
Expedição Velho Chico: Cavaleiros de Dourado vão percorrer 4 mil quilômetros
Dois cavaleiros de Dourado (SP) partiram, nesta sexta-feira (4), na Expedição Velho Chico com objetivo de percorrer toda a extensão do Rio São Francisco. Eles pretendem cavalgar 4 mil quilômetros durante aproximadamente cinco meses na estrada.
Os protagonistas dessa expedição são dois cavaleiros experientes, sendo um deles o Sebastião de Assumpção Malheiro Neto, que contou que a relação com os cavalos começou quando era bebê.
O cavaleiro Pedro Luiz Dias de Aguiar, o Pedroca, tem quase nove décadas de vida e muitas histórias para contar.
“Tá intrínseco com a gente, queira ou não, somos do meio rural de uma época que automóvel era luxo, estamos falando da década de 40, eu nasci em 33, então gasolina era caríssima, automóvel algumas pessoas podiam ter. Me lembro de Dourado quando chegava na cidade tinha dois carros na rua, era uma loucura, hoje dou risada, é uma mudança enorme”, disse Pedroca.
Pedroca e Malheiro já cruzaram o Brasil juntos e entre 91 e 93 percorreram o país do Oiapoque ao Chuí na expedição Brasil com 14 mil quilômetros, o que rendeu à dupla a inscrição do feito no Guinness World Records.
Velho Chico
1 de 3Expedição Velho Chico: Cavaleiros de Dourado vão percorrer 4 mil km até Foz do São Francisco — Foto: Nilson Porcel/EPTV
Expedição Velho Chico: Cavaleiros de Dourado vão percorrer 4 mil km até Foz do São Francisco — Foto: Nilson Porcel/EPTV
Durante o trajeto de 4 mil quilômetros de Dourado até a Foz do São Francisco, os cavaleiros vão passar por Araraquara, Ribeirão Preto, Batatais, Altinópolis, São Sebastião do Paraíso, pela Represa de Furnas até chegar em São Roque em 4 de outubro, onde começa a 2ª fase da jornada pela extensão do São Francisco.
A expedição vai contar com a participação de criadores da Associação Manga Larga. Malheiro ressaltou ainda que a expedição vai servir de base científica para trabalhos em universidades da região.
“Nós convidamos criadores da Associação Manga Larga e recebemos três éguas de fora e três éguas daqui da própria fazenda. A faculdade de Jaboticabal com o Professor Juca Lacerda fazendo trabalho biomecânico e a USP de Pirassununga fazendo trabalho de nutrição, então isso vai servir para base científica, trabalhos depois do que vai acontecer de fato com o metabolismo dessas éguas e também o nosso. Nós fizemos vários exames e vamos repeti-los na chegada”, disse Malheiro.
2 de 3Expedição Velho Chico saindo de Dourado vai servir como base científica de trabalhos de universidades da região — Foto: Nilson Porcel/EPTV
Expedição Velho Chico saindo de Dourado vai servir como base científica de trabalhos de universidades da região — Foto: Nilson Porcel/EPTV
A viagem com cinco meses de duração vai superar entre 25 e 30 quilômetros por dia e a expectativa é cavalgar cerca de 800 km por mês – sempre evitando as estradas. A equipe de apoio também é importante nesse trajeto, ainda mais em época de pandemia.
“Nós estamos levando barracas, a cozinha no próprio caminhão, marcador de temperatura, álcool em gel, abusar das coisas que possam diminuir o risco”, afirmou Malheiro.
A expedição Velho Chico é uma grande homenagem. “Velho Chico é um rio de integração nacional com suas diferenças de pobreza e de riqueza”, disse Pedroca.
3 de 3Cavaleiros de Dourado devem chegar ao final da Expedição Velho Chico em 14 de fevereiro, aniversário de 88 anos do Pedroca — Foto: Nilson Porcel/EPTV
Cavaleiros de Dourado devem chegar ao final da Expedição Velho Chico em 14 de fevereiro, aniversário de 88 anos do Pedroca — Foto: Nilson Porcel/EPTV
“Múltiplas faces, múltiplas cores, então acho que não podia ter sido melhor escolhido. Tem tudo haver conosco, que é a ecologia, a água, a transposição do rio, a fé”, afirmou Malheiro.
A expectativa é que eles cheguem ao destino final em 14 de fevereiro, aniversário de 88 anos do cavaleiro Pedroca.
