 mil para resíduos domiciliares, e de 1000 Ufics, equivalente a R$ 3,6 mil, para comerciais e industriais.
